nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Poeminha filosófico com travos de incoerência
A possibilidade de tudo
nunca é definida
não há tempo que lhe caiba
sob medida
o curso de sua hipótese
é só perspectiva
que enche o peito de uma paz
etérea e presumida
Para havê-la era preciso um futuro
que contivesse todos os tempos
e se contasse em passados
embrulhados em presentes
e coubesse no desconforto
de ser um tempo a desoras
e inventasse todas as razões
nos ombros largos da história.
nunca é definida
não há tempo que lhe caiba
sob medida
o curso de sua hipótese
é só perspectiva
que enche o peito de uma paz
etérea e presumida
Para havê-la era preciso um futuro
que contivesse todos os tempos
e se contasse em passados
embrulhados em presentes
e coubesse no desconforto
de ser um tempo a desoras
e inventasse todas as razões
nos ombros largos da história.
75
Do riso em mim com mares e correntezas
Meu riso
é um jeito
explícito
de ficar comigo
é que me consinto
mesmo baldio
atravessar todas as léguas
do que desafio
nada como nadar meus mares
nas jangadas do que rio.
é um jeito
explícito
de ficar comigo
é que me consinto
mesmo baldio
atravessar todas as léguas
do que desafio
nada como nadar meus mares
nas jangadas do que rio.
145
Aos tambores da pátria
A Nana Vasconcelos
O tambor
talvez não diga
tudo que inventou
nos desvãos da vida
mas na sua sina
de tocar o mundo
resta-lhe a certeza
de ter-se em tudo
o tambor
impunemente
é um coração itinerante
nos passos da gente
114
Do pantanal em chamas
A arara azul
leva nas asas
uma nação
em brasas
a onça,
pintada em sua chaga,
desmaia o fogo
que lhe mata
e a sordidez humana
escarra sua podre alma.
leva nas asas
uma nação
em brasas
a onça,
pintada em sua chaga,
desmaia o fogo
que lhe mata
e a sordidez humana
escarra sua podre alma.
126
Do futuro e suas saudades
nada do que vivo
sempre morre
guardo em baús
uns futuros enormes
que chegam a fingir saudades
quando, cedo, tardo
é que lhes aturam insones
os tempos em que lhes lavro.
sempre morre
guardo em baús
uns futuros enormes
que chegam a fingir saudades
quando, cedo, tardo
é que lhes aturam insones
os tempos em que lhes lavro.
95
Da felicidade e sua lógica
a felicidade
é só um jeito
de prestar-se a tanto
basta que se lhe dê vontade
é um quê de esperança.
é que de fluir baldia
nos tempos da vida
presta-se coletiva
mesmo indivídua
e cai nos braços do homem
sempre dividida:
uma parte é crédito
o outro tanto é dívida
é que a felicidade
em todos os sentidos
é sempre um débito
que ao outro é devido.
é só um jeito
de prestar-se a tanto
basta que se lhe dê vontade
é um quê de esperança.
é que de fluir baldia
nos tempos da vida
presta-se coletiva
mesmo indivídua
e cai nos braços do homem
sempre dividida:
uma parte é crédito
o outro tanto é dívida
é que a felicidade
em todos os sentidos
é sempre um débito
que ao outro é devido.
86
Das velas de mim em teu encalço
Dos mares que velejo
perdido assim em teu abraço
tolerarei as ondas que não meça
dividirei os tempos que não possa
porque de nada-los a cada passo
do que eu consiga em teu encalço
deixe-me restar infinito em tua graça
profundamente livre de mim mesmo
perdido assim em teu abraço
tolerarei as ondas que não meça
dividirei os tempos que não possa
porque de nada-los a cada passo
do que eu consiga em teu encalço
deixe-me restar infinito em tua graça
profundamente livre de mim mesmo
108
Do poema e da luta em concisão
que o poema
não se constranja
em embrenhar-se na luta
que se tanja
que a luta
não se engane
que o poema é bandeira
de tremular pelo sangue
é que poema e luta
derramados nas ruas
são duas armas do homem
um atiça a verdade
que a outra consome.
não se constranja
em embrenhar-se na luta
que se tanja
que a luta
não se engane
que o poema é bandeira
de tremular pelo sangue
é que poema e luta
derramados nas ruas
são duas armas do homem
um atiça a verdade
que a outra consome.
93
Dos alinhavos da vida
que aquilo que alinhavo pela vida
na extensão inteira do seu curso
possa dizer exatamente tanto
quanto de verbo tenha o discurso
pois por te-la assim sob medida
em todos os seus vãos desenfreada
admita a hipótese de morrê-la
com a certeza de todas as estradas
é que o vão de te-la assim disposta
é um terçar de armas diuturno
em que o braço quase sempre tenta
atravessar o vão do seu discurso
e a meta de vivê-la fartamente
nos contornos mais simples da vontade
é quase um exercício dos abraços
nas avenidas do país que se abrace
e assim caminhem verbo e vida
pelas estradas grávidas do povo
construindo o futuro que vigia
a plenitude de tudo que é novo.
na extensão inteira do seu curso
possa dizer exatamente tanto
quanto de verbo tenha o discurso
pois por te-la assim sob medida
em todos os seus vãos desenfreada
admita a hipótese de morrê-la
com a certeza de todas as estradas
é que o vão de te-la assim disposta
é um terçar de armas diuturno
em que o braço quase sempre tenta
atravessar o vão do seu discurso
e a meta de vivê-la fartamente
nos contornos mais simples da vontade
é quase um exercício dos abraços
nas avenidas do país que se abrace
e assim caminhem verbo e vida
pelas estradas grávidas do povo
construindo o futuro que vigia
a plenitude de tudo que é novo.
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.