Lista de Poemas
Das pandêmicas solitudes
na solidão saio de mim
como transeunte
de todas as estradas
que não pude
e deixo-me a sós
em incautos coletivos
como bólide da vontade
de estar comigo
eis a contradição:
a pandemia é coletiva
nem deixa a solidão
ser mais restrita.
Do pião em guerras lúdicas
E quando o pião rodava
no ombro largo do chão
a alma da gente sorria
com a ponteira na mão
como se fosse a bandeira
da nossa rebelião
é que assim consentida
a disputa é quase um enredo
de inventar concorrência
como se fosse brinquedo
é que criança guerreia
com a paz dentro do peito.
Da passeata no vão da crise
A luta bruta sua a praça
com suores e verbos,
andarilhos e astronautas
montados no sonho urgente
de abraçar a pátria
a luta consome
as léguas de povo
que adredemente prolata
costurando os verbos da vida
no peito infante da massa
e o grito da multidão
ecoando pelas marquises
é a construção escalonada
das arquiteturas da crise.
Da direção do porvir e suas entrelinhas
a distância
entre nós e o futuro
é só a decisão
de derrubar o muro
gente mede mais
que qualquer lucro
o grito é a prontidão
de inventar o mundo.
Das razões coletivas e instrumental vigente
Privada, a propriedade
parasita as ruas da cidade
urbano acinte e açoite
a quem trabalhe
privado, o latifúndio
parasita a natureza
montado no mundo
e o trabalho do povo
é o fórceps de tudo.
Das Vertentes do Futuro
a utopia
mais dias, menos dias,
é só o bordado da história
que o povo construia
é que a luta, por complexa,
dá-se por estranha,
às vezes incompleta
quando o destino dos homens
larga-se numa paz grávida da guerra
a ânsia do futuro
sempre se apresta
a bordar pelo mundo
muitos et ceteras.
Da alma em célere discurso
a alma
é só um disfarce
que o cérebro joga
no algoritmo da face
tudo que transborda
pelo vão da vontade
é um jeito peregrino
de navegar a liberdade
todas as razões da alma
habitam os verbos da carne.
Do poema e seu transcurso
O poema
é uma guerrilha avulsa
tudo que lhe tange
é o discurso
entre a certeza do verbo
e a incerteza da luta
a que os humanos se prestam
na humanidade que pulsam
o poema apenas é a alma
dos verbos que disputa
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.