Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.
n. 1952-01-29, Parahyba
quando a dor estiver revolta
no colo exato dos sentidos
dê-se à vida o transcurso
das larguras do infinito
como se fora estrada
que contivesse no grito
sempre a melhor risada
do futuro consentido
é que a dor é só trajeto
da construção permitida
na humana obra do tempo
em que seja proibida
por estarem todos conjugados
nas passeatas da vida
o lapso de tê-la embutida
no imo largo do peito
é só a perspectiva
de cada humano trejeito
de lançar o tempo na vida
como se fosse um jeito
e emoldurar a vida
com todos seus efeitos
os construídos na carne
os definidos no tempo
até que a vida
em sua trama
invente-se a razão
por que se ama
até que todos
inventem nas ruas
os passos exatos
de quem luta
até que o mundo
em seu curso
dê-se à construção
de todos em tudo
e no que fora o tempo
um gesto consentido
que a matéria dá em si
como forma de interstício
de medir a eternidade
em pedaços do infinito
e no que fora o espaço
um tempo presumido
de arrumar a matéria
pelo vão dos sentidos
aqueles dados aos átomos
os postos no indivíduo
nessa faina engenhosa
que a consciência decida
assim que tanto
fosse a madrugada
um tempo mascarado
de noites derramadas
como se fossem pelas horas
pedaços de uma fala
um espaço inventado
nos passos das calçadas
e os homens
queiram bolinar o tempo
lúcidos e desgovernados
nos ombros da vida
a saudade
é um trato lúdico
barco da vida
quando em uso
dá-se presente
ainda futuro
tudo de privado
tem-se público
a saudade
dói sorrindo
em cada curso
os desejos
como indivídua saga
inventam vontades
na madrugada
o gesto indivíduo
de pô-las em atos
é trânsito coletivo
na intervenção dos braços
necessidade intrínseca
lúdica perspectiva
a conjunção de todos
é o bioma da vida
meu sítio
é estar convicto
que o ritmo da vida
é um grande comício
o palanque é o corpo
a vontade o princípio
a constância do braço
é o pilar do ofício
a construção humana
é um rastro do infinito
impresso pelo mundo
nos passos que consiga
trabalhador,
dê-se ao ofício
de perder-se da vida
em sacrifício
máquina humana
cumpra o turno
remoendo a senda
de ser lucro
fardo monetário
isento do futuro
moenda de si
perverso teorema
nesse dar-se insano
ao sistema
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.