nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Poema de madrugada insólita e pátria solta
é de saber-se
que a tarde é morta
no dia que a noite
traz à sua volta
noturno parecer
que trai a tarde
e estupra os céus de minha pátria
como a borboleta negra dos teus olhos
é de se saber
que o dia é vindo
quando a noite monta em madrugadas
nos corcéis infindos dessa pátria
castiça luz
que nem se sabe
amolgando os homens
que em vivos nascem
e morrem em cedos
quase em tarde
que a tarde é morta
no dia que a noite
traz à sua volta
noturno parecer
que trai a tarde
e estupra os céus de minha pátria
como a borboleta negra dos teus olhos
é de se saber
que o dia é vindo
quando a noite monta em madrugadas
nos corcéis infindos dessa pátria
castiça luz
que nem se sabe
amolgando os homens
que em vivos nascem
e morrem em cedos
quase em tarde
100
Poemeto a Manuel Marulanda
da Colômbia
medra a dança
de um exército
de homens e de tempos
Marulanda
guerrilheiro da vida
Manuel avança
os metros todos
de sua larga esperança
e o bolivariano povo
cuida de estar atento
ao futuro a que se lança
e por trás da vida
há uma latina prontidão
de todos os marulandas
em rebelião
medra a dança
de um exército
de homens e de tempos
Marulanda
guerrilheiro da vida
Manuel avança
os metros todos
de sua larga esperança
e o bolivariano povo
cuida de estar atento
ao futuro a que se lança
e por trás da vida
há uma latina prontidão
de todos os marulandas
em rebelião
127
Poema de considerações e amores
que tua carne
infrinja minha alma
com a exatidão
com que me ardo
e que sejas vã
porquanto passageira
das viagens não ditas
de ilusões intensas
assim, quando olhas
não me caibo
e nem desfaço em mim
o teu abraço
toda retina
é um laço
que desprende o olhar
de quem abraça
infrinja minha alma
com a exatidão
com que me ardo
e que sejas vã
porquanto passageira
das viagens não ditas
de ilusões intensas
assim, quando olhas
não me caibo
e nem desfaço em mim
o teu abraço
toda retina
é um laço
que desprende o olhar
de quem abraça
111
Poeminha desdizente das mercadológicas razões
a página do sítio
regurgita
a extrema modernidade
que explicita
tudo que lhe é invés
desacredita
coisas do passado...
trogloditas...
nada é mais tanto
que o botão dourado
da nova máquina
que se afirma
a notícia
na sua estampa
é muito mais fecunda
do que se disse
é que na bunda da atriz
ainda há celulite
nada mais profano
e nada menos humano
do que desacerto tal
a que se assiste
o sítio
terceiriza a vida
impunemente
nada do que é humano
perpassa sua mensagem
adredemente
o sítio
embora não diga
inventa um dia
de bytes coloridos
e consome o homem
no reclame geral
de seus sentidos
o sítio
não pensa
como dizia
antes convence
dessa simetria
que tenta igualar a todos
no mercado geral
da hipocrisia
produtos agora são homens
de manipulada serventia
que obedecem a suas máquinas
na estranha desarticulação
da lógica e da vida
nos bits
não há espaço
o bem e o mal
cedem o passo
tudo que é rentável
é capaz de ser abraço
há um fuzil sempre esperando
o alvo do seu desate
e nem importa que o assassinato
atinja a cidade
a morte é apenas um detalhe
que justifica o produto
e suas propriedades
o cantor
de bemóis tão resumidos
canta pelas roupas e é em tudo
o que consegue
vender pelos mercados do mundo
e é de vê-lo resmungando
nos microfones da vida
os barulhos que inventa
com alguma música ao fundo
ludibriando os ouvidos
num estranho absurdo
o estado no sítio
religioso e terrorista
espalha balas traçantes
pela vida
tudo que lhe tange
é a simples constatação
de que deus é mais um soldado
da sua revolução
matar é quase um dever
da democracia latente
que teima em ser liberdade
inventar esse presente
de expandir os negócios
de forma mais consistente
levando à mercadoria
a condição de ser gente
a ética
restringe-se à norma
de parecer condizente
com o que o sítio informa
todo rei é um parasita
mas registre-se a certeza
sua majestade é apenas
um produto da natureza
e nada mais rentável
no mercado resistente
que a saia de uma princesa
num festa beneficente
do sítio
tem-se a impressão
de um futuro
que está à mão
é certo que um pouco podre
e com certo quê de ilusão
do sítio
registre-se o fato
de poder-se adivinhar
qualquer realidade
nem é preciso pensar
que a gente ainda pode
raciocinar com a razão
assim como hipótese
no sítio finalmente
existe a contradição
de que ao homem não cabe
descontruir a razão
antes há de tê-la vivente
nos bytes do coração
navegando humanamente
a sua revolução.
regurgita
a extrema modernidade
que explicita
tudo que lhe é invés
desacredita
coisas do passado...
trogloditas...
nada é mais tanto
que o botão dourado
da nova máquina
que se afirma
a notícia
na sua estampa
é muito mais fecunda
do que se disse
é que na bunda da atriz
ainda há celulite
nada mais profano
e nada menos humano
do que desacerto tal
a que se assiste
o sítio
terceiriza a vida
impunemente
nada do que é humano
perpassa sua mensagem
adredemente
o sítio
embora não diga
inventa um dia
de bytes coloridos
e consome o homem
no reclame geral
de seus sentidos
o sítio
não pensa
como dizia
antes convence
dessa simetria
que tenta igualar a todos
no mercado geral
da hipocrisia
produtos agora são homens
de manipulada serventia
que obedecem a suas máquinas
na estranha desarticulação
da lógica e da vida
nos bits
não há espaço
o bem e o mal
cedem o passo
tudo que é rentável
é capaz de ser abraço
há um fuzil sempre esperando
o alvo do seu desate
e nem importa que o assassinato
atinja a cidade
a morte é apenas um detalhe
que justifica o produto
e suas propriedades
o cantor
de bemóis tão resumidos
canta pelas roupas e é em tudo
o que consegue
vender pelos mercados do mundo
e é de vê-lo resmungando
nos microfones da vida
os barulhos que inventa
com alguma música ao fundo
ludibriando os ouvidos
num estranho absurdo
o estado no sítio
religioso e terrorista
espalha balas traçantes
pela vida
tudo que lhe tange
é a simples constatação
de que deus é mais um soldado
da sua revolução
matar é quase um dever
da democracia latente
que teima em ser liberdade
inventar esse presente
de expandir os negócios
de forma mais consistente
levando à mercadoria
a condição de ser gente
a ética
restringe-se à norma
de parecer condizente
com o que o sítio informa
todo rei é um parasita
mas registre-se a certeza
sua majestade é apenas
um produto da natureza
e nada mais rentável
no mercado resistente
que a saia de uma princesa
num festa beneficente
do sítio
tem-se a impressão
de um futuro
que está à mão
é certo que um pouco podre
e com certo quê de ilusão
do sítio
registre-se o fato
de poder-se adivinhar
qualquer realidade
nem é preciso pensar
que a gente ainda pode
raciocinar com a razão
assim como hipótese
no sítio finalmente
existe a contradição
de que ao homem não cabe
descontruir a razão
antes há de tê-la vivente
nos bytes do coração
navegando humanamente
a sua revolução.
108
Poema de manhã e luta
nem toda manhã é absurda
tirante o jeito da vida
e a solidão de quem luta
manhãs nunca serão bandeiras
mas um tempo definido
na vontade de quem queira
e o tempo nem se ajusta
ao que quero manhã
num tempo de culpas
tirante o jeito da vida
e a solidão de quem luta
manhãs nunca serão bandeiras
mas um tempo definido
na vontade de quem queira
e o tempo nem se ajusta
ao que quero manhã
num tempo de culpas
97
Receita de abará
o feijão fradinho
quebrado assim em circunstância
de molho, reste como desejo
de toda temperança
no mais fundo desvão do homem
em que se baste a constância
de como Obá enfrenta a vida
assim guerreira, assim santa
orixá de tudo que atinge
orixá de tudo que tange
de todos os Xangos da vida
em que se resume e se expande
pile-se em pilão sem tempo
das paciências em que se arvore
empenho de quanto se basta
para que não sobre qualquer senão
desmanchado assim em pasta
de perene e uniforme concisão
como em Oba é contrito
o ritmo de sua luta
por desfazer-se em Xango
de todas suas disputas
e construir-se mulher
com um quê de aventura
descanse a massa serena
na concisão do silêncio
e reste como invólucro
de tudo que lhe convenha
cebola em faca se agrida
cortada assim em pedaços
pra que espalhe o suor
de vegetal e de atalho
em direção aos caminhos
das bocas em que se valha
assim como Oba preenche
as lacunas de sua espada
com o ruído do inimigo
que lhe serve na batalha
como um alvo itinerante
de todas as suas mágoas
e camarões à mancheia
como se fosse num mar
de um amarelo dendê
que faz a vida inventar
esse gosto de aventura
que a língua teima em achar
e tudo assim em mistura
amolgado em pau e colher
mexa-se no conteúdo
o tudo quanto se quer
orixa, reza e paixão
Oba, desejo e mulher.
e quando assim travestida
em massa de tal afeição
embrulhe-se em bananeira
em folha e sofreguidão
como se fora um lençol
de guardar rebelião
é que por Oba se permite
sem qualquer contrafação
inventar-se um quase pecado
na palma de nossa mão
e leve-se ao banho-maria
com a certeza tanta do fogo
e no vapor das manhãs
a cozer esteja envolta
com a constância de nós
e a persistência do povo
e quando pronto enfim
apenas um esteja à mesa
com a vontade de todos os outros
de todas as Obas que se conheça
quebrado assim em circunstância
de molho, reste como desejo
de toda temperança
no mais fundo desvão do homem
em que se baste a constância
de como Obá enfrenta a vida
assim guerreira, assim santa
orixá de tudo que atinge
orixá de tudo que tange
de todos os Xangos da vida
em que se resume e se expande
pile-se em pilão sem tempo
das paciências em que se arvore
empenho de quanto se basta
para que não sobre qualquer senão
desmanchado assim em pasta
de perene e uniforme concisão
como em Oba é contrito
o ritmo de sua luta
por desfazer-se em Xango
de todas suas disputas
e construir-se mulher
com um quê de aventura
descanse a massa serena
na concisão do silêncio
e reste como invólucro
de tudo que lhe convenha
cebola em faca se agrida
cortada assim em pedaços
pra que espalhe o suor
de vegetal e de atalho
em direção aos caminhos
das bocas em que se valha
assim como Oba preenche
as lacunas de sua espada
com o ruído do inimigo
que lhe serve na batalha
como um alvo itinerante
de todas as suas mágoas
e camarões à mancheia
como se fosse num mar
de um amarelo dendê
que faz a vida inventar
esse gosto de aventura
que a língua teima em achar
e tudo assim em mistura
amolgado em pau e colher
mexa-se no conteúdo
o tudo quanto se quer
orixa, reza e paixão
Oba, desejo e mulher.
e quando assim travestida
em massa de tal afeição
embrulhe-se em bananeira
em folha e sofreguidão
como se fora um lençol
de guardar rebelião
é que por Oba se permite
sem qualquer contrafação
inventar-se um quase pecado
na palma de nossa mão
e leve-se ao banho-maria
com a certeza tanta do fogo
e no vapor das manhãs
a cozer esteja envolta
com a constância de nós
e a persistência do povo
e quando pronto enfim
apenas um esteja à mesa
com a vontade de todos os outros
de todas as Obas que se conheça
142
quereres
quero trazer
meu coração á mão
como uma bandeira coletiva
pra espalhar pelo mundo
os pulmões de rosa do meu povo
quero medir o infinito
com os palmos do meu grito
quero arrepiar meus cabelos
nas ruas gordas de gente
quero dançar com meus irmãos
alguma valsa do futuro
ou, talvez quem saiba,
borbulhar na rua
como um hidrante de afeto
quero empalmar minha alegria
como os jovens empalmam a vida
e os restos de angústia
que se entrançam no peito
quero lançá-los ao vento
pelas frestas dos cabelos.
Quero pousar na paz
indefinidamente
e sonhar todos os sonhos
que se dêem a gente.
meu coração á mão
como uma bandeira coletiva
pra espalhar pelo mundo
os pulmões de rosa do meu povo
quero medir o infinito
com os palmos do meu grito
quero arrepiar meus cabelos
nas ruas gordas de gente
quero dançar com meus irmãos
alguma valsa do futuro
ou, talvez quem saiba,
borbulhar na rua
como um hidrante de afeto
quero empalmar minha alegria
como os jovens empalmam a vida
e os restos de angústia
que se entrançam no peito
quero lançá-los ao vento
pelas frestas dos cabelos.
Quero pousar na paz
indefinidamente
e sonhar todos os sonhos
que se dêem a gente.
103
Poeminha de certezas latentes
Sempre haverá um povo
nos arredores do futuro
mesmo que não haja tempo
para dizê-lo em tudo
sempre haverá um tempo
nos arredores do povo
mesmo que não haja um futuro
guardado em cada bolso
tempos
são apenas arquiteturas
de quem constrói as manhãs
nos descaminhos da luta.
nos arredores do futuro
mesmo que não haja tempo
para dizê-lo em tudo
sempre haverá um tempo
nos arredores do povo
mesmo que não haja um futuro
guardado em cada bolso
tempos
são apenas arquiteturas
de quem constrói as manhãs
nos descaminhos da luta.
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.