Temporais ataques em gestão perene
aos recados do tempo, impostos com insistência, há como avançar os drones da paciência é que assim deflagrados nos veios da liberdade transmudam todos os ritmos dos dias e dos enfados e se alojam em agoras grávidos de futuros compassados
Marighella em ondas recorrentes
Carlos Marighella debruçado na rua é uma bandeira exata do sentido da luta morto, vive tão profundamente que nem se apercebe das vidas que consente Marighella é um mar de ondas recorrentes
Do frevo em Olinda adormecida
nas ruas de Olinda dorme uma alegria um carnaval embutido nas costas do dia o frevo mesmo calado assanha a ventania e drapeja seus tons nos ouvidos da avenida o frevo é uma lembrança nos asfaltos em que silencia
Palestina em doses e recados
a pedra, das mãos do menino voa no seu pulo o grito palestino a manhã, amordaçada no tanque, grita aos sicários um sol molhado de sangue o menino, já sem pedras, morto sobre a rua, é uma estátua urgente dos feitos de sua luta
Legislativa decretação do futuro
no artigo primeiro fica decretado: todos os humanos serão abraçados e em parágrafo, único, como instituto, diga-se desse abraço a amplitude de seu custo no artigo segundo, fique assim definido tudo será de todos em todos os sentidos
Do amor em valsa induzida e permanente
nas brechas dos bemóis, na valsa, mansamente, o amor fustiga os sentidos em ondas recorrentes nada da noite adormece, e nos passos, assim jogados, o tempo ondula os sentimentos na amplitude exata do abraço a valsa é só complemento das notas que criamos pelas faces
Poema a Orlando, meu pai
meu pai tinha nas mãos todos os verbos de sua razão e ao esculpi-los nos ombros da palavras construia futuros e afagava almas meu pai era uma praça em que eu me encontrava
da saudade como lapso de tempo
a saudade é só um distrato entre o presente e o passado tudo que foi preenche na mente as curvas de um agora vazio e reticente o desejo de vivê-lo é um recado recorrente
Reais dizeres de fatos exequentes
e no transcurso de si a realidade exige que no varal da consciência seja posta em cabides é que o rolar das coisas no âmbito das crises envolve todos com tudo nos limites do possível a realidade é um contrato com os objetivos factíveis
Quântica intrusão em veios possíves
dentro da cabeça como um martelo a consciência pulsa no colo do cérebro festa de elétrons adormece quântica em todas as razões em que se diga tanta pulsa-la é só um jeito de afagar a esperança
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.