Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
o trem
balançava o coração
no compasso exato
de todos os trilhos
dos abraços
o menino, abraçado,
respirava a vida
como fora pulmão
cheio de risos
brincadeira de maquinista
manobrando o infinito
“dispõe o verso
como navegante
de todos os mares
em que se plante”
como primeiro artigo
tenha-se como decidido
que ao verso caiba sonhar
todo e qualquer infinito
no parágrafo único
dê-se ao verbo a sentença
de conter-se lastro lúdico
no coletivo rastro da avença
como segundo intento
na legislante jornada
dê-se ao verso a noite
mesmo nas madrugadas
e que o tempo seja apenas
letras impunemente grafadas
como terceiro pacto
tenha-se pronta a divisa
de que ao verso compete
as liberdades da vida
as que estejam lutadas
as que sejam construídas
como último artigo
entre em vigor pelo verbo
nas datas que consiga
beliscar o universo
revogadas todas as tramas
das estrofes controversas
a filosofia é,
quase sempre,
duvidar do infinito
impunemente,
guardada a proporçāo
do que se sente
nas veias da matéria,
na verdade displicente,
nas contrações da vida
que a dialética consente
filosofar é ter o mundo
embrulhado na gente
como se fora um livro
nas páginas do tempo
o sonho
vige no desejo
fluência formal
de cada enredo
dá-lo a constância
virtual e quântico
usina a matéria
na razão de tanto
as léguas de si
postas no homem
avivam a vontade
de tê-los impunes
a matéria
finge a natureza
nesse ter-se útero
de si mesma
lógica insólita
íntimas lonjuras
salto retórico
lógica e luta
o tempo é disfarce
do parto egoísta
consumo displicente
dos rumos da vida
o rio do menino
dado à corrente
mostrava pela vida
sua consequência
nada-lo era passear
o vão do pensamento
nos mares que imitava
os tsunamis da gente
nada do que era tanto
viveu impunemente
no colo da memória
é sempre um repente
dar-se à natureza
avulso militante
é ter-se no comício
da matéria como tanto
coisa de assim viver
abraçado a si mesmo
vivente de cada átomo
misturado no mundo
a matéria inventa a vida
como jeito de si em tudo
a fronteira
é o povo
e o curso construído
do novo
a matéria humana
composta no universo
treina os infinitos
em que se gesta
dá-los a termo
é só a fantasia
de tê-los consumidos
na trama coletiva
os infinitos apenas tangem
os desejos da vida
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.