Da Palestina e das intifadas
toda manhã
é palestina
e há pedaços do futuro
em cada esquina
toda manhã
é palestina
na exata proporção
do que se luta e se ensina
toda manhã
é sempre um vão
das intifadas
do coração.
Dos virtuais autômatos da inconsciência
primeiro
é dada ao incauto
a ilusão de que comanda
os seus dados
fluem argumentos
pretensos fatos
a mídia cobre de favores
o desinformado
em poses graves
a informação pontua
tudo que os senhores
querem das ruas
o desinformado
já não discursa
veste a camisa
de uma verdade
que nem é sua
e a abraça
com a sofreguidão
de quem utiliza a vida
à contramão
tudo que não
é seu
é seu refrão
então o moderno
é ser latente
estar sempre num trânsito
diferente
o homem passa a cursor
dos mouses de quem nem sente
bebe os bites transversos
de uma verdade incoerente
aquilo que é a paz
bebe a guerra
de repente
engenheiro ineficaz
o incauto nem pressente
que a base da construção
é sua vida inconsequente
e a democracia é apenas
uma palavra morta
e incoerente.
Tempos e movimentos do sonhar
passageiro de mim
adormeço
em todos os sonos
em que me esqueço
é que lembrar no dormir
é esquecer-se avesso
e deixar os ombros do sonho
partir nos tempos do cedo
antes que a noite infrinja
a persistência do medo.
Das avenças e dos ritmos
o absoluto
não existe
tudo por que se luta
está em riste
é como se nada do que é tanto
permitisse a exata medida
de dizer-se menos
que os ritmos da vida
tudo que é perfeito
talvez consiga
escrever-se incompleto
nessa medida
e aventar-se humano
na completude do que diga
das impossibilidades do tudo
eu só sou
se puder não sê-lo
é que só cabe em mim
a possibilidade de fazê-lo
nada do que é absoluto
me permite vivê-lo
na relatividade intrinseca
dos meus medos.
Das contrarazões da crise
penso,
logo insisto
a consciência do mundo
é um enorme precipício
caber a razão é um jogo
de descaber o infinito
a crise é só um arremate
da matéria em seu ofício.
das direções e dos tempos
a vida
é meu guia
em tudo que intenta
e nem por tê-la avara
nos desvãos da consciência
possa merecê-la intacta
como me convenha
é que lhe sobra uma incerteza
que em tudo se completa
por não dizê-la inteira
nos pedaços em que gesta
a vida
é meu guia
em todos meus meandros
e nem por tê-la clara
da cor dos meus enfados
possa dizê-la segredo
de tudo que declaro
a vida
é meu guia
em todos meus destempos
é que lhe sobra espaço
a cada vão momento
para apenas parecer intacta
nos descaminhos que tenho
a vida
é meu guia
mesmo nas demoras
é que sempre há um tempo
de sonhar as horas
e permanecer sonhando
em todas as portas
a vida
é meu guia
no riso que prolato
sentença que seja tanta
do tamanho do abraço
que o mundo teima em dar
em quem lhe baste
a vida
é meu guia
no tamanho das perdas
pois não há como medi-las
sem vivê-las
nos metros de quem se acha pouco
no rumo de entendê-las
a vida
é meu guia
em todos os meus medos
e é de tê-los todos
pelas pontas dos dedos
como as teclas de um piano
em que se toca nosso enredo.
Da permanência das ruas
a dúvida
ausculta
a verdade
bruta
e fulmina
a culpa
de entendê-la
grávida e lúdica
é que por tê-la falsa
a perpetua
como um dizer permanente
da necessidade das ruas
Da insônia em ritmos
A noite
adredemente
avança coisas do dia
pela mente
e o sonho
engatilhado
foge dos olhos
de repente
é que num desvão da noite
incoerente
o sono esqueceu
de amanhecer a gente.
Das impresenças do mundo
não me iludo
a saudade é apenas
um resto de tudo
nada do que é você
permanece ausente
do mundo
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.