Lista de Poemas

Guevara ainda sempre

 

cada vez mais,

a cada outubro,

Guevara presente

habita o mundo

é que a vida

posta em jogo

transborda sempre

o tempo do povo

40

Indivídua cena

 

meu dogma

é viver o riso,

mesmo na tristeza,

quando coletivo

a senda privada

resta presumida

instância de todos

quando consentida

deixar-se no mundo

generalizar a vida

é substrato vivente

do lapso indivíduo

149

Reminiscência XLIX

 

o menino tinha no rio

um mar transeunte

na estrada dos sonhos

como latente navegante

as águas fingiam

edredons urgentes

abraçando a emoção

pela corrente

no colo do tempo

o menino, em si vagando,

inventava o mundo

e vigia o privado oceano

68

Das construções relativas

 

à vontade

oficina consentida

de-se a construção

das reticências da vida

joga-la nos braços

sonho à deriva

arquiteta de fatos

conjuração desmedida

metragem toda dos homens

conjugados nas avenidas

83

Da farsa das ogivas

 

a bomba

na sua ogiva

chafurda o capital

suas premissas

farsa monetária

adredemente explosiva

pólvora das bolsas

de valores e divisas

arranjo capital

da farsa capitalista

8

Da praça em rasgos

 

a praça

como lógica

urde-se trama

da história

veia do povo

finge-se rua

derrame de passos

insumo da luta

a praça

quando comício

larga-se história

como indício

57

Da humana campanha

 

a vida

é um comício

pelo vão da alma

no palanque do corpo

como uma fanfarra

as idéias gritam

à procura da fala

ao homem

como arma

cabe organizar

a passeata

7

da vastidão das ruas

 

tenha-se a vida

como ofício

fala da matéria

em traduzir-se

degraus do homem

com o sonho em riste

tenha-se a vida

como invólucro da luta

do povo em disputa

tudo que a tenha tanta

plante o tempo nas ruas

7

Salto em lembrança

 

a saudade

é um tempo insubmisso

passado dá-se a presente

com ares de infinito

desconjunta o futuro

rasgo indeciso

em querer-se passado

quase vitalício

a vida tremula um tempo

inteiramente fictício

64

Provecta andança

 

envelheço

todas as juventudes

que me cabem

as que venham do tempo

as vindas da vontade

a ciranda dos anos

quando navegados

apenas incorporam

as infâncias que sabem

6

Comentários (10)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.