Lista de Poemas

Das vias e do modo

 

O sonho

é um varal imenso

onde estendo os fatos

no pensamento

 

é como um futuro postado

nos ombros do tempo.

8

Aos tambores da pátria

 

             A Nana Vasconcelos

 

O tambor

talvez não diga

tudo que inventou

nos desvãos da vida

 

mas na sua sina

de tocar  o mundo

resta-lhe a certeza

de se ter em tudo

 

o tambor

impunemente

é um coração itinerante

nos passos da gente

11

Verbo meu em verso latente



meu verso

apenas tenta

derramar nas palavras

minha crença

 

não que o verbo

nas trincheiras da vida

tenha os mesmos metros

do que se acredita

antes delibera

nas esquinas do novo

aquilo que a palavra

mede em todos

 

meu poema

apenas convoca

todos os meus afetos

todas as minhas portas

e se o prolato

e se as invoco

é por ser o futuro

aquilo que eu posso.

8

Do grito insubstituível da vida

 

Meu vínculo

é o que sinto

pensar é só preciso

naquilo que o coração

é meu indício

 

A razão é quase gesto

de que prescindo

quando o coração aponta

os verbos do que digo.

 

Meu vínculo

é o que grito

na rua geral da vida

em que me infinito.

7

Das contradições e manifestos do próximo

 

Meu olho gruda no céu

com a mesma desenvoltura

com que, escafandro de mim,

revolvo minhas culpas

 

tudo é só a constância

de vislumbrar amplitudes

sempre nasço de mim

mesmo quando não pude

 

é que o outro é o espelho

de nos inventar amiúde.

6

Da possibilidade recorrente

 

Divirjo de mim mesmo

tudo que não posso

é meu mêdo.

 

O impossível

é só um gesto

de tudo a que me presto.

 

viver é inventar impossíveis

nos desvãos do universo.

7

Circo desatado

O palhaço

chora no riso

seu abraço

e ri seu pranto

no aplauso

tudo que lhe move

é seu contrato

e uma leve possibilidade

do acaso

13

Das circulares em torno do sempre

 

de modo algum

é muito sempre

pra medir os modos

das incertezas do tempo

 

de modo algum

é quase sempre

um jeito comum

de desalento

 

é que a matéria

tem modos e momentos

de sempre escrever a história

no avesso dos tempos.

7

Da metragem da vida

 

Das léguas de mim

sei os passos

e a estranha sensação

de que me faço

das léguas todas de todos

em que me abraço.

 

meus metros

adredemente

são caminhos de todos

os que se consentem .

7

Mães



mães

adredemente

Inventam a vida

ao redor da gente

seus ilimites

não desandam

tudo que a razão

apenas  tanja

 

é que suas horas

vigem tão alheias

que nem se registram

em suas veias

antes povoam um tempo

de amores irrestritos

em que declara seus

todos os infinitos.

6

Comentários (10)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.