AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
310 720 Visualizações

Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

446

Das pedintes razões da igualdade

o semáforo, alheio,
nem explicita
as cores da fome
que o homem exercita 

no colo da rua,
como um anuncio cárneo,
o homem é um cartaz
das mágoas de que se invade 

estendida, a mão é só adereço
de assassinar a igualdade
107

A Thiago de Mello, pássaro verbal

Thiago,
fora da cena,
dorme nas palavras
seu último poema 

nos verbos que voou,
pássaro, agora avulso,
desmancha-se pleno
em todo seu discurso 

Thiago agora é viajante
em todos os seus cursos.
57

Ao Camarada Stuart Edgar Angel Jones II

Camarada Stuart
do vão da tua lembrança
chovem todos os brasis
que guardamos na esperança

Camarada Stuart,
mesmo que não pressintas,
teu jeito preenche o tempo
da luta que o povo habita

Camarada Stuart, 
nada como navegar, assim explícitos,
nos mares de todos,
a condição de comunista
91

Interligações em verbos e constâncias

o poema
imprime cicatrizes
as que venham do verbo
e as que se digam raízes
umas a doer no cérebro
outras a construir marquises

o poema entorna o mundo
como uma grave cascata
das contradições e do futuro
que põe no colo das palavras 
110

Velha intervenção dos pruridos do tempo

no aparente avesso do espaço
o tempo da-se como lida
dos contratempos do mundo
em todas suas medidas

e ajuizado como valor
de decrescente subida
tem-se como infrator
dos prazeres que ainda habita

o tempo mora no homem
como um hóspede da vida
tudo que lhe lucra
é tê-lo como dívida
73

Materna reminiscência em saudade exata

minha mãe
tinha nos olhares
todas as águas
dos meus mares

à nado, 
nas ondas do seu jeito,
eu bebia seus olhos
como um pensamento

minha mãe inventava manhãs
que me enchiam de tempo
58

Dos velejares históricos da vida

a história
nunca é antiga
tudo que lhe rege
é a vida

o dize-la passada
é só disfarce
de quem não a faz
com todas as artes

a história é a cama
em que sonhamos nossa face
50

Temporária distração da vida

o tempo tem disfarces
o jeito de senti-lo
é a régua exata
que lhe cabe

avesso a pouco espaço
resta-lhe a eficácia
de permanecer incólume
mesmo assim variado

a física que cuide assim
de mantê-lo inalterado 
62

Da construção sistêmica da felicidade

a cada palmo do perto
que a vida esteja do riso
deixe-se estar navegante
montado em seus sentidos

é que nas léguas distantes
dos impropérios do tempo
cabe surfar todas as ondas
nas jangadas do pensamento

a felicidade é uma construção
da nossa coletiva consistência
72

da nova predição em laica visagem

os reis, já magros,
incensam o ouro
desesperados

os reis, mirrados,
amputam o futuro,
parasitários

e o mundo resolve,
nos céus que consiga,
desembestar a verdade
nos braços de toda vida
94

Comentários (8)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado