Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
quando a dor estiver revolta
no colo exato dos sentidos
dê-se à vida o transcurso
das larguras do infinito
como se fora estrada
que contivesse no grito
sempre a melhor risada
do futuro consentido
é que a dor é só trajeto
da construção permitida
na humana obra do tempo
em que seja proibida
por estarem todos conjugados
nas passeatas da vida
o lapso de tê-la embutida
no imo largo do peito
é só a perspectiva
de cada humano trejeito
de lançar o tempo na vida
como se fosse um jeito
e emoldurar a vida
com todos seus efeitos
os construídos na carne
os definidos no tempo
a natureza
pisca a manhã
volúpia pictórica
de quem pincela
o tempo pela história
ainda em sono
o homem acorda
com os pincéis do sonho
postos na memória
a tela dos olhos
ensaia combalida
a paisagem de si
pintada na vida
sol na algibeira,
como um recado,
o céu avisa o povo
de seus fardos
dos olhos só escapam
restos da madrugada
e a leve impressão
de que a paz tarda
a vida, como detalhe,
apenas transcorre
como um tempo baldio
enquanto morre
a professora
no meio da sala
conduzia os olhos
nas palavras
o menino
preso na mágica
sonhava o mundo
quase astronauta
nas naves que via
das palavras voantes
a professora parecia
uma estrela brilhante
a lua, sentinela,
dá-se à guarita
vigiando o cosmos
em suas trilhas
o homem
à sua vista
traça futuros
no vão da vida
satélite humano
o sonho cogita
deixar-se sentinela
dos tempos que decida
assim que tanto
fosse a madrugada
um tempo mascarado
de noites derramadas
como se fossem pelas horas
pedaços de uma fala
um espaço inventado
nos passos das calçadas
e os homens
queiram bolinar o tempo
lúcidos e desgovernados
nos ombros da vida
quando fosse tanta
essa vontade inata
deixar-se ancestral
no vão da prática
e construir futuro
todos os passados
como roldão de todos
na concisão dos fatos
quando fosse a vida
ávida sanguessuga
revolvendo grávida
os desvãos da culpa
pudesse o homem viver
todos os seus frutos
como árvore infinda
da humana luta
o coqueiro
debruçado nas ondas
afagava o mar
na sua sombra
a jangada
acenando a vela
bordava a paisagem
em sua tela
gastando os olhos,
o menino, rindo,
despejava alegria
sentado no infinito
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.