Lista de Poemas

Reminiscência XLIV

 

a manhã

entrava no telhado

beliscando os olhos

do menino acordando

o sol

lambendo a paisagem

tentava pelas horas

adiar a tarde

o dia era só um tempo

que o menino arquivava

nos futuros da saudade

8

Vestígios



repito

o tempo me repete

vitalício

nada do que vivo

é vestígio

de que há um tempo

que permito

tudo que me tange

é um tempo fictício

em que distribuo à vida

todos meus indícios

7

Ode aos 62



aos 62

tanjo a vida

na mesma direção

das desmedidas

tudo é tanto

e tão restrito

que me resto na contradição

do que morro e vivo

 

aos 62

meço-me menino

nas léguas de mim

que adivinho

e o riso

é uma bandeira escancarada

nas portas do que digo

 

aos 62

rio pela tarde

o que da manhã

me invade

e nunca que me faço triste

com a certeza

de todas as saudades.

7

Poema em fuga

 

o poema

rente ao verbo

admite as curvas

de suas retas

planta a palavra

em trejeitos

nesgas do poeta

no perímetro do peito

o poema é livre

em cada cela

prisioneiro do mundo

nas grades do poeta

119

Reminiscência XLV

 

a noite

afagava a tarde

trafegando a lua

pelo espaço

o tempo

posto em arquivo

lembrava no sono

seu sorriso

pulsando a vida

o menino adormecido

embrulhava no sonho

o infinito

7

Neural jornada

 

a máquina neural

transborda a vida

lançando a matéria

em investidas

o raso dos fatos

dá-se consentido

inventar a razão

produto coletivo

é só um bordado

que o futuro tramita

172

Trâmite nervoso

 

pensando

milito intensamente

séculos embutidos

na oficina do pensamento

no bailado neuronial

sinapses ao vento

encho-me do futuro

nas entrelinhas do tempo

seleção natural

matéria rompante

o mundo dá-se a mim

como viajante

6

O velho do saco

 

Antônio Serafim

tangia a vida

como uma passeata

silenciosa e invertida

a marcha que habitava

escondia em si a avenida

a cabeça

derreada no ombro

era só a oitiva

dos silêncios do mundo

arquivados na vida

18

Onírico arquivo


futuros

engavetados na memória

sonhos dizem apenas

o óbvio:

 

sonhos são apenas

os tempos que eu posso.

8

Poema militante em decurso de prazo

 

o céu

é sempre do povo

como a praça da revolução

e nem há tempo novo

que se invente em vão

a praça é sempre do povo

como o céu de suas mãos

 

o povo

é sempre da praça

nos céus nublados do não

é como se gente fosse argamassa

de construir amplidão

costurando o peito da massa

nos bordados da razão.

 

gente pulsando

na história e na avenida

é sempre um futuro

atravessado na vida

9

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.