Lista de Poemas

Da coletiva unidade

 

militante das ruas

móvel coletivo

dou-me à razão

de estar comigo

tudo que é tempo

corre indivíduo

como se fora em mim

súbito vestígio

de que sou apenas tanto

quando coletivo

ao homem cabe traduzir-se

na parcimônia do seu infinito

10

Das missivas do infinito

 

a consciência,

caixa postal do infinito,

recebe o mundo

como exercício

tramas do tempo

em claro rito

dos laivos da matéria

em seus indícios

deixa-se no homem

como frontispício

das curvas do sonho

em seus íntimos vestígios

52

Saudade consumida

 

largo em mim

lascas do tempo

nas lonjuras próximas

do pensamento

cheio de tanto

a saudade resiste

em ser apenas lapsos

postos em cabides

o armário da vida

abarrotado

dá-se à fantasia

de viver o passado

6

Mudança contratada

 

a mudança

é jeito inato

que a matéria dá em si

como contrato

marca do infinito

de seus tratos

dada a seu curso

nos desvãos da vida

joga-se futura

tempo consentido

das humanas razões

que traz consigo

63

Vindouro curso

 

e fosse quando

um tempo avulso

pudesse vestir-se

quase do futuro

braço das horas

vontade a pulso

e fosse quando

um tempo no espaço

gravasse o povo

em cada laço

e pousasse na vida

todos os abraços

6

Humana insistência

 

a memória

delação premiada

joga no tempo

os ofícios da alma

construção da matéria

que a vida declara.

navega-la

em trânsito lúdico

é concebê-la mar

de intenso curso

tudo que é passado

atravessa seu futuro

7

Verbos indormidos

 

o poema

tange a palavra

alicerce retrátil

do poeta e sua fala

na emoção,

verbo movediço,

mergulha o poeta

em seu ofício

no pantanal do verso

a insônia nada

todos os verbos

no pântano da alma

20

Pássara manhã em vaga

 

o pássaro

solfejando a vida

tecia a manhã

quase distraído

voando o tempo

em natural ofício

tangia o homem

no vão das asas

jogando lembranças

em suas páginas

as escritas nos sentidos

as arquivadas na alma

51

Flagrante curso

 

o vaqueiro

em suas investidas

cavalga em si, como gado,

os rastros da vida

a caatinga

afagando o tempo

deflagra a seca

pelo pensamento

a manada dos homens

conjuga seus viventes

nos rastros confirmados

do que nem sente

60

Da profana origem

 

terçado o tempo

vasto exercício

na africana paisagem

prolatou-se o rito

a matéria em transe

caindo em si

deu-se humana ao infinito

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.