AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
314 643 Visualizações

Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

3641

Das presunções e da vida

até que
percebas
que a vida
está em cena
na exata proporção
do teu problema

a verdade é apenas
um jeito presumido
do que se apresenta

viver é quase tanto
quanto inventar a cena
122

Poema à Ravenala Madagascariensis

assim,

leque do mundo,
nem imaginas

o contraste de ti
com minhas retinas
 
revoltas a ti mesma

com a calma que anuncias

e nem permites que o tempo
traspasse o teu jeito de alegria
 
 
75

Palavras a Rita Nunes

de onde não estejas
inventarás um riso enorme
e anunciarás a vida
mesmo na morte

e dos degraus do tempo
em que te convocas
haverá manhãs risonhas
batendo em nossas portas

tua fuga é apenas um gesto
dos risos em que te postas.
63

Poema à mulher da bunda grande

quando não és

enches a rua de incertezas
e nem meu peito acha

de te perder na consciência
 
és uma crise

alheia a vãos desejos

e a exata incompreensão
do que eu nem vejo
 
porque a lúdica simetria
de tua glútea paisagem
enseja a exata proporção
de todas as miragens
 
e nesse escândalo de carnes
que transitas na avenida
nada do que é intransitivo
cabe em tal medida
 
e o ritmo em que incendeias
todas as vias e todas as veias
constrange a compreensão
de que nem és sereia
129

Pequeno itinerário

Eis a simetria:

a vida é maior

que qualquer dia

é que sua metragem
deve-se ao tempo

como se fora régua

de medir cada momento.
 
Eis a simetria:

o amor é maior

que toda ventania

é que sua paisagem

no peito dos viventes
constrói assim um amanhã
nos ontens da gente
 
Eis a simetria:

morrer é quase um tempo
de alegria

é que sua metragem
quando houve vida consome
todas as réguas
de quem fica.
 
67

Da largura do amor em larga pauta

A Lane Pordeus

Só ao amor
cabe o absoluto
guardadas as proporções
e as léguas do seu curso
é que não lhe trai
o uso moderado
de tudo que a razão
Interdita aos incautos

só ao amor
cabe o infinito
e a capacidade lúdica
de nunca medi-lo

o amor é só medida
de quem possa realmente senti-lo.
69

Poema ao Camarada Maia no fragor da luta

quantos vulcões

restarão na tua boca

que ainda cuspirás a vida

em tão extremo desconforto?
 
Assim renhido

na batalha tanta

quem adivinhar
te possa a esperança?
 
És um infinitivo

que ninguém alcança
convulsa a realidade
enrolada em suas tranças
 
94

Pequena ode à coerência

A Wladimir Lênin

Fica o dito como dito

mas que dize-lo tanto

seja preciso
 não apenas
na balsa das palavras
mas no dorso objetivo do ofício.
 
Fica o dito como dito

mas que faze-lo tanto

seja infinito

enquanto perdure uma roseira amarga
pendurada no vão do nosso grito.
86

Pequena ode panglossiana com facciosa conivência

a tristeza

é só um jeito

que a alegria teima em dar
dentro do peito.
 
80

Das inteirezas da luta

o infinito
é somente um tempo a mais
no meu percurso
nada do que me mede
sabe a dimensão
dos sonhos que uso

é que os alinhavo
impunemente
à contraluz
do meu discurso.
117

Comentários (8)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado