Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
cidadão de mim
abro o plebiscito
no encontrar o âmbito
do que me insisto
as praças em que vago
os saltos que consigo
o ter-se votante
das próprias vias
é lógica e resumo
da trama coletiva
no curso da vontade mora
o escrutínio exato da vida
nos olhos
escutando a página
o jovem amansava
os saltos da paisagem
o vento
num intenso discurso
balançava o livro
apontando o futuro
correndo em si
dentro das páginas
bebia no tempo
toda liberdade
na cabeça do poeta
vigem as palavras
autoras das cócegas
que tem na alma
joga-las no poema
é apenas o rito
da intimidade verbal
que se consiga
o verbo
com íntimo concerto
solfeja pelo mundo
as músicas no peito
o poema no poeta
é um imenso drone
em todas as nuvens
dos céus do homem
as que chovem risos
as que choram impunes
na instância das chuvas
nos sóis que consome
as palavras são os raios
trovoadas e calmarias
que trafegam o poeta
em suas verbais ventanias
transbordo:
os mares da vida
que suporto
estão consentidos
em tudo que posso
dar-se a ondas
diz-se invólucro
de manusear a luta
como lógica
esse gastar-se humano
em todas as portas
as fechadas em si
as coletivas que importam
na pauta do tempo
como bordado
o homem solfeja a vida
no coro dos fatos
dá-los cantoria
humana ária
diz-se tom coletivo
nos afinos da fala
canta-la recorrente
na geometria humana
é forjar todos os hinos
dos futuros cantos
decrete-se contínua
a humana avença
de tricotar o futuro
nas rendas do tempo
até que a vida construa
como bem coletivo
todas as possibilidades
de viver o infinito
os que estejam em todos
os que estejam contritos
até que a vida comporte
os destinos que possa
o tempo
não dirá do mundo
sua trajetória
no espaço de tudo
apenas restará
como apenso
nos gestos do povo
em seus lamentos
aprontando a história
enfim dar-se-á estrada
das lutas tangidas
na humana saga
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.