Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
trabalhador,
dê-se ao ofício
de perder-se da vida
em sacrifício
máquina humana
cumpra o turno
remoendo a senda
de ser lucro
fardo monetário
isento do futuro
moenda de si
perverso teorema
nesse dar-se insano
ao sistema
dou-me aos versos
com a certidão exata
de quem sempre criou
os cartórios da alma
os que viajam coletivos
pela madrugada
dizendo a noite oficina
de soletrar a calma
até que o dia cometa
a prontidão do discurso
em dizer-se passado
atravessado de futuro
os desejos
como indivídua saga
inventam vontades
na madrugada
o gesto indivíduo
de pô-las em atos
é trânsito coletivo
na intervenção dos braços
necessidade intrínseca
lúdica perspectiva
a conjunção de todos
é o bioma da vida
quando fosse tanta
essa vontade inata
deixar-se ancestral
no vão da prática
e construir futuro
todos os passados
como roldão de todos
na concisão dos fatos
quando fosse a vida
ávida sanguessuga
revolvendo grávida
os desvãos da culpa
pudesse o homem viver
todos os seus frutos
como árvore infinda
da humana luta
o poema
desce do poeta
rapel semântico
sináptica cachoeira
verbos em trânsito
o poeta, sonolento,
ainda atado
calcula as rampas
dos seus brados
o poema discursa a vida
como um contrato unipolar
nos rapéis que decida
a professora
no meio da sala
conduzia os olhos
nas palavras
o menino
preso na mágica
sonhava o mundo
quase astronauta
nas naves que via
das palavras voantes
a professora parecia
uma estrela brilhante
de cócoras,
no colo do dia,
o menino sonhava
como o mundo vigia
o tempo,
bordando o ócio,
salpicava de alegria
suas horas
a vida espreguiçava
um riso infindo
no veio dos olhos
humano
balbucia a vida
rastro da matéria
em cada esquina
ângulo de si
em coletivo bando
dá-se à alegria
mesmo pranto
construção baldia
infinito em transe
o homem tece o tempo
em que se tange
a manhã, um dia,
acordará cogente
amanhã, um dia,
acordará de ontens
simplesmente
como se a vida
engravidasse urgente
como um futuro
do pensamento
o homem, nas manhãs,
impunemente,
viverá os infinitos
dos dias postos no tempo
a filosofia é,
quase sempre,
duvidar do infinito
impunemente,
guardada a proporçāo
do que se sente
nas veias da matéria,
na verdade displicente,
nas contrações da vida
que a dialética consente
filosofar é ter o mundo
embrulhado na gente
como se fora um livro
nas páginas do tempo
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.