Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.
n. 1952-01-29, Parahyba
a dúvida
verdade avulsa
dá-se à incerteza
em agnóstica culpa
a matéria treinando
suas desculpas
nas entrelinhas
a dúvida introjeta
um jeito futuro
de quem testa
a verdade é uma dúvida
em cada tempo
até que esteja grávida
de outros manifestos
a fronteira
é o povo
e o curso construído
do novo
a matéria humana
composta no universo
treina os infinitos
em que se gesta
dá-los a termo
é só a fantasia
de tê-los consumidos
na trama coletiva
os infinitos apenas tangem
os desejos da vida
“dispõe o verso
como navegante
de todos os mares
em que se plante”
como primeiro artigo
tenha-se como decidido
que ao verso caiba sonhar
todo e qualquer infinito
no parágrafo único
dê-se ao verbo a sentença
de conter-se lastro lúdico
no coletivo rastro da avença
como segundo intento
na legislante jornada
dê-se ao verso a noite
mesmo nas madrugadas
e que o tempo seja apenas
letras impunemente grafadas
como terceiro pacto
tenha-se pronta a divisa
de que ao verso compete
as liberdades da vida
as que estejam lutadas
as que sejam construídas
como último artigo
entre em vigor pelo verbo
nas datas que consiga
beliscar o universo
revogadas todas as tramas
das estrofes controversas
dar-se à natureza
avulso militante
é ter-se no comício
da matéria como tanto
coisa de assim viver
abraçado a si mesmo
vivente de cada átomo
misturado no mundo
a matéria inventa a vida
como jeito de si em tudo
o trem
balançava o coração
no compasso exato
de todos os trilhos
dos abraços
o menino, abraçado,
respirava a vida
como fora pulmão
cheio de risos
brincadeira de maquinista
manobrando o infinito
o rio do menino
dado à corrente
mostrava pela vida
sua consequência
nada-lo era passear
o vão do pensamento
nos mares que imitava
os tsunamis da gente
nada do que era tanto
viveu impunemente
no colo da memória
é sempre um repente
os contrários
na verdade
habitam tantos
a unidade
como fora exata
a necessidade
a matéria
em distrato curso
dá-se infinita
pelo futuro
o tempo é só o verbo
do seu íntimo discurso
na salto
em rápida cena
o gato cometeu-se
co-autor do poema
letras nas unhas
felina investida
riscaram estrofes
mal definidas
o poeta rindo
co-autor de fato
tentou traduzir
os felinos traços
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.