Lista de Poemas

Das pandêmicas solitudes

 

na solidão saio de mim

como transeunte

de todas as estradas

que não pude

e deixo-me a sós

em incautos coletivos

como bólide da vontade

de estar comigo

 

eis a contradição:

a pandemia é coletiva

nem deixa a solidão

ser mais restrita.

8

Do pião em guerras lúdicas

 

E quando o pião rodava

no ombro largo do chão

a alma da gente sorria

com a ponteira na mão

como se fosse a bandeira

da nossa rebelião

 

é que assim consentida

a disputa é quase um enredo

de inventar concorrência

como se fosse brinquedo

é que criança guerreia

com a paz dentro do peito.

7

Da passeata no vão da crise

 

A luta bruta sua a praça

com suores e verbos,

andarilhos e astronautas

montados no sonho urgente

de abraçar a pátria

 

a luta consome

as léguas de povo

que adredemente prolata

costurando os verbos da vida

no peito infante da massa

 

e o grito da multidão

ecoando pelas marquises

é a construção escalonada

das arquiteturas da crise.

7

Da direção do porvir e suas entrelinhas

 

a distância

entre nós e o futuro

é só a decisão

de derrubar o muro

 

gente mede mais

que qualquer lucro

o grito é a prontidão

de inventar o mundo.

8

Das razões coletivas e instrumental vigente

 

Privada, a propriedade 

parasita as ruas da cidade 

urbano acinte e açoite

a quem trabalhe

 

privado, o latifúndio 

parasita a natureza

montado no mundo

 

e o trabalho do povo

é o fórceps de tudo. 


 

6

Das Vertentes do Futuro

 

a utopia

mais dias, menos dias,

é só o bordado da história

que o povo construia

 

é que a luta, por complexa,

dá-se por estranha,

às vezes incompleta

quando o destino dos homens

larga-se numa paz grávida da guerra

 

a ânsia do futuro

sempre se apresta

a bordar  pelo mundo

muitos et ceteras.

7

Da alma em célere discurso

 

a alma

é só um disfarce

que o cérebro joga

no algoritmo da face

 

tudo que transborda

pelo vão da vontade

é um jeito peregrino

de navegar a liberdade

 

todas as razões da alma

habitam os verbos da carne.

6

Do poema e seu transcurso

 

O poema

é uma guerrilha avulsa

tudo que lhe tange

é o discurso

entre a certeza do verbo

e a incerteza da luta

a que os humanos se prestam

na humanidade que pulsam

 

o poema apenas é a alma

dos verbos que disputa

6

Das andanças ainda oníricas do tempo

 

na garupa do sonho

sitiado pela vida

o homem adormece

todas as feridas

 

nada do que lhe é bastante

o é em tal medida

que não se farte dos infinitos

que alinhava em sua lida

 

sonhar é só ordenar

os futuros que se tem em vista

9

Das pandêmicas visagens

 

Na pandemia

viajo em mim impunemente

como um trem carregado

de passados e presentes

 

cada estação

é um grito absurdo

dos passados e presentes

que alinhavam o futuro

 

ao tempo resta a razão

de inventar seu discurso

7

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.