Andanças
o povo
dança a rua
abraça o tempo
em sua luta
cheiro da história
assuntando seu curso
ilações da matéria
nas vias do futuro
a multidão
pulsando a avenida
inventa pelo tempo
as tramas da vida
os passos do mundo
engravidam em tudo
o povo
dança a rua
abraça o tempo
em sua luta
cheiro da história
assuntando seu curso
ilações da matéria
nas vias do futuro
a multidão
pulsando a avenida
inventa pelo tempo
as tramas da vida
os passos do mundo
engravidam em tudo
fuzil pacato
a palavra
dá-se culatra
retórica espingarda
dói nos tiros
suas letras
como projétil
estafeta
os verbos que fuzila
civis escaramuças
são gritos do poema
dos poetas em luta
oficina da vida
o cérebro cogita
tecer pelo mundo
todas suas trilhas
oficina de si
o homem abraça
todas as medidas
dos seus passos
oficina de tanto
joga-se o infinito
na ânsia de contar
todos seus ritos
desde a origem
dou-me à saga
de povoar a multidão
que me deflagra
aparente singular
dos plurais que consigo
intrometo minha fala
na obra coletiva
contrição humana
pejada de infinitos
a matéria vive em mim
todos os seus gritos
dos modos
em tese
tenha-se a razão
adrede:
a forma instala
os conteúdos
que ingere
dá-los informes
é forma-los avante
placenta engenheira
fetos verbais de tanto
o poema é um distrato
dos modos de seu canto
a palavra
como grito
arquiva o homem
nos sentidos
molotov verbal
dá-se ao rito
explosão de si
inconsumida
o verbo como arma
no trânsito humano
aguarda, ainda sonoro,
o silêncio do mundo
Sebastião
fotografado
deu-se ao infinito
como retrato
a história
enquadrada
arquiva imagens
na madrugada
Sebastião
agora sem máquina
fotografa o mundo
com a alma
Palestina
A
L
E
Seja do Rio ao mar
T
I
N
Atravessada no mundo
na paciência das horas
dará aos genocidas, em tudo,
o túmulo da história
leve-se ao tempo
o currículo
de estar consigo
em deixar-se outro
em qualquer ofício
como se fora norma
do humano indício
da matéria militante
de seus artifícios
a vida é ficha corrida
dos sonhos que decida
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.