Das pedintes razões da igualdade
o semáforo, alheio, nem explicita as cores da fome que o homem exercita no colo da rua, como um anuncio cárneo, o homem é um cartaz das mágoas de que se invade estendida, a mão é só adereço de assassinar a igualdade
A Thiago de Mello, pássaro verbal
Thiago, fora da cena, dorme nas palavras seu último poema nos verbos que voou, pássaro, agora avulso, desmancha-se pleno em todo seu discurso Thiago agora é viajante em todos os seus cursos.
Ao Camarada Stuart Edgar Angel Jones II
Camarada Stuart do vão da tua lembrança chovem todos os brasis que guardamos na esperança Camarada Stuart, mesmo que não pressintas, teu jeito preenche o tempo da luta que o povo habita Camarada Stuart, nada como navegar, assim explícitos, nos mares de todos, a condição de comunista
Interligações em verbos e constâncias
o poema imprime cicatrizes as que venham do verbo e as que se digam raízes umas a doer no cérebro outras a construir marquises o poema entorna o mundo como uma grave cascata das contradições e do futuro que põe no colo das palavras
Velha intervenção dos pruridos do tempo
no aparente avesso do espaço o tempo da-se como lida dos contratempos do mundo em todas suas medidas e ajuizado como valor de decrescente subida tem-se como infrator dos prazeres que ainda habita o tempo mora no homem como um hóspede da vida tudo que lhe lucra é tê-lo como dívida
Materna reminiscência em saudade exata
minha mãe tinha nos olhares todas as águas dos meus mares à nado, nas ondas do seu jeito, eu bebia seus olhos como um pensamento minha mãe inventava manhãs que me enchiam de tempo
Dos velejares históricos da vida
a história nunca é antiga tudo que lhe rege é a vida o dize-la passada é só disfarce de quem não a faz com todas as artes a história é a cama em que sonhamos nossa face
Temporária distração da vida
o tempo tem disfarces o jeito de senti-lo é a régua exata que lhe cabe avesso a pouco espaço resta-lhe a eficácia de permanecer incólume mesmo assim variado a física que cuide assim de mantê-lo inalterado
Da construção sistêmica da felicidade
a cada palmo do perto que a vida esteja do riso deixe-se estar navegante montado em seus sentidos é que nas léguas distantes dos impropérios do tempo cabe surfar todas as ondas nas jangadas do pensamento a felicidade é uma construção da nossa coletiva consistência
da nova predição em laica visagem
os reis, já magros, incensam o ouro desesperados os reis, mirrados, amputam o futuro, parasitários e o mundo resolve, nos céus que consiga, desembestar a verdade nos braços de toda vida
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.