Das chances em tese
a chance
é só descuido
que o fato inventa
em cada tudo
sabe-la exata
no espaço tempo
é acorda-la farta
pelo pensamento
faze-la fato
assim pela natureza
é conduzir o tempo
no colo da certeza
A obra do amor composto
o amor
sempre convoca
toda construção
em que se posta
erguido a prumo
em viés exato
dá-se argamassa
de cada abraço
a régua de si
é o simples compasso
de manter-se único
mesmo quando vário
Do amor e seus entes
pássaro
o amor gorjeia
todos os bemóis
de suas veias
barco
navega todos os mares
com a lúdica feição
de seus avatares
vento
transita pelo mundo
com a exata compreensão
de que se basta em tudo
Distrato da vida
a dor
não é recado
qualquer prazer
adredemente postergado
a dor é só manifesto
distrato da natureza
discurso descontrolado
dos gritos em que esteja
se, às vezes, entorna
como mar revolto
nada do que navegue
anunciará o novo
Ode oncológica
a vida
tramita o espanto
rasura do corpo
calabouço de tanto
a vontade
envolta no tempo
deixa-se no espaço
sonolenta
o homem no âmbito de si
jaz a liberdade no pensamento
Larguras do espaço
o horizonte
nunca é tanto
que possa esconder
os infinitos que planto
os limites
são um enquanto
nos saltos espalhados
nas profundezas do canto
ao homem cabe a largura
das léguas do que plante
Temporal ardil em manifesto
jogo as manhãs
dentro do peito
nessas noites negras
em que não adormeço
o ardil
é só um desacato
às dores que teimam
seus recados
há um tempo
dentro da gente
que madruga o jeito
do que se sente
Balada provecta
os beiços do tempo
lambem o espaço
e todas as rugas
em que me acho
os sonhos armazenados
são apenas desacato
de quem maneja a esperança
com a liberdade nos braços
construção I
o amor
é ofício
da matéria pulsante
vasto indício
da construção humana
em exercício
transitá-lo em atos
arruma-lo adredemente
jeito assim de inventar
suas marcas pelo tempo
máquina de amolgar
a forma do que se sente
Indígena
a flecha
grito do arco
deixa-se indígena
como laços:
os que prendem a terra
os que voam o espaço
nada de tanto
dá-se como pouco
todos os arcos
tangem o povo
no rumo das matas
no rumo de todos
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.