nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Das feituras do verbo em rompante
ao verbo
dê-se a vazão
de navalha lúdica
de gramáticos vãos
e flua recortado
no burburinho tenso
da palavra
como se fora terra
sob a canga dos arados
e instale no homem
a urgente oficina
de inventar nos ombros da fala
todas as suas rimas
dê-se a vazão
de navalha lúdica
de gramáticos vãos
e flua recortado
no burburinho tenso
da palavra
como se fora terra
sob a canga dos arados
e instale no homem
a urgente oficina
de inventar nos ombros da fala
todas as suas rimas
109
Vagar noturno
no fundo do copo
dramas e beijos
a angústia cabe inteira
num copo de cerveja
e quem não se mede
pela tristeza que engole
inventa um riso pela boca
num teatro enorme.
cada um é cada tudo
engasgado e entrançado
nas asperezas do mundo.
o olho escapa
das bordas do copo
e palmilha risos e seios
numa distância insólita
e o corpo consome a noite
e trama a madrugada
com a aguda extensão do tédio
que se escreve na cara.
em todos o bar agita
palavras de ordem de uma alegria
que permanece inconsumível.
dramas e beijos
a angústia cabe inteira
num copo de cerveja
e quem não se mede
pela tristeza que engole
inventa um riso pela boca
num teatro enorme.
cada um é cada tudo
engasgado e entrançado
nas asperezas do mundo.
o olho escapa
das bordas do copo
e palmilha risos e seios
numa distância insólita
e o corpo consome a noite
e trama a madrugada
com a aguda extensão do tédio
que se escreve na cara.
em todos o bar agita
palavras de ordem de uma alegria
que permanece inconsumível.
135
Tribal
minha tribo
é tudo aquilo
que convence
meus sentidos
indígena
me desfaço
na aldeia geral
do que abraço
é tudo aquilo
que convence
meus sentidos
indígena
me desfaço
na aldeia geral
do que abraço
111
Sou
sou.
penso.
e divirjo de ser e pensar
constantemente:
os medos me caem entre os dedos
de repente
sou
e sempre
a vida finge pensar
aquilo que nem se sente.
estou
impunemente
naquilo que nem sei
se sou tão sempre.
penso.
e divirjo de ser e pensar
constantemente:
os medos me caem entre os dedos
de repente
sou
e sempre
a vida finge pensar
aquilo que nem se sente.
estou
impunemente
naquilo que nem sei
se sou tão sempre.
146
Trajetória
nas ruas da vida
como ser exato
se todas as manhãs
cabem nos meus passos?
como não cabê-los
nos desvãos do mundo
explodindo em tudo o coração
navegante desses rumos?
como não sabê-los
estradas de mim mesmo
na direção exata do povo
que me coube tê-lo?
é que a humano
sempre se permite
amanhecer todas as manhãs
por que se grite
e é de tê-las avulsas
como tempos recatados
das razões de nós mesmos
que tenhamos projetado
como ser exato
se todas as manhãs
cabem nos meus passos?
como não cabê-los
nos desvãos do mundo
explodindo em tudo o coração
navegante desses rumos?
como não sabê-los
estradas de mim mesmo
na direção exata do povo
que me coube tê-lo?
é que a humano
sempre se permite
amanhecer todas as manhãs
por que se grite
e é de tê-las avulsas
como tempos recatados
das razões de nós mesmos
que tenhamos projetado
87
Versos a meu pai
de onde você não estiver
eu me comprazo
em ser apenas o contraponto
do que me cala
de onde a vida me bastar
eu morra urgentemente
nas fibras do que não pude
me dizer no teu presente
eu me comprazo
em ser apenas o contraponto
do que me cala
de onde a vida me bastar
eu morra urgentemente
nas fibras do que não pude
me dizer no teu presente
143
Versos do sofrer
a dor
urge que a tenha sempre à mão
quando em vontade
se arquitete a desnecessidade
da razão
e sofro de mim
quando entristeço
coisa que não seja tal
e que nem seja tanto
quanto pareça
e consumo a mágoa
como tentativa
de me dizer não eu
desconstruindo a vida
sofro
com a compleição e o jeito
de restar de mim aquilo
que não devo
e no que não devo
há sempre o mêdo
de não me sobrar no sonho
que consumo
e em que não creio
sofro
como a circunstância
que sofre de mim
a perseverança
e no que não creio
já me permito
ter da razão
algum indício triste
urge que a tenha sempre à mão
quando em vontade
se arquitete a desnecessidade
da razão
e sofro de mim
quando entristeço
coisa que não seja tal
e que nem seja tanto
quanto pareça
e consumo a mágoa
como tentativa
de me dizer não eu
desconstruindo a vida
sofro
com a compleição e o jeito
de restar de mim aquilo
que não devo
e no que não devo
há sempre o mêdo
de não me sobrar no sonho
que consumo
e em que não creio
sofro
como a circunstância
que sofre de mim
a perseverança
e no que não creio
já me permito
ter da razão
algum indício triste
169
Versos a Sô Dinda
a distancia
não permite
que o coração
se ponha à deriva
nau
ele flutua
num mar que descamba
nessa lida
e flui em ondas
que eu sabia
da gente que inventa
essa alegria
não permite
que o coração
se ponha à deriva
nau
ele flutua
num mar que descamba
nessa lida
e flui em ondas
que eu sabia
da gente que inventa
essa alegria
107
Sonata de introspecção
eu quero o aval de tuas coxas
para atravessar tranquilo
as noites de mim mesmo
e ouvir o gosto de tua voz
nas paredes de minha pátria
eu quero o aval de tuas coxas
para encontrar os caminhos
que não pude
e fruir os jogos de minha consciência
e me desmembrar urgente a memória
eu quero a sombra dos teus olhos
para estende-la nos varais do meu bairro
e tê-los sempre apontando o dia
ainda mesmo que não haja.
eu quero o aval de tuas coxas
para engolir os tragos da vida
com a infinita calma dos teus sonhos.
para atravessar tranquilo
as noites de mim mesmo
e ouvir o gosto de tua voz
nas paredes de minha pátria
eu quero o aval de tuas coxas
para encontrar os caminhos
que não pude
e fruir os jogos de minha consciência
e me desmembrar urgente a memória
eu quero a sombra dos teus olhos
para estende-la nos varais do meu bairro
e tê-los sempre apontando o dia
ainda mesmo que não haja.
eu quero o aval de tuas coxas
para engolir os tragos da vida
com a infinita calma dos teus sonhos.
103
Toda praxe, toda vida
toda praxe
é suspeita
nada do que é novo
lhe enseja
é que não cabe
tradição e futuro
no exercício
de quem quer que seja
a praxe
é um avesso
de tudo que avante
se diz começo
é que ao futuro
cabe a lida
de parecer-se impróprio
nas praxes da vida
a praxe
é apenas um obséquio
de tudo que no passado
foi impretérito
não lhe cabe a medida
de soletrar-se avulsa
pois tudo que lhe tange
é uma constância bruta
a praxe
desmede-se dos homens
pois lhes tornam inconclusos
tudo o que lhes movem avante
é uma cordilheira de desusos
e desse usar frequente
que lhes fustiga à corrente
nada do que a praxe siga
será estrada consequente
pois o novo é sempre caminho
dos rios todos da gente.
é suspeita
nada do que é novo
lhe enseja
é que não cabe
tradição e futuro
no exercício
de quem quer que seja
a praxe
é um avesso
de tudo que avante
se diz começo
é que ao futuro
cabe a lida
de parecer-se impróprio
nas praxes da vida
a praxe
é apenas um obséquio
de tudo que no passado
foi impretérito
não lhe cabe a medida
de soletrar-se avulsa
pois tudo que lhe tange
é uma constância bruta
a praxe
desmede-se dos homens
pois lhes tornam inconclusos
tudo o que lhes movem avante
é uma cordilheira de desusos
e desse usar frequente
que lhes fustiga à corrente
nada do que a praxe siga
será estrada consequente
pois o novo é sempre caminho
dos rios todos da gente.
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.