Verdes acenos em vazão escorreita
drapejando exata como uma bandeira a árvore esculpe a vida das amazonias em que seja o rio, serpente líquida, borda caminhos na mata em declarada preguiça o mundo transcorre exato nas vidas em que se avista
Aparências em cibernético drama
no teatro virtual a vida consente em deixar-se avulsa, enorme e resistente os íons da trama em pérgulas aparentes apascentam os dramas nas poses de quem sente a intensa maré cibernética é um mar inteiro de aparências
Da fome em trânsito nos enredos
pelas ruas da vida nos lares que encontra as marquises comentam os homens e as sombras a vergonha é paisagem dos semáforos e da ética no trânsito exato da vontade que o indigente professa a miséria pesa os quilos que o estômago confessa
Egolatria em doses reptícias
no raso de si como um aviso o ego mergulha todos os artifícios e na sua lida, ensimesmado, claudica como uma fantasia autofágica posta em notícia os egos relapsam pelo dia seus favores coletivos
Estradas de nós em campo largo
no transverso da vida alinhavado à vontade o mundo grita em nós os surtos da liberdade tatuados no tempo como uma semente pulsam todos os ancestrais largados em nossas mentes o mundo caminha em nós como um atalho recorrente
Quântica resenha de elétrons em flash
quântico o elétron saltita entre a realidade e a contradita farto de estar ubíquo larga-se no tempo como um indício tudo que lhe comporta é um eterno exercício de construir a contradição em todos seus armistícios
Da fluvial procura de humanos mares
o rio, corrido pela tarde derrama-se em passeata na líquida e tenaz vontade de ter um mar que invada o mar, adredemente esparramado, abraça o rio e suas sombras como um quintal de águas debruçado nas ondas o homem, rio inteiro de si, procura os mares que sonha
Jornada temporal em causas e efeitos
e no viés da vida ensimesmado o homem desarquiteta as curvas do passado e o futuro alinhavado aos trancos inventa todos os tempos em que tivesse âmbito a transição das causas é um cenário incômodo
Geometria em humanos ângulos e retas
os ângulos guardam incautos as retas subjacentes que lhes impedem os saltos adormecidos em retas, os raios, hipotéticos, adormecem nas curvas dos seus hemisférios o homem resiste aos traços nas curvas militantes do cérebro
Sistemática disfunção da conjuntura
a tração do lucro em sucumbência grava o gosto da sorte no imo do sistema o aval da exploração em frenético abuso dobra o peito humano na insolvência do seu custo o sistema é uma trave imensa engasgada com o futuro
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.