Dos egos transeuntes da jornada
o ego é só um fetiche das coisas de nós que estão em riste por um triz a memória afaga as defesas dos eus em que naufraga e a vida lambuza em todos as necessidades avaras
Pachamama em viés corrente
Pachamama, assim escorreita, cospe os crimes em que se deita ilesa a pátrias adormece una mãe descomunal de todas as lutas Pachamama, tão passada, é o futuro em disparada
Dos relatos e da lembrança em resumida pugna
e na lembrança para reviver o fato a memória debruça mansa em nosso relato e caminha, complacente, na sensação dos atos é que o relato da vida nunca é um retrato mas a ilusão sentimental daquilo que nos marca a vida real, por coletiva, nunca nos abarca é só um abraço simples nos infinitos em que se marcha
Transcendências e claros sentimentos
transcendo, tudo que cometo são os recados exatos do que devo a condição de ser é um grave interesse e postar a vida no tempo é vivê-la em constante endereço
Poema de circunstância I
a flor nem sentia os ataques dos olhos de quem a via e deu-se a dormir embevecida sonhando borboletas nos pólens da vida e o beija-flor recatado voava o desejo de beija-la
Da fome em declarada substância
nos desvãos do homem a fome ausculta as bandeiras do desejo e as vontades da culpa a lembrança do pão traspassa o universo como um sonho quântico em claro manifesto a fome é um desacato às veleidades do cérebro o sistema apenas mata as humanidades que encerra
jornada humana em fila recorrente
meus filhos tem a compleição exata de todos os infinitos em que me instalam trazem de mim na jornada humana todos os antepassados a que se irmanam como é bom ser corrente das cachoeiras que se ama
Poema em represada nascente
meu poema nem se importa com os verbos que derrama pela ventania é que palavras assim que percebidas são só memórias represadas dos diques da vida abrir comportas no tempo é o espaço a que se obriga
Mares em barcos de homens postos
o navio debruçado no horizonte escrevia no espaço as idéias do longe na praia como num quadro negro o homem escrevia sonhos nos ombros do seu medo e o mar nem cogitava ondas que desfizesse o enredo é que dar-se a barcos e homens são gestos dos seus prazeres
Tristeza em vagar de alegre gesta
a tristeza vaga no tempo quando a vida descompleta e assim como uma fração no inteiro em que se meça naufraga no peito da gente os risos que sonega a tristeza é só um lapso dos risos que se carregue
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.