Lista de Poemas

Utopia I


a utopia

é um sonho

que se leva na mão

embrulhado na luta

 

tudo que seja povo

lhe disputa

os metros todos de futuro

a que se ajusta

6

rasantes

 

meu voo

é só licença

a que me dou

na consciência

no mais das vezes

sempre aterrizo

na pista fictícia

dos sentidos

astronauta de mim

nesse exercício

construo o cosmos

que habito

9

Pequena alusão aos 68 anos

 

Tanjo meu tempo

com a certeza exata

das léguas de mim

que entorno pela alma

 

o percurso é só um tempo

cheio de  palavras

construídas nos verbos 

como  arma

um discurso assim pacífico

nas guerras da luta e da calma.

17

Das larguras do sonho

 

o sonho

é sempre coletivo

tudo que lhe tange

é infinito

 

e, mesmo particular,

dá-se ao desplante

de parecer viés

de todos horizontes

 

é que lhe sobra uma nesga

de matéria itinerante

que conjuga todos os passos

de quem esteja sonhante.

6

Da menina em falas de infantes verbos

 

as palavras da menina

fabricavam a luz do dia

como se fossem um brinquedo

de inventar alegria

 

e giravam seus sonhos tanto

pelas mãos desenfreadas

como um tempo que se perdia

nos olhos de quem olhava

 

é que a infância sempre teima

em desabotoar as palavras

como se fosse moenda

dos verbos de quem fala.

6

A Lane Pordeus

 

Entornas-me

com teu riso

e deixo-me em ti

para estar comigo

 

é que o amor

é um breve infinito

tudo que lhe mede

são as léguas do que sinto.

6

Dança


o peneirado da negra

tinha um quê de ilusão

ela dançava sim

a gente pensava não

era como se a vida

não fosse a contradição

que leva a gente pro norte

com o sul no coração.

6

Poeminha de certezas latentes

 

Sempre haverá um povo

nos arredores do futuro

mesmo que não haja tempo

para dizê-lo em tudo

 

sempre haverá um tempo

nos arredores do povo

mesmo que não haja um futuro

guardado em cada bolso

 

tempos são

apenas arquiteturas

de quem constrói as manhãs

nos descaminhos da luta.

6

Dos discursos temporais da velhice

 

Eis a sinergia:

a alegria é sempre maior

que a tristeza presumida

o tempo e o riso cabem mais

nas entrelinhas da vida

 

É que sua lavratura,

demandada pelos anos,

abrange todas as medidas

do invólucro humano

 

eis que consumir o tempo

é uma alegria orquestrada

ao homem cabe compô-la

das notas em que não se cala.

19

Do poema em contrição



o poema em si

é quase nada

é um pretenso fato

montado nas palavras

 

e no entanto

o poema fala

na vastidão do homem

a todos os cordões da alma

 

é que a matéria,

quando está em si, desanda

e chega a sentir no verbo

tudo que se ama

15

Comentários (10)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.