Lista de Poemas

Da conflagração da paz

 

a luta

assim aos poucos

vai construindo

os modos do povo

trejeito histórico

da coletiva sina

de abraçar o futuro

nos braços da vida

a luta

apenas grita

a vontade pacífica

do infinito

113

Volitiva jornada

 

a vontade

bastião da vida

basta-se tanta

quando consentida

nos veios do mundo

na saga coletiva

dar-se aos saltos

assim permitidos

abraçados à matéria

em seu curso infinito

a vida é o privilégio

de navegar esse rito

113

Vívida entrância

 

a vida

não se basta

é preciso vive-la

em passeatas

os andares pensantes

os pensares da prática

nessa dialética urgente

que os contrários se abraçam

a vida é um grávido comício

da matéria e suas táticas

7

Visagens

 

no colo do verso,

ávida, a palavra

finge no poeta

rastros da alma

pisadas consentidas

no palco da memória

a vida dá-se verbo

teatro da fala

atravessada no tempo

como lúdica arma

24

Lembranças temporais

 

a saudade

é só um tempo

do passado

em que se cabe

voos do futuro

pela vontade

nos braços da vida

como nave

pulsar o presente

em memória exata

do tempo arquivado

nas brechas da alma

82

Poema em tráfego errante

 

alvoroço verbal

o poema transita

no beco do poeta

as ruas que grita

palavras calçadas

calcadas nas pistas

estradas flutuantes

nas costas do dia

veias recorrentes

de suas avenidas

as que teimam o verbo

as que sonham a vida

60

Do nascer em comento

 

eu vim de mim

como invento

que todos criaram

pelo tempo

átomo militante

matéria em pensamento

eu vim de mim

assim urgente

com o povo no peito

e a vida nos dentes

6

Tempo em rito gestante

 

forme-se o rito

exato distrato

entrega do mundo

às vias de fato

vigência humana

messe avulsa

das braçadas trançadas

nas vagas da luta

grávido ritmo

da gestão de tudo

construção do tempo

escoicear do futuro

15

Ode a Maya Plisetskaia

 

Maya Plisetskaia

discursa sem verbo

sua avulsa verve

são apenas gestos

e uma mania imensa

de inventar universos

os que despeja no palco

os que vigem em manifesto

nas eternidades repentinas

das coxias do cérebro

26

Do poema em cena

 

o poema

talvez não caiba

nas brechas doídas

no colo da alma

como discurso

planta a palavra

no invólucro humano

em que se larga

o poema é placebo

o poeta seu escravo

28

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.