nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
das prostitutas prontidões
a mulher
era uma rosa escancarada
tudo que não era dia
estava
pela calçada
a bolsa girava
como gira a vida
e nada
o tempo só vestia a lua
para espantar as urgências
da rua
o verbo era só acinte
dos que habitam a vida
como síndicos
dos condomínios frugais
do urbano labirinto
e sonolenta e faminta
assim escancarada
a mulher era apenas um anúncio
da madrugada
era uma rosa escancarada
tudo que não era dia
estava
pela calçada
a bolsa girava
como gira a vida
e nada
o tempo só vestia a lua
para espantar as urgências
da rua
o verbo era só acinte
dos que habitam a vida
como síndicos
dos condomínios frugais
do urbano labirinto
e sonolenta e faminta
assim escancarada
a mulher era apenas um anúncio
da madrugada
149
Da prática em vínculos tácitos
a prática
divide
a suficiência do fato
e a humana crise
a prática,
como que avisa,
tudo que é verdade
é matéria prima
e lúdica
no desdizer da vida
a prática ensina a luta
em suas oficinas
divide
a suficiência do fato
e a humana crise
a prática,
como que avisa,
tudo que é verdade
é matéria prima
e lúdica
no desdizer da vida
a prática ensina a luta
em suas oficinas
88
Da judiciária vazão da luta
Nos autos do mundo
lavre-se o despacho:
que seja lançado o povo
às vias correntes do fato.
Nos autos do mundo
crave-se a sentença
e sejam deferidas à pulso
suas conveniências.
E que assim feito em praça
nos desvãos do seu invento
impetre ávido na luta
as curvas da consciência
lavre-se o despacho:
que seja lançado o povo
às vias correntes do fato.
Nos autos do mundo
crave-se a sentença
e sejam deferidas à pulso
suas conveniências.
E que assim feito em praça
nos desvãos do seu invento
impetre ávido na luta
as curvas da consciência
91
Da flor em quadrante
é que nos ombros da flor
por tras do seu colorido
navegam os sentimentos
na jangada dos sentidos
é como um feitiço do olho
que teima em ser abrigo
das tempestades da cor
explodindo seus sorrisos
como se à vida não bastasse
sua condição de ser riso
quando a natureza gargalha
a aventura de ser vista.
por tras do seu colorido
navegam os sentimentos
na jangada dos sentidos
é como um feitiço do olho
que teima em ser abrigo
das tempestades da cor
explodindo seus sorrisos
como se à vida não bastasse
sua condição de ser riso
quando a natureza gargalha
a aventura de ser vista.
59
Versos em deslavada assintonia temporal
molho meu poema
de suor e vontade
como transeunte verbal
da liberdade
livre, concluo
por sobre os muros
as insuficiências de mim
nas nervuras do futuro
e o verso, líquido,
posto em drama,
isenta todos os presentes
dos passados que declama
de suor e vontade
como transeunte verbal
da liberdade
livre, concluo
por sobre os muros
as insuficiências de mim
nas nervuras do futuro
e o verso, líquido,
posto em drama,
isenta todos os presentes
dos passados que declama
129
Das palavras do povo em sintaxe exata
uso a palavra
guardada em cachos
assim como em árvores
de uma extensa mata
o verbo me semeia
numa ilusão exata
de que homens cavalgam
os rumos das palavras
e exatamente público
engulo as gramáticas
que meu povo planta
pelas praças
guardada em cachos
assim como em árvores
de uma extensa mata
o verbo me semeia
numa ilusão exata
de que homens cavalgam
os rumos das palavras
e exatamente público
engulo as gramáticas
que meu povo planta
pelas praças
74
da wiphala em grávida fala
a wiphala assim tangida
é índio e alma de povo
da pátria grande
e das pátrias do novo
estandarte
não se presta à lida
de enrolar-se em mastros
mas nos braços da vida
a wiphala é um discurso
adredemente colorido
que se deita pelos Andes
inventando avenidas
é índio e alma de povo
da pátria grande
e das pátrias do novo
estandarte
não se presta à lida
de enrolar-se em mastros
mas nos braços da vida
a wiphala é um discurso
adredemente colorido
que se deita pelos Andes
inventando avenidas
156
Da ilha e seus limites
Cuba é só um jeito
de trazer a liberdade
dentro do peito
é que trazê-la assim
nesse avarandado
ressoa no tempo
como um grave salto
que a vida dá, quase sempre,
quando a história inventa
em ser do povo um espaço
que convenha
Cuba é ilha e olho
assim atravessada
na face impotente
dos canalhas
Ilha
basta-se limítrofe
de todas as liberdades
que estejam em riste
de trazer a liberdade
dentro do peito
é que trazê-la assim
nesse avarandado
ressoa no tempo
como um grave salto
que a vida dá, quase sempre,
quando a história inventa
em ser do povo um espaço
que convenha
Cuba é ilha e olho
assim atravessada
na face impotente
dos canalhas
Ilha
basta-se limítrofe
de todas as liberdades
que estejam em riste
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.