Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
a saudade
dor reticente
fustiga musculosa
o pensamento
tudo que era tanto
que fingia infinitos
dá-se, assim, aos poucos
com ares de contrito
coisas pulsam a lembrança
construindo nos sentidos
um tempo que habitavam
um sonho exato da vida
o tempo ensaia
o espaço que ocupa
curvas urgentes
dos passos da luta
ânsia recorrente
ponteiros da vida
as horas relatam
a pressa consentida
parâmetro da vontade
dado como régua
o tempo apenas finge
aquilo que entrega
a estrela
piscando o céu
navegava nos olhos
o jeito do universo
como fora a matéria
nas estrofes do tempo
tudo que era palavra
jazia mudo
nas rimas concretas
postas no mundo
caçando o lixo
o homem tocaiava
os traços da fome
em seus indícios
treinando a vontade
como armistício
o mundo
ainda apodrecido
ruminava nas ruas
o humano desperdício
o homem lamentava
o vão dos instintos
só caibo em mim
quando todos
necessidade inata
de ser povo
vivo em mim
quando sempre morro
nos gestos gerais
em que me ouso
laço indivíduo
do múltiplo
porto e precipício
da construção humana
em seu conforto
viver só em mim
é muito pouco
rebelde
dê-se à insistência
em manter acesa
a consciência
na luta
dê-se ao passo
de construir as vias
todas do fato
na vida
dê-se ao recato
de habitar multidões
em cada ato
no banco da praça
inventando a vida
os camaradas tramavam
as vias do partido
tudo da vontade
posta no discurso
eram as pontas soltas
das veias do futuro
o tempo escondido
em subversivas horas
era só um jeito
de tanger a história
o mundo era o útero
dos partos da memória
no muro da escola
na fuga das aulas
o jovem arquitetava
as vias sonhadas
as que o tinham em terra
as que o diziam astronauta
os desejos do tempo
apenas confirmavam
os sonhos medidos
com a militância da alma
nada do que tramava
era matemática
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.