Lista de Poemas

Reminiscência XLVI

 

a bailarina

boiava no palco

nave onírica

humano dardo

o infinito

encabulado

dava-se contrito

em cada salto

o homem

media nos olhos

os vários infinitos

que mirava

9

Reminiscência XLVII

 

em Copacabana

pela calçada

o menino vigiava

as madrugadas

a que o tempo tangia

a que o sonho armava

os adultos

em caminhada

não percebiam que o tempo

também sonhava

12

Sincronia

 

assíncrona

a vontade, às vezes,

foge do mundo

como medo

a largura do tempo

dá-se à vida

como arma inepta

esquecida

a sincronia da vontade

é sempre construída

7

Ainda do outro com eu navegante


dê-se em mim como privada

a alheia senda do outro

essa necessidade proprietária

da matéria em alvoroço

construção libertária

de quem navega seu esforço

como um barco desses mares

em que a vida dá-se aos poucos


 

e por tanta resumida

nas infinitas demarches

de-se à dialética

de todos seus olhares

como a vida a transitar

como coletiva face

de todos que a integram

na material paisagem


 

esse pertencer perdulário

de quem se dá à verdade

de que todos sou eu

diagramado na tarde

em que a estrada da vida

percorre a liberdade


 

e assim dado à multitude

como grão coletivo

escreva nas atitudes

a cerimônia do rito

de quem escreve em si

a rubrica do infinito

106

Horizontes

 

o horizonte

biombo do mundo

belisca o futuro

nos rumos de tudo

o que vive na mente

o que é fato em curso

todo horizonte

é lógico discurso

da vigência humana

nas andanças do mundo

116

Vagar nos mares

 

varar o mundo

virar o mundo

a luta é a vida

vaga de tudo

saltemos as ondas

dos mares intrusos

construção intensa

das pranchas do povo

53

Das estradas de tanto

 

os caminhos postos

estejam sob os passos

de quantas razões

construam os atos

a vontade

na trilha de tanto

esteja perseguida

nas curvas e planos

a construção de tudo

forja da matéria

são degraus intensos

da humana história

7

Humano concerto

 

solista privado

no recital da vida

dou-me ao arranjo

em partitura resumida

esse abraçar-se matéria

no concerto coletivo

tudo que me tanto seja

nas notas que declama

são apenas os acordes

da orquestra humana

45

Da vida em auto flagrante



eu só sou

se puder não ser-me

é que só cabe em mim

a possibilidade de fazer-me

nada do que é absoluto

permite-me viver-me

na relatividade intrínseca

dos meus medos.

19

Feituras verbais

 

a cabeça do poeta

como moenda

usina os verbos

criando cenas

as palavras

drones semânticos

assuntam a vida

em largo trânsito

o poema

já amanhecido

esquece o poeta

em seus sentidos

12

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.