Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
lúdico
nada me joga
público
andante
de mim
discurso
e súbito
deixo os repentes
em que me culpo
sou um barco,
enfim,
de todos os mares
do meu curso
o sonho
é só um jeito
em que me uso
o sonho
é sempre coletivo
tudo que lhe tange
é infinito
e, mesmo particular,
dá-se ao desplante
de parecer viés
de todos horizontes
é que lhe sobra uma nesga
de matéria itinerante
que conjuga todos os passos
de quem esteja sonhante.
minha mãe
tem caminhos
por onde ando displicente
como se fosse uma romaria
de passados e presentes
jogados no coração
assim tão constantemente
como a razão do amor
que cai dos olhos da gente
as palavras da menina
fabricavam a luz do dia
como se fossem um brinquedo
de inventar alegria
e giravam seus sonhos tanto
pelas mãos desenfreadas
como um tempo que se perdia
nos olhos de quem olhava
é que a infância sempre teima
em desabotoar as palavras
como se fosse moenda
dos verbos de quem fala.
A liberdade
é fática
tudo que lhe mede
é a prática
e nem se conta
por unidades
seu corpo é a forma
da variedade
A liberdade
é relativa
por ter-se absoluta
pela vida
a utopia
é um sonho
que se leva na mão
embrulhado na luta
tudo que seja povo
lhe disputa
os metros todos de futuro
a que se ajusta
nada do que vivo
sempre morre
guardo em baús
uns futuros enormes
que chegam a fingir saudades
quando, cedo, tardo
é que lhes aturam insones
os tempos em que lhes lavro.
a crise
é apenas um alvoroço
da história
tudo que lhe tange
é resposta
o povo é só a chave
de abrir suas portas.
o céu
é sempre do povo
como a praça da revolução
e nem há tempo novo
que se invente em vão
a praça é sempre do povo
como o céu de suas mãos
o povo
é sempre da praça
nos céus nublados do não
é como se gente fosse argamassa
de construir amplidão
costurando o peito da massa
nos bordados da razão.
gente pulsando
na história e na avenida
é sempre um futuro
atravessado na vida
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.