Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
resto em mim
como arcabouço
dos tantos que fui
mesmo dos poucos
quando viajante
cheguei ao outro
múltiplo e contrito
permaneço no rito
de estar multidão
mesmo sozinho
o gosto do tempo
amansa o caminho
substantiva
como a vida
a razão desenha
suas trilhas
nesse manejar-se
quase adjetiva
remoendo o mundo
como consiga
as travas da fala
em gramática lida
remoem os verbos
nas palavras da vida
no açude, boiando,
o menino sonhava
todas as hipóteses
que a vida transitava
as que vivia no tempo
as que guardava na alma
o mundo girando
dado à alegria
sorria nas águas
os sonhos que dizia
o menino era bandeira exata
das maravilhas do dia
o poema
ainda sonolento
acorda o sonho
no pensamento
a palavra
em mortais carpados
rasga o sono
em seus saltos
o poeta, perplexo,
sente o manifesto
uns ares de cãibra
do universo
o tempo
esconde a tarde
no tramitar nos olhos
suas veleidades
raramente permite
ver-se relativo
nas réguas dos homens
medindo o infinito
como tempo
esconde nos lapsos
sua conjunção intrínseca
com o espaço
o homem vive as horas
como transeunte inato
restos do sonho
brincam na mente
inventando a vida
nas veias do que sente
o mundo
transitando o dia
mistura o tempo
das vias em que corre
a crise
vísceras de tudo
é o parto dialético
da matéria no mundo
a palavra
diz a vida
recurso do verbo
em sua lida
de jogar os homens
em seus ouvidos
a palavra
grafa a fala
recurso das letras
em suas raias
como um nado verbal
na piscina da alma
circunspecto
o poema navalha
todos os verbos
em que se larga
dado ao trânsito
dessa íngreme fala
revolve o poeta
em sua lavra
os telhados de si
postos na palavra
acobertam o poeta
nos verbos que batalha
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.