Lista de Poemas

De Portugal e as flores do povo

 

Pelos ombros da vida

ao redor destes fados

caminha um jeito lusitano

de inventar esses cravos

 

assim  deixados na história

nas curvas da alegria

constroem a grande saudade

dos tempos em que haviam

9

Do cacto em contubérnio inato

 

O cacto

é só um pacto

entre o espinho

e o espaço

a terra

é só o ato

de tangê-los 

no deserto dos fatos

a paisagem

é só o desacato

da flor que inventa

nos soluços que prolata

8

Reminiscências do futuro

 

o futuro,

constantemente,

inventa minha saudade,

de repente

 

é como assim um desembrulhar

do sonho que se sente.

8

À espera do passado com nesgas do vindouro

 

A esperança

é só uma dança

que o futuro inventa

pela lembrança

é como se fora um panfleto

redigido no peito de quem avança

 

sua imanência

é só aviso

de quem sabe montar

seu infinito.

8

Das metragens cognitivas e das razões andantes

 

O sonho

é só o unguento

com que trato as viagens

do pensamento

 

é que por tê-las

alinhavadas no juízo

deixo-me sonhar atento

às distâncias do infinito

 

ao fim, caibo em mim,

viajante e quase contrito,

nas lonjuras do que, perto,

tange os metros do meu riso.

7

Amor mundano


ao amor

dê-se a feição de luta

nas costas da pátria

nos indícios da rua

e se queira farto

como um abraço

que a gente dá no tempo

em todos os compassos

7

das margens da vida

 

Nos ombros do tempo

navego horas e envelheço

até nas mocidades

em que me esqueço

 

vivente dos meus egos

nas vezes que nem me perco

o meu fim, adredemente,

é só um disfarce do começo

 

a velhice é só um jeito

de me inventar pelo avesso.

7

Da passeata em avanço

 

a passeata navega as ruas

com a exata compostura

de uma nau que singra as praças

dos combates, dos verbos e da luta

 

cada transeunte em passo

é um descompasso consentido

das dores todas que atiça o povo

e joga os homens na avenida.

 

a passeata navega também as luas

que o futuro dos passos realiza.

6

Do confronto temporal da vontade

 

Na pandemia

o tempo esquece

de ajeitar um espaço

em que vivesse

e larga-se no peito

como uma preguiça 

subindo todas as letras

da notícia 

 

o mundo carece de tempo

para dar-se à vista

10

Das rendas noturnas


É que o bordado da noite

quando inventa nosso riso

cria luas no infinito

nesse claro exercício

de criar com nossos olhos

a aventura de ter vivido.

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.