Andanças em mim em atalhos
quando passeio por mim nas estradas que consigo deixo-me a caminho de estar sempre comigo das encruzilhadas postas como discurso dou-me mais a vê-las grávidas do futuro e tanjo-me nos atalhos que mantenham meu rumo
A Wladimir Ilyitch Oulianov
em passos desatados, nos ombros do Kremlin, ouve-se um caminhar de camaradas e de Lenin é que a memória pela história espalhada, preenche todos os vãos de cada camarada navegante do povo, nos meandros do discurso, Wladimir é um transatlântico nos portos do futuro
Normativo em acelerada vazão
a norma, nos artigos deitada, marcha suas ordens em imposta caminhada grávida de interesses em alíneas e notas tange os homens aos parágrafos da revolta e a compreensão de si é tudo que a revoga
Transverso sentimento em avessos fáticos
rasgo minha tristeza com os risos que alinhavo e os pensares que construo das cicatrizes que trago cada riso, assim atravessado, lambuza o pensamento de futuros e passados nas circunstâncias da luta o tempo é um rio desatado
Dos bólides em volitivos rasantes
a nave, incandescente, morde o céu em seu repente como se fora um pássaro de voo intransigente desenhando o tempo em seu rumo, declarado, invalida todos os ventos nesse pulo apressado dos destinos a que se presta a lua é só um recato da vontade de, máquina, deixar-se sempre no espaço
Veredas em sertão dizentes
o sertão, adredemente calculado, comenta todos os sóis em que esteja espalhado e no trânsito dos gestos dos ventos que pressente deixa calores escondidos nas chuvas que consente o sertão é um mar vazio, encabulado e reticente
Patrice Lumumba em trânsito
Lumumba, dissolvido, engravida a história e pesa todos os quilos no porto extenso da memória no vão de seus ombros, o Congo passeia negro a luta intensa do povo em milhares de enredos a África soluça e ri na dança de seus medos
Operária fuga em vertente declarada
o operário, cerzido à máquina, recolhe os produtos de suas mágoas botão virtual em série, de quase humana lógica, engole algoritmos no vão de suas portas construtor do mundo, dá-se ao rompante de alinhavar o futuro nos sonhos que tange
Rural declinação da camponesa lida
o camponês, plantado na vida, navega o suor em que habita trator de si dá-se à fantasia de engravidar a terra nos leirões da lida e no roçado dos sonhos inventa os campos da vida
verso em contrição
como o universo, deixo-me aflito: para onde expandir todos meus infinitos? como um pássaro avanço resumido as léguas de mim que contrito exercito tudo que me basta é navegar este exercício
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.