Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
dou-me à razão
com a volúpia
de quem garimpa
a história
dos veios da luta
sindicância inata
de quem, humano,
resgata em si
o inventar dos anos
e a exata compostura
de quem tenta trancar
as portas da culpa
o poeta
larga a palavra
ajuste e lavra
das armas da alma
largo
o verbo alaga
todos os sertões
em sua lavra
o poeta
inundado
dá-se à fruição
de todo seu nado
meu domicílio
é a vida
e todas as razões
que a admitam
as que me inventem
as que eu persiga
a vontade
é só o arpão
de atiçar a briga
o vínculo de tanto
é a trança coletiva
jogada nas ruas
nos passos que diga
Severino vigia humano
ainda assim vacilante
como se a vida doesse
em tê-la militante
os raiares do dia
inundavam a cidade
quando pôs-se andante
nas ruas da cidade
deu-se assim ao mundo
nessa ginástica renhida
de ter como carpados
todos os saltos da vida
o livro da memória
rito desatado
entorna a vida
em suas páginas
as escritas no tempo
as grafadas na alma
vive-las avulsas
vistas na vontade
consome desejos
trama saudades
a memória transborda o tempo
de tudo em que cabe
meus ancestrais
habitam lúdicos
todas as razões
do que sou público
desde as áfricas
barcas da origem
até os futuros
que já me dizem
todos meus eus
adredemente reunidos
dão-se à brincadeira humana
de rodear os infinitos
a tarrafa
linha bordada
abraçava o açude
e a madrugada
na balsa
ainda sonolento
o menino boiava
no jeito do tempo
a vida sonhava
como brincadeira
no colo das águas
a contradição
é apenas jeito
que a matéria dá em si
como projeto
esse parecer-se em guerra
numa paz manifesta
tudo que a contrai
expande
tudo do perto
dá-se longe
a contradição é reflexo
do infinito que tange
e no que fora o tempo
um gesto consentido
que a matéria dá em si
como forma de interstício
de medir a eternidade
em pedaços do infinito
e no que fora o espaço
um tempo presumido
de arrumar a matéria
pelo vão dos sentidos
aqueles dados aos átomos
os postos no indivíduo
nessa faina engenhosa
que a consciência decida
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.