Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
nem só na carne
há de viver em mim
o jeito mais urgente
que, em súbita descida,
pousou irremediavelmente
nos ombros da minha vida
minha bisavó
de vagina em punho
guardou todas as felicidades
e uma ternura incauta
de jogar sua carne pelo mundo
e, mulher, dizer-se operária
a construir estranhos edifícios
nos andaimes da alma
minha bisavó
talvez por desfastio
era um mar enviesado
fantasiado de rio
nada do que lhe nadasse
deixava de ser sentido
a delação de si ao mundo
era recado do infinito
de ser composto assim
como uma grande semelhança
não lhe sobre porque vário
qualquer resquício de inconstância
flua como um rio caudaloso
e que tão calmo, e grave, e forte
diga-se mais estrada do futuro
e que tanto caminho lhe comporte
junte em cada esgar e cada riso
as nesgas do humano que lhe importem
e medre como medra qualquer culpa
que se escapa de um grito de revolta
seja no seu peito e sua norma
um quê de pássaro, um tanto de resposta
e voe sua lida em voo raso
enviesado albatroz de nossa história
queira-se lídimo apesar de inconstante
que mesmo legal seu estatuto
subverta a razão por que se invoque
a extrema tarefa de ser puro
e que seja lama de boa amolgadura
e lâmina frequente de seu susto
e que se construa numa mesma forma
guardada a compreensão de quem a usa
que osso e carne
seja pouco
como invólucro formal
do meu esforço
que carne e sonho
não contente
a exata medida
de quem sente
que eu e a consciência
convenhamos
o vasto estatuto
que nós somos
diz que o homem
é um prazer absoluto
desde que não mantenha
as medidas do seu susto
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.