Lista de Poemas
O sanfoneiro
A Onaldo Queiroga
o sanfoneiro
nem pressente
que quando puxa o fole
estica a alma da gente
ela sobe no juízo
como um sopro diferente
e se desmancha nos passos
dos vôos todos da gente
é como se fora um recado
de todos os ancestrais
escrevendo nesses passos
as palavras de quem jaz
é como um grito escondido
nos verbos todos do tudo
construindo os infinitos
que a vida joga no mundo.
Das presunções e da vida
até que
percebas
que a vida
está em cena
na exata proporção
do teu problema
a verdade é apenas
um jeito presumido
do que se apresenta
viver é quase tanto
quanto inventar a cena
do futuro e das saudades
nada do que vivo
sempre morre
guardo em baús
uns futuros enormes
que chegam a fingir saudades
quando, cedo, tardo
é que lhes aturam insones
os tempos em que lhes lavro.
do abraço fugitivo
Dos mares que velejo
perdido assim em teu abraço
tolerarei as ondas que não meça
dividirei os tempos que não possa
porque de nada-los a cada passo
deixe-me restar infinito em tua graça
profundamente livre de mim mesmo
do que eu consiga em teu encalço
das larguras de mim e do futuro
lúdico
nada me joga
público
andante
de mim
discurso
e súbito
deixo os repentes
em que me culpo
sou um barco,
enfim,
de todos os mares
do meu curso
o sonho
é só um jeito
em que me uso
Dos egos e das avenidas
É que a vida
posta na avenida
antes de ser minha
é sempre coletiva
as larguras do eu
medem exatamente
onde se souber nos outros
tão completamente
que trazê-los no coração
seja um jeito da gente.
É assim como uma procissão
de tudo que se sente.
das vielas do futuro
assim esquerdo
arremesso
meu coração
dentro do verso
como não lutar
adredemente
quando teima a paz
em ser ausente?
o futuro é sempre
o tempo
da luta que se tente
Tudo de mim
único
tudo me define
outro
sou,
assim alheio,
tudo
de mim mesmo
e pouco
é que me sobra
a ilusão
de parecer-me
em vão
quando não pulsa
na luta
o coração.
Dos alinhavos da vida
que aquilo que alinhavo pela vida
na extensão inteira do seu curso
possa dizer exatamente tanto
quanto de verbo tenha o discurso
pois por te-la assim sob medida
em todos os seus vãos desenfreada
admita a hipótese de morrê-la
com a certeza de todas as estradas
é que o vão de te-la assim disposta
é um terçar de armas diuturno
em que o braço quase sempre tenta
atravessar o vão do seu discurso
e a meta de vivê-la fartamente
nos contornos mais simples da vontade
é quase um exercício dos abraços
nas avenidas do país que se abrace
e assim caminhem verbo e vida
pelas estradas grávidas do povo
construindo o futuro que vigia
a plenitude de tudo que é novo.
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.