o amor em ondas é uma presença exata da construção humana nos desvãos da prática
flui como um rio que trafega incauto por todas as direções em que se diga farto
e aporta nos viventes como um desespero de construir um mar de todos e ama-los em tardes e cedos
cada homem é um feitor dos campos do seu enredo
78
Amorosas vazões em tempos largos
a manhã nascente é só um laço que a noite dá, vencida, em nosso abraço é assim como um futuro entre um tempo em distrato e a noturna ilusão do sonho que se deixou pelo quarto eu perdido em seu jeito você perdida em meus braços.
44
De rumos em simetria coletiva
tuas pernas são estradas internas que alinhavam destinos pelas costas da terra
caminham sob a governança das certezas avulsas e das esperanças
bota-las em marcha é intuir como rumo aquilo que o peito inventa como caminho de tudo e juntá-las ao caminho do povo é descobrir-se no mundo
137
Da permanência das ruas e dos sentidos
de tua face pende a vida e o riso e o jeito imenso dos sentidos
engoles o mundo quase à vista em prazos do amor em que tramitas
e assim transeunte dos sentidos e das ruas deixas tuas pegadas nos verbos que discursas
deixar-se inteiro no tempo é o exato apelo da luta
62
Mulher em declarado encanto
quando mulher repleta do mundo queira a manhã sabe-la em dizer-se tudo
e nasça a vida na gravidez do tempo em que esteja posta em cada movimento
e assim, cheia de luz no espalhar de suas tranças possa apaziguar a vida no colo da esperança
ser mulher é ser bandeira de drapejar em todos os caminhos que se queira
84
Pássara manhã em canto desatado
ao dar-se à manhã no sibilar da garganta o passarinho edita o tempo nos jornais da vizinhança
aos ouvidos do povo como bemóis compassados o canto enche a cidade de todos os compassos
e o pássaro nem percebe que dentro dessa cantiga inventa um jeito displicente de abraçar-se com a vida
112
Das notícias em debandada
as notícias caminham lúdicas em busca de neurônios e de culpas
arrastam fatos como arapucas e desdizem direções nas suas curvas
e os verbos em revoada laçam o homem pelas calçadas
a notícia é quase um ato de criar razões e fatos
50
Da pandemia e da morte com ressalvas
vazio o mundo trancafia a possibilidade humana pelas esquinas do dia
a morte anuncia o panfleto recorrente de que jaz entristecida nas pupilas dos viventes
e o alvoroço do futuro intrometido nos desejos desenha sonhos de vida pelas frestas do medo.
119
Artifícios luzentes de olhares e fatos
as luzes artificiais não apontam todas as paisagens do que contam
antes adormecem os olhos incautos deitados ansiosos nos clarões das artimanhas dos fatos
a escuridão, às vezes, no seu viés mais farto aponta todos os futuros das luzes de seus atos
123
Favelas em decúbito rasante
favelas pulsam os rompantes de quem humano vasculha a fome
favelas fatiam o custo e a vergonha gasta dos parasitas do lucro
favelas guardam um futuro alinhavado no tempo contra os absurdos
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.