Lista de Poemas
Reminiscência XLVI
a bailarina
boiava no palco
nave onírica
humano dardo
o infinito
encabulado
dava-se contrito
em cada salto
o homem
media nos olhos
os vários infinitos
que mirava
Reminiscência XLVII
em Copacabana
pela calçada
o menino vigiava
as madrugadas
a que o tempo tangia
a que o sonho armava
os adultos
em caminhada
não percebiam que o tempo
também sonhava
Sincronia
assíncrona
a vontade, às vezes,
foge do mundo
como medo
a largura do tempo
dá-se à vida
como arma inepta
esquecida
a sincronia da vontade
é sempre construída
Ainda do outro com eu navegante
dê-se em mim como privada
a alheia senda do outro
essa necessidade proprietária
da matéria em alvoroço
construção libertária
de quem navega seu esforço
como um barco desses mares
em que a vida dá-se aos poucos
e por tanta resumida
nas infinitas demarches
de-se à dialética
de todos seus olhares
como a vida a transitar
como coletiva face
de todos que a integram
na material paisagem
esse pertencer perdulário
de quem se dá à verdade
de que todos sou eu
diagramado na tarde
em que a estrada da vida
percorre a liberdade
e assim dado à multitude
como grão coletivo
escreva nas atitudes
a cerimônia do rito
de quem escreve em si
a rubrica do infinito
Horizontes
o horizonte
biombo do mundo
belisca o futuro
nos rumos de tudo
o que vive na mente
o que é fato em curso
todo horizonte
é lógico discurso
da vigência humana
nas andanças do mundo
Vagar nos mares
varar o mundo
virar o mundo
a luta é a vida
vaga de tudo
saltemos as ondas
dos mares intrusos
construção intensa
das pranchas do povo
Das estradas de tanto
os caminhos postos
estejam sob os passos
de quantas razões
construam os atos
a vontade
na trilha de tanto
esteja perseguida
nas curvas e planos
a construção de tudo
forja da matéria
são degraus intensos
da humana história
Humano concerto
solista privado
no recital da vida
dou-me ao arranjo
em partitura resumida
esse abraçar-se matéria
no concerto coletivo
tudo que me tanto seja
nas notas que declama
são apenas os acordes
da orquestra humana
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.