quando não és enches a rua de incertezas e nem meu peito acha de te perder na consciência
és uma crise alheia a vãos desejos e a exata incompreensão do que eu nem vejo
porque a lúdica simetria de tua glútea paisagem enseja a exata proporção de todas as miragens
e nesse escândalo de carnes que transitas na avenida nada do que é intransitivo cabe em tal medida
e o ritmo em que incendeias todas as vias e todas as veias constrange a compreensão de que nem és sereia
128
Ode de infância em passo
A pipa que eu soltava era um sonho encabrestado tudo que era de mim voava tanto que meus olhos projetavam os futuros todos da vida embrulhados num jeito de passado.
Eu voava tanto que meu tempo criou asas.
160
Ode ao Cometa Halley
até que não cometas o incrível absurdo de refletir na tua cauda a palidez de nossos muros seguirás urgente em tanto espaço constrangido no brilho que discursas por ver os homens ainda consumidos na lavratura intensa do futuro
cometa, não comentas, nessa tua caminhada, os sóis que brilham no tempo nos passos dessa estrada.
70
Ode aos 38 anos
apesar do tempo já me tenho usineiro de mim e me convenho na franja civil em que já posto gerencio alegremente as curvas do meu rosto
sou em todas as minhas causas a convicção do que me falta habito meu músculo com o mesmo sonho que grassa em meu discurso e amanho meus efeitos nas avenidas que abro no fundo do peito
apesar do tempo me convenho humano trançadas as minhas esperanças fugitivo, às vezes, dos meus planos minha estratégia rói meu coração com a intimidade que lhe cabe de saber renhida a emoção de fazer vivida a liberdade
sou quase o horizonte da minha palavra e cavaleiro andante do que acho guardadas as rebeliões do meu abraço
apesar do tempo ainda morro e ainda nasço e ainda assim ainda sou ainda humano ainda largo.
149
Ode circunstancial e palestina
balas não desenham a tarde balas apenas descrevem a indignidade. balas não são balas apenas indicam uma morte desnecessária.
o menino envolto em balas é um dedo em riste na cara dos canalhas
o menino envolto em medos é um tempo de segredos.
o menino envolto em morte é a descontrução de sua sorte.
138
Ode do futuro e convicção perene
haverá manhãs que serão tão claras que nem será preciso sentir o que se tem na alma
e haverá madrugadas avulsas que anunciarão o dia como desculpa
e haverá noites que de tão macias flutuarão sem jeito pelos dias
e haverá tardes tão urgentes que nos pegará com a aurora ainda nos dentes
e haverá espaços e contingências prestante o riso do povo à incontinência
e haverá um tempo de uma laica textura enrolada nas tranças de gente pelas ruas
e haverá um muro transponível e murmúrios dilatados e um discurso rascunhado em cada passo
haverá montanhas razoáveis e uma leve ilusão de que nunca é tarde
e haverá futuros desenhados nas paredes de cada muro e a simples constatação desses abusos
e haverá crianças e cebolas tecidas nas tardes das paciências nervosas
e haverá lentidão em quem se gosta e uma urgência incauta e sem lógica
e haverá rebeliões em cada aorta tecido o sangue num grito de revolta
e haverá sangue em cada juízo vivida a terra da face em cada riso
e haverá egos aos borbotões renhidas as circunstâncias dos senões
e haverá tudo que não só seja uns palmos de infinito pela natureza.
133
Ode adverbial ao orgulho
a visão me insta a ver meu filho como nauta navegador de mares que não posso consumidor de ares que me faltam.
e a emoção, de resto, é um grande porre de adrenalina pelo cérebro.
108
Palavras a Osagyian
o pilão anuncia que o mundo em vão tem duas vias pois outras há e vidas tantas que é como não tê-las em todas as gargantas quando osagyian inventa o dia
o pilão nem há quando o inhame é outro altar que se espalha no dia ao deus-dará como se fora contradição entre a razão e o orisá
osagyian por sobre a vida é uma razão inteira de se dizer da fé e da fala como uma estranha bandeira de inventar um pilão que pilasse a alma brasileira.
65
pequena concisão da vida
a vez que nascer é quase tanto que morrer
e desde viver que não se finja de prazer
o quanto morrer da sempre luta de nascer.
198
ode aos meus possíveis adversários
ganhaste o jogo, em qualquer circunstância, não concorro
perco, até adredemente, pra me guardar em lutas que a história me consente.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.