Atabaques em vazão corrente
o lé configura o batuque no fraseado da gira e solta pelo espaço as energias que usina rumpi engrossa a vertente dos africanos sentidos jogando restos de tempo nos ombros do infinito e o rum entoa o rompante das humanas cachoeiras derramando no vão da vida as energias que penteia
Provecta juventude
menino desde cedo dei-me por velho em certezas velho desde tarde dei-me por jovem dúvidas que guardo a certeza é uma dúvida que a vontade resguarda enquanto a natureza desencapa a verdade
Africano mote de memória bruta
as Áfricas que trago no berço do coração remontam todos os anos que trago pelas mãos assim trançadas no peito como uma memória infinita mede todas as léguas que a gente guarda na vida a África é uma cachoeira de todas as medidas
Intermediação de tempos e fazeres
das manhãs que invado com a noite nas mãos sobra um tempo nos olhos e restos de sonhos pelo chão das tardes que desfaço, já nos ombros da noite, restam desejos assumidos num constante alvoroço assim, no meio do que vivo visto-me das horas e do novo
Dialética menção das quantidades em trânsito
num salto informe explode a quantidade e deita-se, assim diversa, em libertar-se qualidade dos vincos da matéria escondida nos números a generalidade da vida arquiteta futuros a dialética é um revoar intenso das possibilidades em curso
Infringências oníricas do sonho e seu enredo
das margens do desejo, em profundas ondas, o homem navega, adredemente, tudo que se sonha o sonho na jusante do seu desejo navega o sujeito, farto, nos recalques do medo desejo e sonho, abraçados, constroem as tardes do cedo
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.