Lista de Poemas
Reminiscência XLIV
a manhã
entrava no telhado
beliscando os olhos
do menino acordando
o sol
lambendo a paisagem
tentava pelas horas
adiar a tarde
o dia era só um tempo
que o menino arquivava
nos futuros da saudade
Vestígios
repito
o tempo me repete
vitalício
nada do que vivo
é vestígio
de que há um tempo
que permito
tudo que me tange
é um tempo fictício
em que distribuo à vida
todos meus indícios
Ode aos 62
aos 62
tanjo a vida
na mesma direção
das desmedidas
tudo é tanto
e tão restrito
que me resto na contradição
do que morro e vivo
aos 62
meço-me menino
nas léguas de mim
que adivinho
e o riso
é uma bandeira escancarada
nas portas do que digo
aos 62
rio pela tarde
o que da manhã
me invade
e nunca que me faço triste
com a certeza
de todas as saudades.
Poema em fuga
o poema
rente ao verbo
admite as curvas
de suas retas
planta a palavra
em trejeitos
nesgas do poeta
no perímetro do peito
o poema é livre
em cada cela
prisioneiro do mundo
nas grades do poeta
Reminiscência XLV
a noite
afagava a tarde
trafegando a lua
pelo espaço
o tempo
posto em arquivo
lembrava no sono
seu sorriso
pulsando a vida
o menino adormecido
embrulhava no sonho
o infinito
Neural jornada
a máquina neural
transborda a vida
lançando a matéria
em investidas
o raso dos fatos
dá-se consentido
inventar a razão
produto coletivo
é só um bordado
que o futuro tramita
Trâmite nervoso
pensando
milito intensamente
séculos embutidos
na oficina do pensamento
no bailado neuronial
sinapses ao vento
encho-me do futuro
nas entrelinhas do tempo
seleção natural
matéria rompante
o mundo dá-se a mim
como viajante
O velho do saco
Antônio Serafim
tangia a vida
como uma passeata
silenciosa e invertida
a marcha que habitava
escondia em si a avenida
a cabeça
derreada no ombro
era só a oitiva
dos silêncios do mundo
arquivados na vida
Onírico arquivo
futuros
engavetados na memória
sonhos dizem apenas
o óbvio:
sonhos são apenas
os tempos que eu posso.
Poema militante em decurso de prazo
o céu
é sempre do povo
como a praça da revolução
e nem há tempo novo
que se invente em vão
a praça é sempre do povo
como o céu de suas mãos
o povo
é sempre da praça
nos céus nublados do não
é como se gente fosse argamassa
de construir amplidão
costurando o peito da massa
nos bordados da razão.
gente pulsando
na história e na avenida
é sempre um futuro
atravessado na vida
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.