nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
do cacto em contubérnio inato
o cacto
é só um pacto
entre o espinho
e o espaço
a terra
é só o ato
de tangê-los
no deserto dos fatos
a paisagem
é só o desacato
da flor que se inventa
nos soluços que prolata
é só um pacto
entre o espinho
e o espaço
a terra
é só o ato
de tangê-los
no deserto dos fatos
a paisagem
é só o desacato
da flor que se inventa
nos soluços que prolata
160
Dos egos e das avenidas
É que a vida
posta na avenida
antes de ser minha
é sempre coletiva
as larguras do eu
medem exatamente
onde se souber nos outros
tão completamente
que trazê-los no coração
seja um jeito da gente.
É assim como uma procissão
de tudo que se sente.
posta na avenida
antes de ser minha
é sempre coletiva
as larguras do eu
medem exatamente
onde se souber nos outros
tão completamente
que trazê-los no coração
seja um jeito da gente.
É assim como uma procissão
de tudo que se sente.
47
De bordados e sonos em rápido olhar
Tanger o sono para os olhos
inventa um sonho apressado
que mistura o jeito do dormir
com os futuros do passado
é assim como se o tempo
fosse um imenso bordado
em que se bordando o amor
com as agulhas da calma
espetassemos as linhas do coração
nos bastidores da alma.
inventa um sonho apressado
que mistura o jeito do dormir
com os futuros do passado
é assim como se o tempo
fosse um imenso bordado
em que se bordando o amor
com as agulhas da calma
espetassemos as linhas do coração
nos bastidores da alma.
52
À guisa de mote
É preciso dizer a todos dessa vida
a comunhão que tudo alavanca
e espalhar pelo povo a esperança
nas praças, vielas e avenidas
como se fosse assim uma cantiga
dos desejos que teimamos em criar
nas estradas que sonhamos ao amar
com a força secular de nossa raça
cantando e dançando pelas praças
cantando com o banjo na beira do mar.
a comunhão que tudo alavanca
e espalhar pelo povo a esperança
nas praças, vielas e avenidas
como se fosse assim uma cantiga
dos desejos que teimamos em criar
nas estradas que sonhamos ao amar
com a força secular de nossa raça
cantando e dançando pelas praças
cantando com o banjo na beira do mar.
84
Da passeata em avanço
a passeata navega as ruas
com a exata compostura
de uma nau que singra as praças
dos combates, dos verbos e da luta
cada transeunte em passo
é um descompasso consentido
das dores todas que atiça o povo
e joga os homens na avenida.
a passeata navega também as luas
que o futuro dos passos realiza.
com a exata compostura
de uma nau que singra as praças
dos combates, dos verbos e da luta
cada transeunte em passo
é um descompasso consentido
das dores todas que atiça o povo
e joga os homens na avenida.
a passeata navega também as luas
que o futuro dos passos realiza.
67
Da recorrente condição de ser todos
Todo singular
é tão coletivo
que mostra seus ancestrais
em cada choro, em cada riso.
É que não há como detê-los
nessa transeunte lida
onde nem preciso ser só eu
para me jogar pela vida
cada um,
a cada momento,
é só uma passeata do coletivo
no descampado do tempo.
é tão coletivo
que mostra seus ancestrais
em cada choro, em cada riso.
É que não há como detê-los
nessa transeunte lida
onde nem preciso ser só eu
para me jogar pela vida
cada um,
a cada momento,
é só uma passeata do coletivo
no descampado do tempo.
75
Mãe
minha mãe
tem caminhos
por onde ando displicente
como se fosse uma romaria
de passados e presentes
jogados no coração
assim tão constantemente
como a razão do amor
que cai dos olhos da gente
tem caminhos
por onde ando displicente
como se fosse uma romaria
de passados e presentes
jogados no coração
assim tão constantemente
como a razão do amor
que cai dos olhos da gente
98
Do grito insubstituível da vida
Meu vínculo
é o que sinto
pensar é só preciso
naquilo que o coração
é meu indício
A razão é quase gesto
de que prescindo
quando o coração aponta
os verbos do que digo.
Meu vínculo
é o que grito
na rua geral da vida
em que me infinito.
é o que sinto
pensar é só preciso
naquilo que o coração
é meu indício
A razão é quase gesto
de que prescindo
quando o coração aponta
os verbos do que digo.
Meu vínculo
é o que grito
na rua geral da vida
em que me infinito.
124
Das saliências introspectivas do medo
No medo
rescindo meu segredo
e construo de tarde
o que era cedo
nada do que me é tanto
é tão discreto
mesmo que pública
sua razão e manifesto
no medo, ao inverso,
navego a coragem
do meu verso
palavra que seja planta
no verbo a que me empresto
construindo a paisagem
das estradas do que meço.
rescindo meu segredo
e construo de tarde
o que era cedo
nada do que me é tanto
é tão discreto
mesmo que pública
sua razão e manifesto
no medo, ao inverso,
navego a coragem
do meu verso
palavra que seja planta
no verbo a que me empresto
construindo a paisagem
das estradas do que meço.
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.