Lista de Poemas
Utopia I
a utopia
é um sonho
que se leva na mão
embrulhado na luta
tudo que seja povo
lhe disputa
os metros todos de futuro
a que se ajusta
rasantes
meu voo
é só licença
a que me dou
na consciência
no mais das vezes
sempre aterrizo
na pista fictícia
dos sentidos
astronauta de mim
nesse exercício
construo o cosmos
que habito
Pequena alusão aos 68 anos
Tanjo meu tempo
com a certeza exata
das léguas de mim
que entorno pela alma
o percurso é só um tempo
cheio de palavras
construídas nos verbos
como arma
um discurso assim pacífico
nas guerras da luta e da calma.
Das larguras do sonho
o sonho
é sempre coletivo
tudo que lhe tange
é infinito
e, mesmo particular,
dá-se ao desplante
de parecer viés
de todos horizontes
é que lhe sobra uma nesga
de matéria itinerante
que conjuga todos os passos
de quem esteja sonhante.
Da menina em falas de infantes verbos
as palavras da menina
fabricavam a luz do dia
como se fossem um brinquedo
de inventar alegria
e giravam seus sonhos tanto
pelas mãos desenfreadas
como um tempo que se perdia
nos olhos de quem olhava
é que a infância sempre teima
em desabotoar as palavras
como se fosse moenda
dos verbos de quem fala.
A Lane Pordeus
Entornas-me
com teu riso
e deixo-me em ti
para estar comigo
é que o amor
é um breve infinito
tudo que lhe mede
são as léguas do que sinto.
Dança
o peneirado da negra
tinha um quê de ilusão
ela dançava sim
a gente pensava não
era como se a vida
não fosse a contradição
que leva a gente pro norte
com o sul no coração.
Poeminha de certezas latentes
Sempre haverá um povo
nos arredores do futuro
mesmo que não haja tempo
para dizê-lo em tudo
sempre haverá um tempo
nos arredores do povo
mesmo que não haja um futuro
guardado em cada bolso
tempos são
apenas arquiteturas
de quem constrói as manhãs
nos descaminhos da luta.
Dos discursos temporais da velhice
Eis a sinergia:
a alegria é sempre maior
que a tristeza presumida
o tempo e o riso cabem mais
nas entrelinhas da vida
É que sua lavratura,
demandada pelos anos,
abrange todas as medidas
do invólucro humano
eis que consumir o tempo
é uma alegria orquestrada
ao homem cabe compô-la
das notas em que não se cala.
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.