Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
a noite
afagava a tarde
trafegando a lua
pelo espaço
o tempo
posto em arquivo
lembrava no sono
seu sorriso
pulsando a vida
o menino adormecido
embrulhava no sonho
o infinito
o poema
rente ao verbo
admite as curvas
de suas retas
planta a palavra
em trejeitos
nesgas do poeta
no perímetro do peito
o poema é livre
em cada cela
prisioneiro do mundo
nas grades do poeta
a máquina neural
transborda a vida
lançando a matéria
em investidas
o raso dos fatos
dá-se consentido
inventar a razão
produto coletivo
é só um bordado
que o futuro tramita
a utopia é só o grito
de quem abraça o infinito
na carência dos fatos
na esteira dos sentidos
a utopia é o rito
de quem habita o futuro
nos sentidos
com a intimidade humana
de quem constrói a vida
o tempo, relativo,
nesse dar-se às distâncias,
desabraça o infinito
como um mar etéreo
que se desse rio
o homem
transeunte das águas
dá-se aos mares de si
calculando suas horas
a cabeça do poeta
como moenda
usina os verbos
criando cenas
as palavras
drones semânticos
assuntam a vida
em largo trânsito
o poema
já amanhecido
esquece o poeta
em seus sentidos
os caminhos postos
estejam sob os passos
de quantas razões
construam os atos
a vontade
na trilha de tanto
esteja perseguida
nas curvas e planos
a construção de tudo
forja da matéria
são degraus intensos
da humana história
a bailarina
boiava no palco
nave onírica
humano dardo
o infinito
encabulado
dava-se contrito
em cada salto
o homem
media nos olhos
os vários infinitos
que mirava
dê-se em mim como privada
a alheia senda do outro
essa necessidade proprietária
da matéria em alvoroço
construção libertária
de quem navega seu esforço
como um barco desses mares
em que a vida dá-se aos poucos
e por tanta resumida
nas infinitas demarches
de-se à dialética
de todos seus olhares
como a vida a transitar
como coletiva face
de todos que a integram
na material paisagem
esse pertencer perdulário
de quem se dá à verdade
de que todos sou eu
diagramado na tarde
em que a estrada da vida
percorre a liberdade
e assim dado à multitude
como grão coletivo
escreva nas atitudes
a cerimônia do rito
de quem escreve em si
a rubrica do infinito
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.