Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
depois da saudade
choro cada riso
como se a vida doesse
nos sentidos
a alegria
meio entristecida
deixa apenas rastros
embrulhada na vida
nessa dialética
assim intransigente
chega a doer saudade
no riso inadimplente
soldado da vida
dou-me à continência
de estar nos sentidos
marchando a consciência
ordem unida
humano exercício
a vida inventa
todos seus indícios
quartel de mim
ainda inconstruído
dou-me à guarnição
de sentinela coletivo
a onda voluptuosa
deu-se à liberdade
de transformar o mar
em mero detalhe
essa ânsia de molhar
os ombros da tarde
a praia conformada
intensamente reprimida
jogava no jovem
as ondas da vida
cachoeira do tempo
quase infinita
o tempo
jogando a manhã
espalha as horas
como semente
assuntando a tarde
que pressente
a noite, distraída,
inventa as luas
que consiga
o homem
nessa dúvida
anoitece em si
como desculpa
o verbo no tempo
como um salto
tremula a garganta
fora do fato
invólucro humano
súbito da matéria
dá-se ao discurso
como estratégia
fórmula exata
de deixar-se humano
e dedilhar nas letras
a coletiva trama
tudo do verbo é poema
nas costas do mundo
como fardo complacente
da construção de tudo
humano
tem-se à idéia
como nave exata
em sua teia
esse desejo lúdico
de ter-se matéria
em suas veias
a sinapse
íntima avenida
lança a razão
no colo da vida
o mundo dá-se vínculo
em poses construídas
a vida
rio urgente
corre nas margens
do que sente
derrama-la
nas enchentes
singra-lá no outro
impunemente
o mundo
largo destino
é o exato mar
posto no tempo
bebo o universo
no cálice da vida
como um astronauta
em terra firme
construindo as naves
dos voos que consiga
íntimo do tempo
dou-me à deriva
como bólide humano
em sinapses construídas
a efervescência do cosmos
é quase minha lida
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.