quanto mais eu perceba como tu percebes mais ainda o coletivo me persegue é que vário não me entregue a ser só indivíduo em cada messe
a pluralidade de mim é só um aviso dos coletivos que a vida tece
despejá-los em mim é só uma tarefa adrede
61
Pequena balada da vergonha
no lixo um pedaço de queijo é uma rosa amarela enlaçada nos olhos do menino que a revela.
nunca que soubesse que todos os seus medos medem mais que seus sentidos amarrotados, assim, nos seus cabelos.
nunca que soubesse das possíveis traições que as rosas tecem nos vãos de seus perfumes
do veneno restou a morte, o acinte e uma infinita vergonha nas ruas do Recife.
45
do poema em trânsito fugaz
o poema costuma voar dos lábios e pular nas almas nos ombros das palavras roi entranhas e desarma quando, engatilhada, a vida lhe desfralda e é bruma e brame encapela-se nas tardes quando sangue mas, antes de mais nada, o poema tece em chamas nas rendas do peito os bordados da alma
118
Tributo ao Camarada Pablo Neruda
no Chile as pedras voam rompida a gravidade entre os segredos das ruas e o peito da cidade
Neruda, gerente do poema, arquiteta palavras, ainda morto, na exata relva que lhe cobre a alma
e as pedras encenam seus poemas grávidas de amor em seus gestos de arma
121
Filosofia em ritmos e fatos
a filosofia é uma verdade arisca tanto mais esconde mais explicita o que vem do homem nos fatos que exercita
em verdade dá-se à vida como uma lente incontida
a filosofia é um fardo atado em desmedidas impunemente plantado nos roçados da vida
89
Metabolismo em rasante manifesto
meu metabolismo é um trânsito intenso das estradas que em mim moldam minha essência
proteínas, glicoses enchem meus neurônios com a razão de admitirem a montagem dos meus sonhos
a razão de minhas células é a condição urgente de estar ombro a ombro com o que me sente
viver é só metabolizar nas estradas de gente
68
Das bigornas do mundo em confluência
as bigornas batiam no meu peito e as cores desmaiavam em confins e com a morte, monstro afeito às diagonais do universo em mim, a febre dos contrários me insuflava jogando milhões de bombas no meu peito
107
informes e batalhas no campo da massa
plástica da forma elástica norma
plural estrutura famigerado informe
a luta enorme bruta e intensa
da moenda no canavial do povo: p(r)ensa
72
Minudências da vida em relance
o triz é só um descuido do que por um triz não se quis futuro
é como se o passado perdesse o compasso e esquecesse no futuro só um pedaço
a gente, por um triz, deixa um triz no espaço
141
Demarches da construção do mundo
a mais-valia escondida, habita o concentrado êxito da notícia
em curso os valores usam todas as trocas e todos os abusos
o suor do operário é só efeito dos salários despejados em seu peito
a produção é uma usina cínica de notícias e seus enredos
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.