Lista de Poemas

Das virtuais andanças

 

virtual

o poema enquadra

o poeta e as palavras

nas telas da alma

metaverso

de humana lavra

o verbo dá-se a tanto

por quase nada

enfeitar a vida parece

sinapse desgarrada

solilóquio do homem

embrulhado na palavra

118

anzóis verbais

 

o poema

alvoroçado

deixa o poeta

nos seus rastros

fisga o pensamento

anzol imaginário

nas letras do tempo

com seus laços

o poeta

vítima do verbo

nada os mares

do seu cérebro

7

Exílio devassado

 

do meu exílio

volto armado

de todos os eus

em que me largo

a fuga no tempo

quando exilado

apenas resvala

no imo da vontade

o exílio é só um modo

de ter-me revoltado

nas guerrilhas da vida

nos sonhos que guardo

27

Cênicos dramas

 

pela rua

a fome gravita

e vige crua

no que consome

tripas e sonhos

vias do homem

ainda vida encena

em falso ato

a cena capital

do que lhe causa

o teatro do tempo

navega a matéria

como arma

7

Reminiscência LII

 

em cada acorde

um som subentendido

ajustava a canção

no colo dos sentidos

como se fora arpejo

das cordas do infinito

o jovem

regia na alma

a sinfonia dos sentidos

6

Da humana viga

 

meu rumo

é estar em riste

apontando a matéria

em que existo

laivo humano

de átomos e desejos

curso de mim

como enredo

a volúpia de ser

comício coletivo

palavra de ordem

do partido da vida

129

Do nodal conluio

 

ponto nodal

do que se viva

guardem-se os laços

postos na vida

os que privados fluam

da saga coletiva

ou que estejam dados

pelo indivíduo

no estar laçado no tempo

fluxo intenso da matéria

nas bordas do infinito

22

REMINISCÊNCIA LIV

 

a lua, cheia de si,

nave desgarrada,

escorre o jeito da noite

no vão dos olhares

os raios da vida

em seu instinto

tentam medir as veias

dos rastros do infinito

o tempo percorrido

embrulhado na memória

desenrola os sonhos

salpicando a história

69

Reminiscência LIII

 

o vento

beliscando o tempo

arrastava a vida

pelo pensamento

o sonho

ainda dormindo

tentava acordar

o sono do menino

a noite

ainda entardecida

esperava anoitecendo

os sonhos da vida

18

Saudade armada

 

a saudade dói

à feição de arma

dardos da memória

cravados na alma

laivos da história

alegria ensimesmada

tudo que era tanto

da-se a um nada

cheio de infinitos

grávido de palavras

51

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.