da procissão e dos descaminhos
a procissão
convoca
todos os passos
e todas as portas
como um roldão exato
de respostas
à frente
deus informa
todas as direções
e todas as lógicas
e, satélite de si,
nem se importa
com os metros de vida
que entorna
a procissão
é matemática
tudo que lhe marca
é o gesto intenso
de quem se gasta
nos trejeitos solenes
da passeta.
Da luta e seus enredos
Não me submeto
aos limites
do meu medo
a ação
é a exata proporção
do que eu devo
morrer é apenas um desfavor
na vida em que me escrevo
Da liberdade em ritmo estrito
A liberdade
nunca basta
para medi-la
é preciso a prática
e um tempo de tanto
que lhe invada.
A liberdade
não medra à meias
como roçado
antes é planta avessa
a qualquer arado
é coisa tanta de gente
e se contém aos saltos
A liberdade
nunca basta
não há metros de si
pelas calçadas
a liberdade é sempre
inominada
A liberdade
não se mata
sempre lhe sobram léguas
em cada alma.
Da ordem e dos desapegos
chefe de mim
desobedeço
as ordens que dito
a cada medo
é que a luta
é um vão
de inventar
tudo que devo
o dever é enfeite
do humano enredo
Das imanências e outras vertentes
o absoluto
é só um jeito
do discurso
falta-lhe
a imanência
e a presteza do uso
e, se às vezes entorna,
está precluso
a vida
é sempre relativa
guardadas as proporções
de todos os seus cursos.
Das contradições e dos manifestos
meu olho
gruda no céu
com a mesma desenvoltura
com que, escafandro de mim,
revolvo minhas culpas
tudo é só distância
de medir amplitudes
sempre nasço de mim
quando pude.
Da maternidade e alguns indícios
Pedaço de ti
sempre me informas
como discurso de mim
em todas as tuas portas
nasço a cada riso
em que te postas
e bebo as manhãs
quando me mostras
meu tempo
é cada palmo da razão
daquilo que me inventas
guardadas as proporções
e todos os caminhos
que teus olhos orientam
invólucro de mim
segues pela vida
como uma bandeira hasteada
em todas as minhas lidas.
Da morte em traços gerais
Na morte
esqueço de mim
e sou tudo
nada do que era outro
me fará de novo
meu plural é o mundo
e tudo que escolho
é a liberdade e a certeza
do genérico consolo
de todos os vãos da natureza
Das andaduras e intimidades do tempo
caminho simplesmente
a vida é a estrada
tudo que lhe tange
é meu passo e minha fala
o outro é o caminho
que inventa meu andar
como se fora bússola
de todos os meus mares
minha direção é o tempo
nas horas dos meus passos
o futuro é apenas o invólucro
de todos os meus abraços
das intermitências do tempo
nem sempre
estou comigo
a largura da vida
é um grande indício
de que navegamos juntos
o infinito
e nem o passado
é tão conciso
há um futuro dele
impreterivelmente desmedido
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.