os exercícios da alma são flexões diferentes o músculo é o juízo como ofício de gente
é assim um exercício que explode de repente e nas esquinas do mundo apascenta os viventes nesse consumir-se largo de futuros, passados e presentes nos saltos que o tempo dá nas sinapses urgentes
109
Do ser e outros
moenda de mim invento o novo nos saltos que construo no jeito do outro
moenda de mim giro inconcluso em todos os nadas que existem em tudo
parecer-se humano e só invenção do uso.
161
Tributo ao Camarada Pablo Neruda
no Chile as pedras voam rompida a gravidade entre os segredos das ruas e o peito da cidade
Neruda, gerente do poema, arquiteta palavras, ainda morto, na exata relva que lhe cobre a alma
e as pedras encenam seus poemas grávidas de amor em seus gestos de arma
125
Demarches da construção do mundo
a mais-valia escondida, habita o concentrado êxito da notícia
em curso os valores usam todas as trocas e todos os abusos
o suor do operário é só efeito dos salários despejados em seu peito
a produção é uma usina cínica de notícias e seus enredos
66
Pequena balada da vergonha
no lixo um pedaço de queijo é uma rosa amarela enlaçada nos olhos do menino que a revela.
nunca que soubesse que todos os seus medos medem mais que seus sentidos amarrotados, assim, nos seus cabelos.
nunca que soubesse das possíveis traições que as rosas tecem nos vãos de seus perfumes
do veneno restou a morte, o acinte e uma infinita vergonha nas ruas do Recife.
47
A toque de soneto em quase verso
nem do só viver morra o presente naquilo que sobrou pelo passado e que se tenha futuros renitentes nas construções do tempo desejado
que a vida inteira se contemple como um devir presente no espaço em que todos avançam adredemente a construção coletiva do abraço
flua desembestada, assim como corrente dos rios todos e tantos desses mares que navegam o jeito de todos os viventes
deite-se na instância tardia e quase urgente em que se tenha futura em seus olhares abraçada aos fatos de todo seu presente
67
Das bigornas do mundo em confluência
as bigornas batiam no meu peito e as cores desmaiavam em confins e com a morte, monstro afeito às diagonais do universo em mim, a febre dos contrários me insuflava jogando milhões de bombas no meu peito
113
do poema em trânsito fugaz
o poema costuma voar dos lábios e pular nas almas nos ombros das palavras roi entranhas e desarma quando, engatilhada, a vida lhe desfralda e é bruma e brame encapela-se nas tardes quando sangue mas, antes de mais nada, o poema tece em chamas nas rendas do peito os bordados da alma
120
Minudências da vida em relance
o triz é só um descuido do que por um triz não se quis futuro
é como se o passado perdesse o compasso e esquecesse no futuro só um pedaço
a gente, por um triz, deixa um triz no espaço
142
Ode informática ao negro Manassés
dos eletrons nem sabias que teus dias não eram dias mas noites que em ti traziam auroras sem serventia
teu átomo se tão exato perdeu-se na concepção que tinhas dos teus passos
e foste cursor do drama em que estavas lavrando apenas a insurgência na raiz de tua alma
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.