nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Da favela em corrente falar
a favela,
nau desordenada,
navega a vergonha
dos mares de quem cala
ruga urbana,
exausta, desabrocha
as fomes que esconde
em suas portas
e a usina do tempo
escorrendo pela cidade,
amanhece o povo
e um futuro em que caiba
nau desordenada,
navega a vergonha
dos mares de quem cala
ruga urbana,
exausta, desabrocha
as fomes que esconde
em suas portas
e a usina do tempo
escorrendo pela cidade,
amanhece o povo
e um futuro em que caiba
86
Da bailarina em passos
a bailarina
nas esquinas dos sustenidos
inventa todas as ruas
e afazeres dos sentidos
como uma andorinha
a bailarina flutua
e inventa nas asas
uns trejeitos de lua
satélite e garça
no seu corpo declara
todos os cosmos
do engenho e da alma
e adormece no ócio
como uma frase exausta
que suas pernas escrevem
nas entrelinhas da valsa
nas esquinas dos sustenidos
inventa todas as ruas
e afazeres dos sentidos
como uma andorinha
a bailarina flutua
e inventa nas asas
uns trejeitos de lua
satélite e garça
no seu corpo declara
todos os cosmos
do engenho e da alma
e adormece no ócio
como uma frase exausta
que suas pernas escrevem
nas entrelinhas da valsa
49
das plurais manhãs do futuro
a manhã plural
abrirá as sombras
nas ruas surgirá
e o povo em ondas,
como marighellas
despejados pela vida,
engolirá o medo
e inventará avenidas
e aninhará em seu colo
o curso exato das medidas
é que a luta é um amor
apropriadamente coletivo
que se esconde nos ombros
dos que andam consigo
abrirá as sombras
nas ruas surgirá
e o povo em ondas,
como marighellas
despejados pela vida,
engolirá o medo
e inventará avenidas
e aninhará em seu colo
o curso exato das medidas
é que a luta é um amor
apropriadamente coletivo
que se esconde nos ombros
dos que andam consigo
48
Dos etílicos vincos da madrugada
saio da noite
montando madrugadas
com os restos da lua
que vigem nas calçadas
e esqueço os caminhos difusos
que a razão intromete pelos passos
como um surto duvidoso e insolúvel
para indicar os rumos do que traço
aéreo como um astronauta
mirando as voltas do mundo
a volta é só um desperdício
das viagens a que nos propomos
montando madrugadas
com os restos da lua
que vigem nas calçadas
e esqueço os caminhos difusos
que a razão intromete pelos passos
como um surto duvidoso e insolúvel
para indicar os rumos do que traço
aéreo como um astronauta
mirando as voltas do mundo
a volta é só um desperdício
das viagens a que nos propomos
85
Das imaterialidades e dos jugos
nada é absoluto,
há vários nadas
no tudo
apenas a vida se infinita
pelas estradas do mundo.
ao homem cabe apenas
viver a longo curso
distribuídas suas verdades
nas inconstâncias de tudo.
há vários nadas
no tudo
apenas a vida se infinita
pelas estradas do mundo.
ao homem cabe apenas
viver a longo curso
distribuídas suas verdades
nas inconstâncias de tudo.
150
Laços temporais e minudências
O homem dá-se ao tempo
com a sofreguidão incauta
de quem maneja uma teoria
ausente da prática
ruminante das horas
nem vê que o passado
é um futuro de ontens
transeuntes e desavisados
a idade é um velocímetro
de todos os seus laços
como cabê-la nos ombros
como algoritmo largo?
com a sofreguidão incauta
de quem maneja uma teoria
ausente da prática
ruminante das horas
nem vê que o passado
é um futuro de ontens
transeuntes e desavisados
a idade é um velocímetro
de todos os seus laços
como cabê-la nos ombros
como algoritmo largo?
148
Em futuros e tempos displicentes
a plataforma do tempo
é um imenso descampado
onde o povo cria fatos
na ânsia de completá-lo
é assim como um discurso
de verbos rastejantes
que vão comendo as palavras
e seus significantes
e construindo os andaimes
desses todos retirantes
é que a vida sempre boceja
os fatos que sigam avante
como uma cornucópia no espaço
dos futuros que adiante
é um imenso descampado
onde o povo cria fatos
na ânsia de completá-lo
é assim como um discurso
de verbos rastejantes
que vão comendo as palavras
e seus significantes
e construindo os andaimes
desses todos retirantes
é que a vida sempre boceja
os fatos que sigam avante
como uma cornucópia no espaço
dos futuros que adiante
108
Da poesia em livre curso
a poesia tramita
na palavra montada,
nos verbos dizentes,
e na matéria insubmissa
é como se fora um barco
à uma adrede deriva,
navegando os mares
de quem sabe as ilhas,
que atraca o peito do homem
no porto urgente da vida
a poesia é armadilha
das coisas que adivinha
e joga assim pelos sentidos
suas fartas entrelinhas
na palavra montada,
nos verbos dizentes,
e na matéria insubmissa
é como se fora um barco
à uma adrede deriva,
navegando os mares
de quem sabe as ilhas,
que atraca o peito do homem
no porto urgente da vida
a poesia é armadilha
das coisas que adivinha
e joga assim pelos sentidos
suas fartas entrelinhas
82
Das medições dos olhares
Os horizontes
nunca terminam
a gente é que esquece a régua
e as medidas
de trazê-los sempre ao passo
da vida.
Na verdade
contra os destinos
o horizonte é só mais um passo
a que nos consentimos
medir os horizontes é só tarefa
de réguas comprometidas
com os freios que se criam
nas andaduras da vida
só ao povo
cabem os horizontes medidos
pela certeza de que todos
cabem nos seus sentidos.
nunca terminam
a gente é que esquece a régua
e as medidas
de trazê-los sempre ao passo
da vida.
Na verdade
contra os destinos
o horizonte é só mais um passo
a que nos consentimos
medir os horizontes é só tarefa
de réguas comprometidas
com os freios que se criam
nas andaduras da vida
só ao povo
cabem os horizontes medidos
pela certeza de que todos
cabem nos seus sentidos.
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.