Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
o tempo
não dirá do mundo
sua trajetória
no espaço de tudo
apenas restará
como apenso
nos gestos do povo
em seus lamentos
aprontando a história
enfim dar-se-á estrada
das lutas tangidas
na humana saga
o buraco negro
ainda adormecido
no colo do universo
tenta abraçar o infinito
a matéria
mágica de tanto
diz-se negação
de seus rompantes
dá-se contrária
estelar, supermassiva,
como fora ilusão
dos fóruns da vida
tudo de forjar o mundo
é a usina de tudo
o sentimento
mar humano
dá-se em ondas
quando militante
dói a saudade
trafega o riso
na necessidade intrínseca
de viver o infinito
o homem
grávido navegante
marinheiro de si
respira o horizonte
o sonho
não habita telas
seu diagrama
é a vida
tudo que lhe trama
é a humana guerra
por sonha-lo livre
na vontade de vivê-lo
nos infinitos da vida
o sonho é enfeite
de tudo que se viva
quando falto em mim
largo-me nos outros
no curso incontido
de estar em trânsito
âmbito humano
de viver aos tantos
como fora multidão
militando o corpo
indivíduo e único
multiplico-me aos poucos
a vida é só a vazão
da razão de sermos outro
condomínio humano
matéria em luta
a terra entoa a crise
das feridas que pulsa
nas veias do tempo
trânsfuga da vida
dá-se à constância
de ter-se incontida
o universo ainda ferido
constrói em si
a permanência do infinito
a palavra
resvala
todos os verbos
em que cala
dá-se a entrelinha
como lavra
tentativa humana
de burla-la
o mundo
dado a ouvidos
entrelaça suas letras
pelos sentidos
a palavra como arma
é movediça
quando seja o tempo
apenas a medida
balaustrada dos homens
na brincadeira da vida
construído engenho
da matéria em curso
ruminando as vielas
postas no futuro
universo largado
na brecha dos olhos
seara do cérebro
nos olhos do todos
a onda voluptuosa
deu-se à liberdade
de transformar o mar
em mero detalhe
essa ânsia de molhar
os ombros da tarde
a praia conformada
intensamente reprimida
jogava no jovem
as ondas da vida
cachoeira do tempo
quase infinita
no tranco da palavra
ritmo fortuito
o poema navega
os ares do discurso
rumina o mundo
dado a repentes
entrelinhas de verbos
substantiva nascente
dos ombros do poeta
como escopeta
joga-se manifesto
embutido nas letras
tudo que o conjuga
é um verbo contrito
das léguas palmilhadas
do poeta consigo
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.