Lista de Poemas

O sanfoneiro

 

      A Onaldo Queiroga

 

o sanfoneiro

nem pressente

que quando puxa o fole

estica a alma da gente

 

ela sobe no juízo

como um sopro diferente

e se desmancha nos passos

dos vôos todos da gente

 

é como se fora um recado

de todos os ancestrais

escrevendo nesses passos

as palavras de quem jaz

 

é como um grito escondido

nos verbos todos do tudo

construindo os infinitos

que a vida joga no mundo.

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Das andaduras do tempo

 

Diariamente,

morro e vivo,

como quem tece um tempo

de medir o infinito.

7

Das presunções e da vida

 

até que

percebas

que a vida

está em cena

na exata  proporção

do teu problema

 

a verdade é apenas

um jeito presumido

do que se apresenta

 

viver é quase tanto

quanto inventar a cena

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do futuro e das saudades

 

nada do que vivo

sempre morre

guardo em baús

uns futuros enormes

que chegam a fingir saudades

quando, cedo, tardo

é que lhes aturam insones

os tempos em que lhes lavro.

7

do abraço fugitivo

Dos mares que velejo

perdido assim em teu abraço

tolerarei as ondas que não meça

dividirei os tempos que não possa

porque de nada-los a cada passo

deixe-me restar infinito em tua graça

profundamente livre de mim mesmo

do que eu consiga em teu encalço

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das larguras de mim e do futuro

 

lúdico

nada me joga

público

 

andante

de mim

discurso

e súbito

deixo os repentes

em que me culpo

 

sou um barco,

enfim,

de todos os mares

do meu curso

 

o sonho

é só um jeito

em que me uso

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Dos egos e das avenidas

 

É que a vida

posta na avenida

antes de ser minha

é sempre coletiva

as larguras do eu

medem exatamente

onde se souber nos outros

tão completamente

que trazê-los no coração

seja um jeito da gente.

É assim como uma procissão

de tudo que se sente.

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das vielas do futuro

 

assim esquerdo

arremesso

meu coração

dentro do verso

 

como não lutar

adredemente

quando teima a paz

em ser ausente?

 

 

o futuro é sempre

o  tempo

da luta que se tente

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Tudo de mim



único

tudo me define

outro

 

sou,

assim alheio,

tudo

de mim mesmo

e pouco

 

é que me sobra

a ilusão

de parecer-me

em vão

quando não pulsa

na luta

o coração.

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Dos alinhavos da vida

 

que aquilo que alinhavo pela vida

na extensão inteira do seu curso

possa dizer exatamente tanto

quanto de verbo tenha o discurso

 

pois por te-la assim sob medida

em todos os seus vãos desenfreada

admita a hipótese de morrê-la

com a certeza de todas as estradas

 

é que o vão de te-la assim disposta

é um terçar de armas diuturno

em que o braço quase sempre tenta

atravessar o vão do seu discurso

 

e a meta de vivê-la fartamente

nos contornos mais simples da vontade

é quase um exercício dos abraços

nas avenidas do país que se abrace

 

e assim caminhem verbo e vida

pelas estradas grávidas do povo

construindo o futuro que vigia

a plenitude de tudo que é novo.

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.