Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
na salto
em rápida cena
o gato cometeu-se
co-autor do poema
letras nas unhas
felina investida
riscaram estrofes
mal definidas
o poeta rindo
co-autor de fato
tentou traduzir
os felinos traços
a saudade
subverte as horas
tudo que sorri
ainda chora
o gosto da ausência
arranha a memória
como fora espelho
contando a história
a saudade subversiva
desfalca o tempo na vida
a dúvida
verdade avulsa
dá-se à incerteza
em agnóstica culpa
a matéria treinando
suas desculpas
nas entrelinhas
a dúvida introjeta
um jeito futuro
de quem testa
a verdade é uma dúvida
em cada tempo
até que esteja grávida
de outros manifestos
a memória
constrói a vida
mina humana
consumida
veio da origem
larva do futuro
tecida no mundo
em cada jornada
deixa-se pela história
como caminhada
a memória pulsa o homem
como intensa arma
desse viver da matéria
nos passos que traça
sem fronteiras
o tempo cursa
os futuros que atrasa
os passados que futura
a esperança
desejo das horas
de pousar a vontade
no colo da história
a saudade
é só retórica
de espichar o tempo
na memória
a consciência,
caixa postal do infinito,
recebe o mundo
como exercício
tramas do tempo
em claro rito
dos laivos da matéria
em seus indícios
deixa-se no homem
como frontispício
das curvas do sonho
em seus íntimos vestígios
quando a noite
brinca de manhã
lambendo a madrugada
tudo que é tempo
da-se aos olhos
em mansa algazarra
é como se o infinito
quisesse dar as caras
e jogar-se no mundo
nessa intensa fala
discurso quantico da matéria
flertando sua própria alma
desembestada,
a vida entrelaça
a nordestina trama
e as curvas da alma
o afã vivente
matéria em chamas
borda a razão
em suas sombras
no vão da vontade
como um discurso
a vida deixa-se estar
apêndice do futuro
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.