nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
notívaga contração
é que o bordado da noite
quando inventa nosso riso
cria luas no infinito
nesse claro exercício
de criar com nossos olhos
a aventura de ter vivido.
quando inventa nosso riso
cria luas no infinito
nesse claro exercício
de criar com nossos olhos
a aventura de ter vivido.
90
Progressão
subo
e nem me iludo
que chegarei em paraíso
que nem pude
antes
prefiro na subida
construir os paraísos
dos passos todos da vida.
101
dos avanços da rebeldia
a revolução
nunca é utopia
tudo que lhe tange
é sempre alegria
coisa de ver-se o povo
inventando a energia
de tudo que se enfrente
no peito de quem sentia
rosa da manhã urgente
lavrada na contramão
como se forja um compasso
no meio da multidão
medindo os passos de todos
no rumo do coração.
nunca é utopia
tudo que lhe tange
é sempre alegria
coisa de ver-se o povo
inventando a energia
de tudo que se enfrente
no peito de quem sentia
rosa da manhã urgente
lavrada na contramão
como se forja um compasso
no meio da multidão
medindo os passos de todos
no rumo do coração.
111
quando idéia
quando idéia,
já tão velha
a matéria,
saio de mim
em aventura
e chego a dizer-me verbo
de estranha criatura
idéia que nem seja tanta
como o músculo
que sustenta a garganta
e me propõe ações
de esperança.
quando matéria,
já tão gasta
a idéia,
ouso dizer do mundo
a razão que meu braço
carrega verbos e fardos
e trunca a rota da fala
com a mesma simplicidade
com que a esperança se deita
na paz de quem nem sabe.
já tão velha
a matéria,
saio de mim
em aventura
e chego a dizer-me verbo
de estranha criatura
idéia que nem seja tanta
como o músculo
que sustenta a garganta
e me propõe ações
de esperança.
quando matéria,
já tão gasta
a idéia,
ouso dizer do mundo
a razão que meu braço
carrega verbos e fardos
e trunca a rota da fala
com a mesma simplicidade
com que a esperança se deita
na paz de quem nem sabe.
105
Poema de circunstância II
nada é nunca.
tudo é tanto
e tão sempre
que muda
como a fome guardada
nos sonhos de quem luta.
de repente
assim por descuido
o tempo atravessa a manhã
em largo curso
e decreta a liberdade
pelos ombros do futuro.
tudo é tanto
e tão sempre
que muda
como a fome guardada
nos sonhos de quem luta.
de repente
assim por descuido
o tempo atravessa a manhã
em largo curso
e decreta a liberdade
pelos ombros do futuro.
93
Dos viveres insabidos
sobro
de tudo que me cabe
a vida é sempre maior
do que se sabe
e nem lhe reste
a contradição
de conformar-se cedo
com o que é tarde.
viver é sempre um tempo
de conjugar a liberdade
de tudo que me cabe
a vida é sempre maior
do que se sabe
e nem lhe reste
a contradição
de conformar-se cedo
com o que é tarde.
viver é sempre um tempo
de conjugar a liberdade
59
Poemeto ao Galo da Madrugada
No Galo da Madrugada
não existe compasso
tudo que é medido
se desmente no passo
o frevo solta o Recife
no meio do meu abraço
e o povo inventa a vida
pela sola dos sapatos.
não existe compasso
tudo que é medido
se desmente no passo
o frevo solta o Recife
no meio do meu abraço
e o povo inventa a vida
pela sola dos sapatos.
130
quero meu amor à mão
quero meu amor à mão
como o gesto mais frugal
e comete-lo impunemente
seja no ócio ou em ofício tal
que nunca se distinga
o que lhe seja avesso
mas que se traga ao largo
de todo o meu medo
e que lhe sinta a carne
e uma virtual saudade
porque me seja tanto e farto
pra distribui-lo à vontade
quero meu amor provisório
como a estrela mais precoce
que vive apenas da tarde
o limite da luz que não lhe guarde
e que lhe sinta as entranhas
como um discurso latente
que construa versos na praça
em gramáticas que nem se consentem
quero meu amor teúdo
apesar de coletivo
e tê-lo na exata proporção
de tudo que eu não digo
quero meu amor subjetivo
como os adeuses que não dei
e remoê-lo pelo chão da tarde
na imprecisão de tudo que não sei
quero meu amor não meu
mas que se faça variado
e que tenham em mim limite tanto
por tanto que se faça vasto
quero meu amor
sem ilimites
perfeitamente desatado
e que encontre pedras em seu leito
e que encontre leito em seus enfados
quero meu amor desesperado
na falta e na presença
farto pelo que de tanto
gasto pelo que de menos
como o gesto mais frugal
e comete-lo impunemente
seja no ócio ou em ofício tal
que nunca se distinga
o que lhe seja avesso
mas que se traga ao largo
de todo o meu medo
e que lhe sinta a carne
e uma virtual saudade
porque me seja tanto e farto
pra distribui-lo à vontade
quero meu amor provisório
como a estrela mais precoce
que vive apenas da tarde
o limite da luz que não lhe guarde
e que lhe sinta as entranhas
como um discurso latente
que construa versos na praça
em gramáticas que nem se consentem
quero meu amor teúdo
apesar de coletivo
e tê-lo na exata proporção
de tudo que eu não digo
quero meu amor subjetivo
como os adeuses que não dei
e remoê-lo pelo chão da tarde
na imprecisão de tudo que não sei
quero meu amor não meu
mas que se faça variado
e que tenham em mim limite tanto
por tanto que se faça vasto
quero meu amor
sem ilimites
perfeitamente desatado
e que encontre pedras em seu leito
e que encontre leito em seus enfados
quero meu amor desesperado
na falta e na presença
farto pelo que de tanto
gasto pelo que de menos
43
Portas de tudo
até que não retoques
aquilo que não notas
e que no fundo do olhar
está à mostra
como quem escancara a vida
em todas as portas
é porque a razão
nem sempre importa
mesmo que o verbo seja tanto
e que nem tanto se comporte
como a simples compreensão
de que tudo é uma amostra
do que o homem carrega em si
como resposta
até que não retoques
aquilo que mostras
porque mostrar é uma sina
de tudo que importa
e que de tanto pensar
a gente nunca volta
a gente sempre está
onde nem nota
é que ao homem
não é dado
esquecer todas as portas
aquilo que não notas
e que no fundo do olhar
está à mostra
como quem escancara a vida
em todas as portas
é porque a razão
nem sempre importa
mesmo que o verbo seja tanto
e que nem tanto se comporte
como a simples compreensão
de que tudo é uma amostra
do que o homem carrega em si
como resposta
até que não retoques
aquilo que mostras
porque mostrar é uma sina
de tudo que importa
e que de tanto pensar
a gente nunca volta
a gente sempre está
onde nem nota
é que ao homem
não é dado
esquecer todas as portas
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.