nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Vaca paciência
do curral
nem se admite
que contenha apenas bois
postos em cabides
assim trançado
de pau a pique
o curral é antes vitrine
de um vago precipício
que nem se sabe de boi
e nem ao menos é legítimo
porque de sê-lo restrito
desdizendo a liberdade
antes nem seja curral
mais uma urgente cidade
que constrange o vacum ofício
de ruminar dias e tardes
pois na reta do olho
talvez a contingência
leve a ver-se apenas homens
bois de sua inconsciência.
nem se admite
que contenha apenas bois
postos em cabides
assim trançado
de pau a pique
o curral é antes vitrine
de um vago precipício
que nem se sabe de boi
e nem ao menos é legítimo
porque de sê-lo restrito
desdizendo a liberdade
antes nem seja curral
mais uma urgente cidade
que constrange o vacum ofício
de ruminar dias e tardes
pois na reta do olho
talvez a contingência
leve a ver-se apenas homens
bois de sua inconsciência.
142
Verso desconsolado
Desço dos teus olhos
com a mesma compostura
com que desinvento os rumos
nas manhãs das culpas
é que deixá-los
é tão doído
como desarrumar os horizontes
em que vivo
desço dos teus olhos
tão desnorteado
como quem procura futuros
no passado.
com a mesma compostura
com que desinvento os rumos
nas manhãs das culpas
é que deixá-los
é tão doído
como desarrumar os horizontes
em que vivo
desço dos teus olhos
tão desnorteado
como quem procura futuros
no passado.
86
Sinopse noturna
o bar
remói a vida
bêbado de gente.
Os sonhos
postos nos copos
têm agora
uma feição azeda
já não faiscam nos olhos
como chama
mas ainda murcham
líquidos de mágoas
no resto de madrugada
que se desfaz em cama.
remói a vida
bêbado de gente.
Os sonhos
postos nos copos
têm agora
uma feição azeda
já não faiscam nos olhos
como chama
mas ainda murcham
líquidos de mágoas
no resto de madrugada
que se desfaz em cama.
111
Versos a Haroldo
batráquio
não te aprestas
a parecer uma flor
sem competência
antes te assentas
na simplicidade do gesto
de inventar a paciência
e pulas
tua própria calma
assim esdrúxula
tua resistência
em beber a noite inteira
no teu jeito repente
não te aprestas
a parecer uma flor
sem competência
antes te assentas
na simplicidade do gesto
de inventar a paciência
e pulas
tua própria calma
assim esdrúxula
tua resistência
em beber a noite inteira
no teu jeito repente
70
Súbitas apreciações acerca do verbo
admito
a palavra é quase sempre
o que digo
é que, às vezes,
no meio dos abraços
a palavra entorna gestos
em que não se lavra
admito
a palavra é muito mais
do que um simples rito
é que, às vezes,
no meio dos verbos
há sempre alguma coisa
de subversivo
tudo que a palavra leva
traz no seu bojo
um infinito
a palavra é quase sempre
o que digo
é que, às vezes,
no meio dos abraços
a palavra entorna gestos
em que não se lavra
admito
a palavra é muito mais
do que um simples rito
é que, às vezes,
no meio dos verbos
há sempre alguma coisa
de subversivo
tudo que a palavra leva
traz no seu bojo
um infinito
78
Poema de certa indagação
quantifico a vida
e nessa desmedida
tudo que me soma
me divide
nenhum número dirá
o tamanho do que vivo
e nessa desmedida
tudo que me soma
me divide
nenhum número dirá
o tamanho do que vivo
86
Renitência
insisto
o tempo me repete
vitalício
nada do que vivo
é vestígio
de que há um tempo
que permito
tudo que me tange
é um tempo definido
em que distribuo à vida
todos meus indícios
o tempo me repete
vitalício
nada do que vivo
é vestígio
de que há um tempo
que permito
tudo que me tange
é um tempo definido
em que distribuo à vida
todos meus indícios
110
Poeminha de limites
meu âmbito
é estar em trânsito
e anunciar-me à vida
e nem tanto
e nem ser adrede
em cada pranto
por cada grão de riso
que encontre
meu âmbito
é estar humano
e parecer-me crível
a tudo que eu canto.
é estar em trânsito
e anunciar-me à vida
e nem tanto
e nem ser adrede
em cada pranto
por cada grão de riso
que encontre
meu âmbito
é estar humano
e parecer-me crível
a tudo que eu canto.
100
poema em revolução
quero-a revolução
como exercício
de amolgar a vida
como ofício
quero-a revolução
como norma e indício
de que a vida cabe inteira
em qualquer sentido
quero-a revolução
descontraída
que paste a tarde humana
e me decida
quero-a revolução
em cambulhadas
engolfando as manhãs
por que me arda
quero-a revolução
exata no seu ilimite
e que não me faça noite
mesmo quando triste
quero-a revolução
destemperada
amanhando a consciência
da madrugada
quero-a revolução
tão crua e tanta
e que não seja nem verbo
nem garganta
quero-a revolução
desde a aurora
pra que nasçam todos os sóis
pela história
quero-a revolução
adredemente amada
deitadas pelas sarjetas
porque tão vasta
quero-a revolução
ensandecida
nas esquinas mais gerais
de toda a vida
quero-a revolução
como armistício
das guerras que trazemos
nos sorrisos
quero-a revolução
porque definitiva
no atravessar dos horizontes
das vigílias
quero-a revolução
e simplesmente
cavalgando minha vida
impunemente.
como exercício
de amolgar a vida
como ofício
quero-a revolução
como norma e indício
de que a vida cabe inteira
em qualquer sentido
quero-a revolução
descontraída
que paste a tarde humana
e me decida
quero-a revolução
em cambulhadas
engolfando as manhãs
por que me arda
quero-a revolução
exata no seu ilimite
e que não me faça noite
mesmo quando triste
quero-a revolução
destemperada
amanhando a consciência
da madrugada
quero-a revolução
tão crua e tanta
e que não seja nem verbo
nem garganta
quero-a revolução
desde a aurora
pra que nasçam todos os sóis
pela história
quero-a revolução
adredemente amada
deitadas pelas sarjetas
porque tão vasta
quero-a revolução
ensandecida
nas esquinas mais gerais
de toda a vida
quero-a revolução
como armistício
das guerras que trazemos
nos sorrisos
quero-a revolução
porque definitiva
no atravessar dos horizontes
das vigílias
quero-a revolução
e simplesmente
cavalgando minha vida
impunemente.
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.