Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
a madrugada
piscando os olhos
espreguiçava o tempo
nos seu ócio
a rua
levemente aquecida
abraçava o sol
tangendo a vida
o jovem militante
com o sonho nos dentes
jogava nos passos
um corpo sonolento
trilhos humanos
a vontade usina
todos os trens
postos na vida
ferrovia etérea
lúdica jornada
o homem em si
como estrada
vagões do tempo
acumulados
rasgam o mundo
em seus contratos
o poema
concreto
dá-se edifício
quando verbo
apalavra sonhos
posta alicerces
em vidas fingidas
pelos versos
como se fora teatro
em todos os palcos
postos no poeta
em seu encalço
não haverá manhãs
com sóis embutidos
anoitecendo a vida
pelos sentidos
o tempo
como espaço farto
dar-se-á ao mundo
em cada ato
o homem
quase já construído
inventará motivos
de viver o infinito
ao caminho
não basta o passo
seu exato curso
é a vontade de traça-lo
andar é só um modo
de não voa-lo
o pensamento
dado a tanto
é só a matéria
com suas asas
o intenso trafegar
da humana saga
como tanto
dê-se o motivo
de estar humano
em cada riso
ou ter-se lágrima
quando vivo
viver é uso largo
vasta compostura
nos degraus coletivos
da humana luta
aos olhos do menino
a vida era um brinquedo
botões da vontade
criavam o enredo
nas avenidas do tempo
tangendo o medo
o mundo
inteiramente dominado
pulsava no menino
onírico salto
tudo da vida
era um regaço
aos 73
dou-me ao abuso
de traçar o tempo
a longo curso
o sonho ainda corre
nos rios de mim
nos mares de todos
é alinha-lo na luta
joga-lo no mundo
das veias do passado
nos ombros do futuro
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.