Lista de Poemas

Da memória em obras

 

a memória

constrói a vida

mina humana

consumida

veio da origem

lava do futuro

tecida no mundo

em cada jornada

deixa-se pela história

como caminhada

a memória pulsa o homem

como intensa arma

desse viver da matéria

nos passos que traça

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Reminiscência LXIII

 

na onda

o mar discursava

todos os mares

postos na alma

boiando

jangada humana

o menino sonhava

no vão das ondas

o mundo infante

apenas cogitava

arquivar a paisagem

sem palavras

8

Íntima pirataria

 

em alheios mares,

íntimo pirata,

o homem entorna

ao pilhar a alma

deixa pela vontade

o esquecimento

de que pode ter futuro

quando dentro de si

há vida em curso

deixá-la no tempo

é só jogá-la na luta

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vivências

 

fac-símile do sonho

a vida transita

todas as frases

em que viva

as que ainda ressoam

as que não ditas

concertando um tempo

assim avulso

o sonho brinca de vida

fingindo o futuro

nada do tanto humano

transgride seu curso

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vagar temporal

 

quando a noite

brinca de manhã

lambendo a madrugada

tudo que é tempo

da-se aos olhos

em mansa algazarra

é como se o infinito

quisesse dar as caras

e jogar-se no mundo

nessa intensa fala

discurso quantico da matéria

flertando sua própria alma

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Sincopado samba

 

quando chegar o tempo

de desfilar na história

todos serão um só

no aconchego da hora

haverá um samba

levemente sincopado

enchendo as avenidas

de todos seus compassos

querendo encher a vida

derramado no asfalto

é que o samba

quando chega pelo corpo

é como se fora o vento

tangendo a vida no povo

6

Deflagrando a vida

 

e quando for a manhã

um tempo resumido

entre deixar-se no sonho

ou adonar-se da vida

pretenda a vida sonhar

manipulando os sentidos

como se fora do homem

manobrar o infinito

coisa de ser matéria

inventando seu rito

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Do amor reincidente

 

o amor reincidente

teima em brandir

o que se sente

tristeza que sorri

a alegria corrente

é como se o futuro

pulsasse o presente

fizesse do passado

uma imensa corrente

nas curvas do dia

ainda envolto do tempo

o homem apenas adormece

os infinitos da ausência

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desembestada trama

 

desembestada,

a vida entrelaça

a nordestina trama

e as curvas da alma

o afã vivente

matéria em chamas

borda a razão

em suas sombras

no vão da vontade

como um discurso

a vida deixa-se estar

apêndice do futuro

7

Certidão vital

 

lavre-se a vida

como fato

quando contê-la

como instaurada

seja vivê-la coletiva

mesmo privada

na certidão

de tais apelos

lavre-se o sonho

como só enredo

da privada condição

do coletivo segredo

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.