o tanque embutido na guerra nem sabe do valor de tuas pedras
bólides morais elas habitam os infinitos da luta que teu braço agita
ainda hoje assim gritam e tangem a Palestina pelas vias desses futuros que teus gestos nas pedras escreviam
168
Da poesia em livre curso
a poesia tramita na palavra montada, nos verbos dizentes, e na matéria insubmissa é como se fora um barco à uma adrede deriva, navegando os mares de quem sabe as ilhas, que atraca o peito do homem no porto urgente da vida
a poesia é armadilha das coisas que adivinha e joga assim pelos sentidos suas fartas entrelinhas
89
Da favela em corrente falar
a favela, nau desordenada, navega a vergonha dos mares de quem cala ruga urbana, exausta, desabrocha as fomes que esconde em suas portas e a usina do tempo escorrendo pela cidade, amanhece o povo e um futuro em que caiba
92
Dos etílicos vincos da madrugada
saio da noite montando madrugadas com os restos da lua que vigem nas calçadas e esqueço os caminhos difusos que a razão intromete pelos passos como um surto duvidoso e insolúvel para indicar os rumos do que traço
aéreo como um astronauta mirando as voltas do mundo a volta é só um desperdício das viagens a que nos propomos
92
Em futuros e tempos displicentes
a plataforma do tempo é um imenso descampado onde o povo cria fatos na ânsia de completá-lo é assim como um discurso de verbos rastejantes que vão comendo as palavras e seus significantes e construindo os andaimes desses todos retirantes
é que a vida sempre boceja os fatos que sigam avante como uma cornucópia no espaço dos futuros que adiante
115
das plurais manhãs do futuro
a manhã plural abrirá as sombras nas ruas surgirá e o povo em ondas, como marighellas despejados pela vida, engolirá o medo e inventará avenidas e aninhará em seu colo o curso exato das medidas
é que a luta é um amor apropriadamente coletivo que se esconde nos ombros dos que andam consigo
55
Laços temporais e minudências
O homem dá-se ao tempo com a sofreguidão incauta de quem maneja uma teoria ausente da prática
ruminante das horas nem vê que o passado é um futuro de ontens transeuntes e desavisados
a idade é um velocímetro de todos os seus laços como cabê-la nos ombros como algoritmo largo?
154
Do saci e do povo em fantasia
o saci claudica, assim pererê pela vida, a perna que o povo escreveu nos ombros da notícia e montou pelas matas nas razões de sua lida
o povo inventa pernas que nem administra apenas ressoam na cabeça como vestimentas da vida
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Das medições dos olhares
Os horizontes nunca terminam a gente é que esquece a régua e as medidas de trazê-los sempre ao passo da vida.
Na verdade contra os destinos o horizonte é só mais um passo a que nos consentimos
medir os horizontes é só tarefa de réguas comprometidas com os freios que se criam nas andaduras da vida
só ao povo cabem os horizontes medidos pela certeza de que todos cabem nos seus sentidos.
130
Das imaterialidades e dos jugos
nada é absoluto, há vários nadas no tudo apenas a vida se infinita pelas estradas do mundo.
ao homem cabe apenas viver a longo curso distribuídas suas verdades nas inconstâncias de tudo.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.