Lista de Poemas

Tráfego humano

 

dou-me ancestral

em cada gesto

herança de mim

quando me invento

linhas humanas

do largo testamento

navego humano

o mar da vida

como barco alheio

em que me digo

ondas que abraço

no trânsito do infinito

47

Reminiscência LVI

 

o riacho

cochichava

a voz da natureza

pelas águas

o menino

avistando o tempo

jogava os olhos

no pensamento

a paisagem

como nave fugitiva

voava o menino

nos sonhos da vida

27

Dos enredos da vontade

 

ao redor de mim
como satélite 
o infinito rumina
a saga da matéria 
gestos plurais
no vão da terra
o tempo
em sua rede
discursa o espaço
em seus enredos
a vontade tenta pulsar
no homem
a razão de vivê-los

       

41

Trânsito humano

 

estou em mim

nesse esforço

quando me deixo

para estar no outro

a conflagração

do trânsito coletivo

é ação unânime

da razão e dos sentidos

esse deixar-se tanto

é estar em si

como pedaço do infinito

26

Onírica refrega

 

nas entrelinhas

o sonho divisa

desejos transeuntes

postos à deriva

dá-los ao mundo

rastros de liberdade

dize-los nos braços

discurso da vontade

os desejos vigem no tempo

como sonho embrulhado

o tanto de cabe-los livres

é o jeito de sonha-los

19

Das teias vigentes

 

o grito do mundo

à espreita do tempo

dá-se à construção

como lúdico invento

razão dos braços

teia da vida

aranha pública

ainda não tecida

a oralidade onírica

vaza no discurso

vontade composta

das teias do mundo

77

Degraus da vida

 

campo de batalha

a razão avança

trincheira humana

da matéria em dança

projétil da vontade

chama dos braços

na fala dos atos

sonho transposto

humano alvoroço dos fatos

a vida vaga inteira

aos pedaços

8

Golondrina alma

 

sin embargo

hay que tener el alma

como arma

y jugarla golondrina

en las palabras

el poema es solo un vuelo

suelto de los sentidos

en busca de sus aires

15

rasgos da humana lida

 

quando fosse riso

a vida bastaria

nos metros do tempo

em que se media

quando fosse triste

a vida restasse

nos risos arquivados

nas rugas que montasse

nessa romaria

de neurônios abraçados

a vida permaneça humana

enquanto coletiva baste

65

Reminiscência LV

 

o tempo

cavalgando a madrugada

jogava restos da noite

pelas calçadas

Recife

ainda adormecida

ouvia já a manhã

nas avenidas

o jovem militante

tarefa cumprida

tangia os passos

pelas certezas da vida

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.