Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
o livro da memória
rito desatado
entorna a vida
em suas páginas
as escritas no tempo
as grafadas na alma
vive-las avulsas
vistas na vontade
consome desejos
trama saudades
a memória transborda o tempo
de tudo em que cabe
o sapateiro
martelando o tempo
grampeava na alma
o pensamento
no sapato estranho
pensado sob medida
todas as solas do mundo
pisavam sua vida
o sapateiro Chico
no calor da lida
deu-se ao futuro
como comunista
quando a dor estiver revolta
no colo exato dos sentidos
dê-se à vida o transcurso
das larguras do infinito
como se fora estrada
que contivesse no grito
sempre a melhor risada
do futuro consentido
é que a dor é só trajeto
da construção permitida
na humana obra do tempo
em que seja proibida
por estarem todos conjugados
nas passeatas da vida
o lapso de tê-la embutida
no imo largo do peito
é só a perspectiva
de cada humano trejeito
de lançar o tempo na vida
como se fosse um jeito
e emoldurar a vida
com todos seus efeitos
os construídos na carne
os definidos no tempo
Severino vigia humano
ainda assim vacilante
como se a vida doesse
em tê-la militante
os raiares do dia
inundavam a cidade
quando pôs-se andante
nas ruas da cidade
deu-se assim ao mundo
nessa ginástica renhida
de ter como carpados
todos os saltos da vida
no Teatro Bolshoi
como um comício
as bailarinas discursavam
pedaços do infinito
o palco era apenas
um universo contraído
nos passos alvoroçados
que afagavam os sentidos
pássaros humanos
voavam o tempo
como um sonho acordado
pelo pensamento
palco de mim
dou-me ao ato
de encenar no peito
as coxias em que basto
todo meu roteiro
é o inteiro relato
de quem já produziu
todos seus abraços
o teatro da vida
ainda combalido
ensaia os futuros
que cabem nos sentidos
meus ancestrais
habitam lúdicos
todas as razões
do que sou público
desde as áfricas
barcas da origem
até os futuros
que já me dizem
todos meus eus
adredemente reunidos
dão-se à brincadeira humana
de rodear os infinitos
a tarrafa
linha bordada
abraçava o açude
e a madrugada
na balsa
ainda sonolento
o menino boiava
no jeito do tempo
a vida sonhava
como brincadeira
no colo das águas
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.