nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
pequena dialética de mim
de ser-me só
que seja tanto
que não seja eu
quando não tantos
que me seja um
assim tão vário
e que me faça tantos
assim tão único
e que me cobre poucos
assim tão muito
e que me saiba avante
nos meus recuos
e que me faça parco
quando tão vasto
e que me sobre infinito
quando limitado.
que seja tanto
que não seja eu
quando não tantos
que me seja um
assim tão vário
e que me faça tantos
assim tão único
e que me cobre poucos
assim tão muito
e que me saiba avante
nos meus recuos
e que me faça parco
quando tão vasto
e que me sobre infinito
quando limitado.
117
Das estadias em mim e tantos
vivo e transgrido
como bólide
o instituído
pela razão exata
de lutar comigo
nada do que fosse tanto
é proibido
quando se declara
pertinaz e coletivo
o plural é só um tanto
de estar comigo
como bólide
o instituído
pela razão exata
de lutar comigo
nada do que fosse tanto
é proibido
quando se declara
pertinaz e coletivo
o plural é só um tanto
de estar comigo
153
Acróstico a Mandela
Mais que a vida
A luta se levanta
Nos ombros
Da esperança
E a cada passo
Lembra no povo
A possibilidade humana
A luta se levanta
Nos ombros
Da esperança
E a cada passo
Lembra no povo
A possibilidade humana
115
Das temporais mutações da vontade
e quando faltarem as manhãs
saberemos anoitecê-las
e as traremos escuras
nos braços do povo
nada do que seja o tempo
saberá dizê-las
menos matinais e francas
que a vontade de tê-las
construídas assim à muque
nas avenidas em que sejam
saberemos anoitecê-las
e as traremos escuras
nos braços do povo
nada do que seja o tempo
saberá dizê-las
menos matinais e francas
que a vontade de tê-las
construídas assim à muque
nas avenidas em que sejam
64
Das nuances históricas dos usos
das ruas
nuas do povo
resvalarão angústias
e uma urgência do novo
vielas dar-se-ão avenidas
estendidas em escombros
nos ombros da vida
das ruas
grávidas do povo
rebentarão placentas
e a luta entornará futuros
como se fora uma usina
no paciente desmoronar
de todos os muros.
nuas do povo
resvalarão angústias
e uma urgência do novo
vielas dar-se-ão avenidas
estendidas em escombros
nos ombros da vida
das ruas
grávidas do povo
rebentarão placentas
e a luta entornará futuros
como se fora uma usina
no paciente desmoronar
de todos os muros.
128
Dos índios saberes como tikuna
quando faltarem pernas
serei tikuna
e caminharei todos os passos
dessas ruas
quando faltarem olhos
serei tikuna
e enxergarei os futuros
nos ombros da luta
quando faltarem verbos
serei tikuna
e inventarei as palavras
e as razões de tudo
quando me faltar
serei tikuna
e celebrarei a vida
solto no mundo.
serei tikuna
e caminharei todos os passos
dessas ruas
quando faltarem olhos
serei tikuna
e enxergarei os futuros
nos ombros da luta
quando faltarem verbos
serei tikuna
e inventarei as palavras
e as razões de tudo
quando me faltar
serei tikuna
e celebrarei a vida
solto no mundo.
152
Em dialética junção das vias
a dicotomia
é só um disfarce
dos milhares de gestos
em que se nasce
trazê-los expostos
em cada riso
é um pranto exato
e diverso grito
nada é tudo
tão tenazmente
que a gente, às vezes, esquece
de ser perene.
é só um disfarce
dos milhares de gestos
em que se nasce
trazê-los expostos
em cada riso
é um pranto exato
e diverso grito
nada é tudo
tão tenazmente
que a gente, às vezes, esquece
de ser perene.
92
Das individuais igualdades do todo
comum, deixo-me diverso
pelo diferente que nem somos
nesse humano manifesto
que nos faz parecer um
na singularidade repentina
de quem individua o todo
na igualdade coletiva
que teima em ser diversa
apesar de incontida
é como se fora um verso
na crônica exata da vida
pelo diferente que nem somos
nesse humano manifesto
que nos faz parecer um
na singularidade repentina
de quem individua o todo
na igualdade coletiva
que teima em ser diversa
apesar de incontida
é como se fora um verso
na crônica exata da vida
97
De la vida y sus camiños
y la patria
siguirá jugando
el juego de la vida
Maradona
y para el pueblo
siguirá el sueño
de darle gol
a su dueño
siguirá jugando
el juego de la vida
Maradona
y para el pueblo
siguirá el sueño
de darle gol
a su dueño
76
Dos Andes de mim e adjacências
os Andes
que trago em mim
nas veias e nas vias
ressoam pelas matas
destravam avenidas
nesse pulsar intenso
das mortes e das vidas
das montanhas de mim
que escalo adredemente
nos aconcáguas que trago
nas encostas da mente
de onde desaguo latino
na exata cachoeira desses rios
em que subverto as razões
de todos meus desafios
que trago em mim
nas veias e nas vias
ressoam pelas matas
destravam avenidas
nesse pulsar intenso
das mortes e das vidas
das montanhas de mim
que escalo adredemente
nos aconcáguas que trago
nas encostas da mente
de onde desaguo latino
na exata cachoeira desses rios
em que subverto as razões
de todos meus desafios
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.