Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
trabalhador,
dê-se ao ofício
de perder-se da vida
em sacrifício
máquina humana
cumpra o turno
remoendo a senda
de ser lucro
fardo monetário
isento do futuro
moenda de si
perverso teorema
nesse dar-se insano
ao sistema
a professora
no meio da sala
conduzia os olhos
nas palavras
o menino
preso na mágica
sonhava o mundo
quase astronauta
nas naves que via
das palavras voantes
a professora parecia
uma estrela brilhante
quando fosse tanta
essa vontade inata
deixar-se ancestral
no vão da prática
e construir futuro
todos os passados
como roldão de todos
na concisão dos fatos
quando fosse a vida
ávida sanguessuga
revolvendo grávida
os desvãos da culpa
pudesse o homem viver
todos os seus frutos
como árvore infinda
da humana luta
até que a vida
em sua trama
invente-se a razão
por que se ama
até que todos
inventem nas ruas
os passos exatos
de quem luta
até que o mundo
em seu curso
dê-se à construção
de todos em tudo
a filosofia é,
quase sempre,
duvidar do infinito
impunemente,
guardada a proporçāo
do que se sente
nas veias da matéria,
na verdade displicente,
nas contrações da vida
que a dialética consente
filosofar é ter o mundo
embrulhado na gente
como se fora um livro
nas páginas do tempo
de cócoras,
no colo do dia,
o menino sonhava
como o mundo vigia
o tempo,
bordando o ócio,
salpicava de alegria
suas horas
a vida espreguiçava
um riso infindo
no veio dos olhos
a manhã, um dia,
acordará cogente
amanhã, um dia,
acordará de ontens
simplesmente
como se a vida
engravidasse urgente
como um futuro
do pensamento
o homem, nas manhãs,
impunemente,
viverá os infinitos
dos dias postos no tempo
“dispõe o verso
como navegante
de todos os mares
em que se plante”
como primeiro artigo
tenha-se como decidido
que ao verso caiba sonhar
todo e qualquer infinito
no parágrafo único
dê-se ao verbo a sentença
de conter-se lastro lúdico
no coletivo rastro da avença
como segundo intento
na legislante jornada
dê-se ao verso a noite
mesmo nas madrugadas
e que o tempo seja apenas
letras impunemente grafadas
como terceiro pacto
tenha-se pronta a divisa
de que ao verso compete
as liberdades da vida
as que estejam lutadas
as que sejam construídas
como último artigo
entre em vigor pelo verbo
nas datas que consiga
beliscar o universo
revogadas todas as tramas
das estrofes controversas
humano
balbucia a vida
rastro da matéria
em cada esquina
ângulo de si
em coletivo bando
dá-se à alegria
mesmo pranto
construção baldia
infinito em transe
o homem tece o tempo
em que se tange
a filosofia é,
quase sempre,
duvidar do infinito
impunemente,
guardada a proporçāo
do que se sente
nas veias da matéria,
na verdade displicente,
nas contrações da vida
que a dialética consente
filosofar é ter o mundo
embrulhado na gente
como se fora um livro
nas páginas do tempo
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.