Lista de Poemas

Fábula rasante

 

a fábula, na prática,

é encontrar o ritmo

lúdico da alma

joga-la no mundo,

única, como arma

e deixar-se outro

como norma exata

a fábula, como curso,

é um futuro construído

que o homem leva nas mãos

vivendo o infinito

101

baile da vida

 

quando a vida

fosse tanta

pudesse escorrer

pela garganta

cair nos braços

como dança

gesto na história

humana trança

no construir assim

todas as vias

em que o povo dance

16

Legítima defesa

 

em legítima defesa

a vida pulsa

todas as vias

de tornar-se luta

a que traz no peito

a que jaz na culpa

em legítima defesa

a vida recorre

de todas as mortes

em que morre

102

Da universitária integral em cena

 

o infinito

era um oito deitado

esperando que a matéria

se desse ao lapso

de alem de símbolo

demonstrasse ser fato

no caderno

em matematica frase

a integral fingia

resquicios da verdade

o tempo era só espaço

em que cabia a tarde

18

REMINISCÊNCIA LXII

 

na cachoeira

o rio gargalhava

todas as razões

de suas águas

líquido abraço

da matéria em tanto

como se fora passo

da terra em dança

o menino

ouvindo o mundo

achava que o sonho

era o tempo de tudo

7

Das mortes vividas

 

quando morro

ainda vivo

todas as mortes

em que me tive

as que morri sozinho

as que vivi coletivo

quando morro

apenas sobrevivo

todas as contradições

das vias do infinito

nada do que morro

é apenas grito

26

Teorema privado

 

meu teorema

é estar em curso

com os braços postos

no corrimão do futuro

rês humana

matéria infinda

dou-me ao tempo

no vão da vida

cumpro o espaço

de ter-me coletivo

alinhavo da matéria

no vestido do infinito

7

Alheios passos

 

fujo de mim

quando, no povo,

milito o tempo

como outro

rasgos do desejo

passeata humana

a matéria dá-se à razão

privada militância

o mundo dá-se aos homens

nos passos que consigam

derramados no tempo

como intensa guerrilha

22

Mais-valia verbal

 

o poema amplifica

a mais-valia verbal

em que transita

jogo de cena

teatro da palavra

o verso tensiona

o curso da seara

o poeta, explorado,

tange o verbo na mente

como humano arado

leirões de si consumidos

luta de classes privada

21

Delações da vida

 

e por esse olhar o mundo

pelas frestas dos sentidos

dê-se a matéria farta

como urgente tentativa

construção de si como tanta

na barcaça da vida

navegue o braço dos homens

pedreiros do futuro

nos mares da vontade

nas ondas do seu curso

a história é só o remo

das humanas atitudes

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.