Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
na Vala de Perus
a história tramita
as lutas do povo
em suas trilhas
nos ombros do tempo
lavra a memória
enxada do futuro
nos leirões das horas
a vida corre dizendo
a construção urgente
de todas suas portas
nos olhos
escutando a página
o jovem amansava
os saltos da paisagem
o vento
num intenso discurso
balançava o livro
apontando o futuro
correndo em si
dentro das páginas
bebia no tempo
toda liberdade
o muro
como estrada
inventava caminhos
pela madrugada
os jovens
desenhando o instante
ditavam com pincéis
falas militantes
o sonho
embrulhado da vida
pulsava escrito
nos ombros da avenida
nada do que tanto
esteja declarado
ganas do tempo
no colo das palavras
possa deixar a vida
como apenas arma
antes seja laivo
da coletiva trama
que engendra futuros
como circunstância
os que demandam luta
os que inventam ruas
o poema no poeta
é um imenso drone
em todas as nuvens
dos céus do homem
as que chovem risos
as que choram impunes
na instância das chuvas
nos sóis que consome
as palavras são os raios
trovoadas e calmarias
que trafegam o poeta
em suas verbais ventanias
a saudade
vê-se quântica
largada nos passos
da humana dança
trâmite dos sentidos
em suas instâncias
suas horas
dadas ao vento
apenas consentem
o que comenta
os infinitos da vida
nas lacunas do tempo
o bem-te-vi
bordando a tarde
jogava no tempo
um resto de saudade
trazia no gesto
um jeito pássaro
de voar a vida
como um abraço
o homem
ainda naufragado
escrevia o sonho
cheio de passado
nos ares de Xambioá
como uma madrugada
ainda ressoa no tempo
a camarada Dinalva
ainda livre no mundo
humano discurso
Dinalva abraça o povo
no colo do futuro
sua lembrança
afagando a tarde
trafega nos homens
o jeito da liberdade
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.