Lista de Poemas

Materna

minha mãe

tem caminhos

por onde ando displicente

como se fosse uma romaria

de passados e presentes

jogados no coração

assim tão constantemente

como a razão do amor

que cai dos olhos da gente

7

Desejo em franca estadia



o desejo

não é um jeito

de querer

o que não devo

 

o desejo

é apenas caminho

de espantar o medo

 

o desejo

é a encruzilhada

de todas as veias

de todas as falas

 

o desejo

é transeunte

de ruas escondidas

tudo que lhe tanje

é a vida

 

odesejo

não transige

com a parcimônia

do que se vive

 

o desejo

é quase um salto

na escuridão

dos seus enredos

7

De todos como um

 

é que no abraço

a gente se esquece no outro

como um aviso recorrente

de uma vida que é pouca

pra construir as razões

que nos fazem todos

 

é que no abraço

a gente se infinita

como se outro fosse usina

de construir a vida.

9

da crise e suas conformidades

 

a crise

é apenas um alvoroço

da história

tudo que lhe tange

é resposta

 

o povo é só a chave

de abrir suas portas.

11

Livre tática


A liberdade

é fática

tudo que lhe mede

é a prática

e nem se conta

por unidades

seu corpo é a forma

da variedade

 

A liberdade

é relativa

por ter-se absoluta

pela vida

7

Do riso em mim com mares e correntezas

 

Meu riso

é um jeito

explícito

de ficar comigo

 

é que me consinto

mesmo baldio

atravessar todas as léguas

do que desafio

 

nada como nadar meus mares

nas jangadas do que rio.

14

das lonjuras de ser

 

Na morte

me definitivo

tudo que resta

é coletivo

meu singular

é apenas o que vivo.

 

Eis o artifício da vida

o geral é tão vário

que me infinita.

7

Da latina vocação da liberdade

 

A latina américa

ainda assim inconstruída

pesa todas as pátrias

na pátria intensa da vida

 

o futuro sonha pela tarde

suas ruas mais urgentes

o gosto radical da liberdade

que alinhava o peito dessa gente

 

e nos gestos da história

semeados em suas curvas

o povo abraça a vitória

nos ombros da sua luta.

8

Vivência

empírico

nada é tão lúdico

que me faça viver

aqualquer custo

 

é que viver

menos que um susto

é a travessia de um tempo

a longo curso

 

é construção

de uma praça coletiva

guardada a proporção

dos singulares que se viva

 

empírico

nada é tão lógico

que me faça viver

fora dos ossos

viver é apenas a função

dos verbos que eu possa

7

Das larguras do sonho e seus detalhes I

 

dobro

a manhã

e tardo

 

é que anoiteço

num tempo

único e tão vário

que todos eus sem mim

dão-me ao espaço

em que adormeço unânime

em meus braços.

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.