Verbos malabares
palavras
são malabares
verbos transeuntes
de nossos avatares
os que montam a vida
os que grafam as claves
pauta construída
das notas da liberdade
discurso da matéria
em humana disparada
Contradita
o avesso de tudo
trama na certa
toda contradição
de sua métrica
deixar-se outro
quando mesmo
inventar-se novo
quando velho
a contradição é um fato
complexo transeunte
da matéria em si mesma
construindo-se infante
Da coletiva vazão do eu
tudo de nós é tanto
no humano alvoroço
em que restamos multidão
nas formas do outro
é que o torno exato
de forjar indivíduo
é trajeto formal
de ato coletivo
o caminho de ser único
é abraçar o infinito
Das humanas alturas
o céu
é só um disfarce
das alturas do homem
em seu intento
coisa de dar o desejo
às costas do tempo
posto como destino
de subjetiva jornada
é como se a consciência
fosse humana estrada
invenção de neurônios
nas capoeiras da fala
Construída vazão do amor
o amor
tange o tempo
como uma folha avulsa
na jangada do vento
o exercício flagrante
de mante-lo grávido
é consumi-lo futuro
no presente do passado
o amor assume a multidão
dos nossos descampados
procissão construída
de todos os abraços
Cena em bandeira posta
domando a vontade
no colo do vento
a bandeira tange a pátria
pelas ruas do tempo
como se fora ordem
das nações que intenta
os homens consumidos
em larga ausência
pausam os sentidos
em súbita continência
Verdade em cena
e assim, pública,
possa a verdade
vestir a cara do fato
em privado alarde
como se fora invento
da realidade
e nesse trânsito agudo
entre a vida e tudo
a matéria jogue o tempo
nas costas largas do mundo
Tráfego verbal
o poema
rasga o tempo
trânsito vigente
do pensamento
flagra a manhã
como estandarte
que a lua joga na vida
apontando a tarde
e deixa-se verbo
em seu alarde
de gritar o sentimento
ou as ruas da cidade
das medições de cada
assim quanto a vida
posta na vontade
escorra no tempo
tanta liberdade
como se fora um grito
solto pelas tardes
nas minúcias do infinito
em que se cabe
cada homem seja tanto
quanto a razão que desate
Material construção do tempo
senil e militante
a matéria avança
a juventude construída
em suas tranças
senhora do futuro
dá-se à pertinácia
do auto combate
da humana prática
a matéria soletra todas as contas
de sua intensa matemática
alinhavando seu corpo
como se fora aula
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.