nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Das inteirezas da luta
o infinito
é somente um tempo a mais
no meu percurso
nada do que me mede
sabe a dimensão
dos sonhos que uso
é que os alinhavo
impunemente
à contraluz
do meu discurso.
é somente um tempo a mais
no meu percurso
nada do que me mede
sabe a dimensão
dos sonhos que uso
é que os alinhavo
impunemente
à contraluz
do meu discurso.
110
Da saudade e suas direções
É que a saudade é um jeito
que até parece um enredo
de sermos certo do longe
no tardio curso do cedo
é assim como uma lembrança
de que se guarda o medo
de que o futuro se esconda
nas curvas de um segredo
e se transforme num passado
atravessado no desejo
a saudade é uma avenida
de todos os nossos becos.
que até parece um enredo
de sermos certo do longe
no tardio curso do cedo
é assim como uma lembrança
de que se guarda o medo
de que o futuro se esconda
nas curvas de um segredo
e se transforme num passado
atravessado no desejo
a saudade é uma avenida
de todos os nossos becos.
118
Poema ao Camarada Maia no fragor da luta
quantos vulcões
restarão na tua boca
que ainda cuspirás a vida
em tão extremo desconforto?
Assim renhido
na batalha tanta
quem adivinhar
te possa a esperança?
És um infinitivo
que ninguém alcança
convulsa a realidade
enrolada em suas tranças
restarão na tua boca
que ainda cuspirás a vida
em tão extremo desconforto?
Assim renhido
na batalha tanta
quem adivinhar
te possa a esperança?
És um infinitivo
que ninguém alcança
convulsa a realidade
enrolada em suas tranças
88
Poema às paredes de vidro
nem sempre a transparência
deixa de ser cortina
se não se escrevem nos meus olhos
os materiais que adivinho
e paredes mais não sejam
que invólucros mal inscritos
nos muros gerais
dos meus sentidos
deixa de ser cortina
se não se escrevem nos meus olhos
os materiais que adivinho
e paredes mais não sejam
que invólucros mal inscritos
nos muros gerais
dos meus sentidos
129
À espera do passado com nesgas do futuro
a esperança
é só uma dança
que o futuro inventa
pela lembrança
é como se fora um panfleto
redigido no peito de quem avança
sua imanência
é só aviso
de quem sabe montar
seu infinito.
é só uma dança
que o futuro inventa
pela lembrança
é como se fora um panfleto
redigido no peito de quem avança
sua imanência
é só aviso
de quem sabe montar
seu infinito.
109
Pequena ode panglossiana com facciosa conivência
a tristeza
é só um jeito
que a alegria teima em dar
dentro do peito.
é só um jeito
que a alegria teima em dar
dentro do peito.
72
do amanhã em largo espectro
o amanhã
é só um ontem reprimido
é um tempo que esqueceu
de ser vivido
pousa na memória
como bólide inconcluso
à espera das estradas
em que possa estar em uso
O sonho é só o cordão
que lhe atraca no futuro.
é só um ontem reprimido
é um tempo que esqueceu
de ser vivido
pousa na memória
como bólide inconcluso
à espera das estradas
em que possa estar em uso
O sonho é só o cordão
que lhe atraca no futuro.
75
Da largura do amor em larga pauta
A Lane Pordeus
Só ao amor
cabe o absoluto
guardadas as proporções
e as léguas do seu curso
é que não lhe trai
o uso moderado
de tudo que a razão
Interdita aos incautos
só ao amor
cabe o infinito
e a capacidade lúdica
de nunca medi-lo
o amor é só medida
de quem possa realmente senti-lo.
Só ao amor
cabe o absoluto
guardadas as proporções
e as léguas do seu curso
é que não lhe trai
o uso moderado
de tudo que a razão
Interdita aos incautos
só ao amor
cabe o infinito
e a capacidade lúdica
de nunca medi-lo
o amor é só medida
de quem possa realmente senti-lo.
60
poema ao meu avô
meu neto
dentro de mim
é um avô descontrolado
tantas as razões de células
que ainda guardo
e que entornam pelos olhos
quando em desagrado
meu avô
dentro de mim
é um neto inconcluso
tantas as faltas que reclamo
e que explodem no coração
quando as uso
eis a similaridade
todo avô é sempre um neto
em que não se cabe.
dentro de mim
é um avô descontrolado
tantas as razões de células
que ainda guardo
e que entornam pelos olhos
quando em desagrado
meu avô
dentro de mim
é um neto inconcluso
tantas as faltas que reclamo
e que explodem no coração
quando as uso
eis a similaridade
todo avô é sempre um neto
em que não se cabe.
99
pequena consciência
primeiro era tanto
de se dizer que possa
um animal inconseqüente
transcender a norma
de parecer-se singular
como eventual resposta
primeiro era tanto
de se dizer monera
vínculo de tudo
que a vida era
sobra de outro tanto
indizível primavera
primeiro era tanto
de se dizer latência
do fluídico fato
da consciência
embora ainda indisposto
às razões da desavença
primeiro era tanto
de se dizer inteira
mesmo denominador
de frações urgentes
que menos lhe queriam
como só número
de qualidades tão presentes
primeiro era tanto
de parodiar-se outra
como substância imanente
e de feição avara
que teima em ser de um
mesmo quando vária
primeiro era tanto
de se dizer de tudo
que nada fosse verbo
quando não fosse o mundo
subtraído das entranhas
dos planos e dos tudos
primeiro era tanto
de se dizer adaga
alçada à palma da mão
com a mesma lavra
com que a boca diz um beijo
sem dizer qualquer palavra
primeira era tanto
de não se parecer verbo
que funcionasse como química
de tudo que é eterno
e que apenas se joga no mundo
com a suposta imanência do ego
primeiro era tanto
de não conter variedade
mas que permanecesse inconsútil
nessa singularidade
que trava os desvãos do homem
num vão que nem lhe cabe
e dito assim presente
nas quadras de tal matéria
fez-se o homem subjacente
a tudo que não lhe dera
o feitio mais urgente
da mais ingente primavera
era-lhe o siso mais assente
a um equilíbrio inverso
que quanto menos lhe sabia
mais fluía seu interno
nas coisas que não vivia
e que na vida eram verbo
era-lhe o amor mais ausente
tanto mais se considere
que o sentimento é uma ponte
de prumo urgente e adrede
que se joga sobre o rio
de tudo que se percebe
e que não se tem a custo
de químicas mais trabalhadas
que devam ser construídas
num singular em que não caiba
a multiplicidade urgente
de todas as nossas almas
amor que não seja tanto
que destempere a medida
de confluir nossos risos
no sentido da vida
que se abre em todo peito
em cada veia, em muitas vias
mas que seja controlado
na medida do infinito
que cabe quase sem jeito
nas bordas do nosso umbigo
e que teimamos em mantê-lo
do tamanho apenas dos sentidos
primeiro seja o homem
de tudo e tanto assemelhado
a tudo que não seja único
mas que também não seja vário
por pertencer a uma noção
que se mantém incendiária
de que o homem é bandeira
de tremulação planetária
que sabe a revolução
no seu íntimo mais preciso
como os cheiros de sua infância
que lhe sobram nos sorrisos
e tanto assim finalmente
se diga o homem construído
com a mesma urdidura
com que vigem os edifícios
nos andaimes todos da gente
na precisão dos ofícios
que antes de se dizer ave
de indizível equilíbrio
seja um bólide que inverta
os rumos de seus sentidos
de se dizer que possa
um animal inconseqüente
transcender a norma
de parecer-se singular
como eventual resposta
primeiro era tanto
de se dizer monera
vínculo de tudo
que a vida era
sobra de outro tanto
indizível primavera
primeiro era tanto
de se dizer latência
do fluídico fato
da consciência
embora ainda indisposto
às razões da desavença
primeiro era tanto
de se dizer inteira
mesmo denominador
de frações urgentes
que menos lhe queriam
como só número
de qualidades tão presentes
primeiro era tanto
de parodiar-se outra
como substância imanente
e de feição avara
que teima em ser de um
mesmo quando vária
primeiro era tanto
de se dizer de tudo
que nada fosse verbo
quando não fosse o mundo
subtraído das entranhas
dos planos e dos tudos
primeiro era tanto
de se dizer adaga
alçada à palma da mão
com a mesma lavra
com que a boca diz um beijo
sem dizer qualquer palavra
primeira era tanto
de não se parecer verbo
que funcionasse como química
de tudo que é eterno
e que apenas se joga no mundo
com a suposta imanência do ego
primeiro era tanto
de não conter variedade
mas que permanecesse inconsútil
nessa singularidade
que trava os desvãos do homem
num vão que nem lhe cabe
e dito assim presente
nas quadras de tal matéria
fez-se o homem subjacente
a tudo que não lhe dera
o feitio mais urgente
da mais ingente primavera
era-lhe o siso mais assente
a um equilíbrio inverso
que quanto menos lhe sabia
mais fluía seu interno
nas coisas que não vivia
e que na vida eram verbo
era-lhe o amor mais ausente
tanto mais se considere
que o sentimento é uma ponte
de prumo urgente e adrede
que se joga sobre o rio
de tudo que se percebe
e que não se tem a custo
de químicas mais trabalhadas
que devam ser construídas
num singular em que não caiba
a multiplicidade urgente
de todas as nossas almas
amor que não seja tanto
que destempere a medida
de confluir nossos risos
no sentido da vida
que se abre em todo peito
em cada veia, em muitas vias
mas que seja controlado
na medida do infinito
que cabe quase sem jeito
nas bordas do nosso umbigo
e que teimamos em mantê-lo
do tamanho apenas dos sentidos
primeiro seja o homem
de tudo e tanto assemelhado
a tudo que não seja único
mas que também não seja vário
por pertencer a uma noção
que se mantém incendiária
de que o homem é bandeira
de tremulação planetária
que sabe a revolução
no seu íntimo mais preciso
como os cheiros de sua infância
que lhe sobram nos sorrisos
e tanto assim finalmente
se diga o homem construído
com a mesma urdidura
com que vigem os edifícios
nos andaimes todos da gente
na precisão dos ofícios
que antes de se dizer ave
de indizível equilíbrio
seja um bólide que inverta
os rumos de seus sentidos
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.